Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Diário Ateísta e Religião

Vamos analisá-la, para ver se é original e lógica. Comecemos pela lógica:

"Eu não consigo entender porque perdemos tempo a discutir religião."

1.Ninguém o obriga a perder tempo a discutir religião.

2.Se não ele entende porque se perde tempo a discuti-la, por que está a fazê-lo?!

3. Aquilo que ele entende ou deixa de entender, é irrelevante para a discussão. Confessar ignorância ( não compreendo/não percebo/não entendo), é um argumento ridículo. Que vá estudar, e volte quando perceber e tiver algo para criticar.

"Se formos honestos – e os cientistas têm de o ser – temos de admitir que a religião é uma confusão de falsas asserções, sem qualquer base na realidade."

4.Faltou referir qual a prova científica que terá de levar à admissão que a religião não tem qualquer base na realidade.

5.A veracidade de uma religião, não se discute, testa ou apura por método científico. Método científico lida com a realidade empírica. Religião é assunto de discussão metafísica.

6. Mesmo que não existisse Deus, a religião seria um mero produto humano constatado como sempre presente ao longo da civilização. Ou seja, numa perspectiva ateísta-naturalista, a religião teria mais utilidade do que o ateísmo, e o ateísmo não tem referencial absoluto que permita adjectivar uma construção humana que se revelou útil ao longo da História, como "sem qualquer base na realidade". A simples existência de religião, numa perspectiva naturalista,também indica que ela tem uma utilidade real e fundamentada.

"A própria ideia de Deus é um produto da imaginação humana."

7. Afirmou, tem de provar. Onde está a prova de que Deus seja um produto da imaginação humana?

"É bastante compreensível o porquê das pessoas primitivas, que estavam muito mais expostas às forças dominantes da natureza do que nós, terem resolvido personificar estas forças por medo e tremor."

8. Falácia genética: por pretender explicar a origem de uma crença, pretende-se demonstrar como falso o objecto da crença, o que não faz o mínimo sentido, atendendo aos princípios elementares da objectividade. Algo será real ou não, independentemente de alguém acreditar ou não nessa realidade. Para demonstrar que a religião é falsa, interessam são argumentos objectivos, e não discutir as razões pelas quais cada um possa acreditar ou não.

9. Para além de falácia genética, a própria génese atribuída à religião, não foi provada como real. Afirmar "é bastante comprensível", vale zero. Não foi dada nenhuma explicação nesse sentido.

10. Se se pretende que o medo e o temor expliquem a religião, o medo e o temor terão de explicar o ateísmo. A não ser que o ateu seja uma aberração evolutiva que não tem medo, um super-homem.

"Mas hoje em dia, quando entendemos tantos processos naturais, não temos qualquer necessidade desse tipo de soluções."

11-Confusão ( premeditada?) entre explicação do funcionamento e explicação da origem. Como sei como algo funciona, não existe a questão de porquê existir esse algo. Erro de principiante.

"Eu não consigo entender como postular um Deus Todo-o-Poderoso nos pode de alguma forma ajudar."

12.Repetição do erro já apontado acima. Uma tentativa de argumentar iniciada com "não consigo entender" , é imediatamente anulada. Se não entende, os outros não têm a culpa. Subjectividade patética.

"O que consigo ver é que esta suposição leva a questões improdutivas tais como o porquê de Deus permitir tanta miséria e injustiça, a exploração dos pobres pelos ricos e todos os outros horrores que Ele podia prevenir."

13. O argumento do mal contra a existência de Deus, é auto-contraditório:

a) Ou há Bem Absoluto e o mal ( a sua ausência ou corrupção) é objectivamente injusto,

b) Ou não há Bem Absoluto, e mal ( como bem) é aquilo que chamamos ao que nos é particularmente favorável e desfavorável ( a nós e ao nosso grupo).

Se o ateu responde com a),
mal objectivamente injusto não anula, antes confirma, a existência de Bem Absoluto ( Deus). Só pode haver escuridão, se existir luz.

Se o ateu responde com b),
opiniões subjectivas sobre o que lhe é favorável particularmente, não servem como argumento para refutar uma existência que seria objectiva e absoluta: Deus.

"Se a religião continua a ser ensinada, não é pelas suas ideias ainda nos convencerem, é porque alguns de nós desejam manter as classes inferiores silenciadas."

14. Faltou-lhe provar que ninguém ensina e aprende religião, por estar convencido com as suas ideias e fundamentos básicos. Ou seja, que todos os que ensinam religião, fazem para oprimir, e todos os que a aprendem são oprimidos.

15. Faltou-lhe provar a existência de classes de humanos inferiores e superiores. Qual o critério ontológico? Riqueza e pobreza são contingências, não servem de atribuito ontológico dos seres humanos.

"Pessoas caladas são muito mais fáceis de governar do que as clamorosas e descontentes."

16. Religioso não é sinónimo de "pessoa calada e fácil de governar". Os maiores genocidas da História, durante o século XX, sabiam-no perfeitamente. Caso contrário, não teriam assassinado milhões de religiosos, por eles não se calarem e não aceitarem ser governados pelos que faziam promessas materialistas de um mundo melhor para todos.

"São também muito mais fáceis de explorar. A religião é uma espécie de ópio que permite a uma nação tranquilizar-se com sonhos cobiçados e esquecer-se das injustiças que são perpetuadas contra as pessoas."

17. Pelo contrário, a religião tradicional é o que impede e dificulta mentirosos e assassinos de serem mais eficazes a conquistar o poder, prometendo que vão resolver todos os problemas dos que não conhecem, por "amor à humanidade". A religião tradicional ensina o homem a confiar em Deus, ( necessário) e não no homem ( contingente).

"Daí a aliança próxima entre essas duas grandes forças políticas, o Estado e a Igreja. Ambas necessitam da ilusão de que um Deus benevolente recompensa – no Céu se não na Terra – todos aqueles que não se elevaram contra a injustiça, que cumpriram com o seu dever sossegadamente e sem reclamar. É precisamente por isso que a asserção honesta de que Deus é um mero produto da imaginação humana é condenada como o pior de todos os pecados mortais."

18. Mais do mesmo: repetição do discurso marxista anti-religioso, demagógico e mentiroso.

Sobre a originalidade, o João Vasco deveria ter vergonha de promover estas palavras, como se este discurso fosse novo. Ser ateu, é uma atitude compreensível. Mas fazer do ateísmo uma promessa de um mundo melhor para todos, e instigar o ódio à religião como inimigo público e obstáculo à felicidade das pessoas, é um filme repetido, gasto e com os resultados trágicos que se sabem..

2 comentários:

  1. A verdadeira citação de Marx:

    Religious distress is at the same time the expression of real distress and the protest against real distress. Religion is the sigh of the oppressed creature, the heart of a heartless world, just as it is the spirit of a spiritless situation. It is the opium of the people. The abolition of religion as the illusory happiness of the people is required for their real happiness. The demand to give up the illusion about its condition is the demand to give up a condition which needs illusions

    Desculpa lá o inglês. Para dizer que concordo inteiramente, tanto eu como aparentemente o Dirac, com a primeira parte do parágrafo. A segunda não segue. Não é retirando a esperança primeiro e tentar responder a ela depois que se soluciona a situação, é ao contrário. Soluciona-se e depois a religião deixa de ser necessária. Como acontece nos países nórdicos. A religião é um fenómeno que é mais forte quanto mais pobre e desesperado o seu povo fôr. Isto é um facto facilmente verificável.

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  2. Senhor Barbas,

    "Para dizer que concordo inteiramente, tanto eu como aparentemente o Dirac, com a primeira parte do parágrafo."

    Então, também gostas de apelar à falácia genética e de nem sequer provar a origem que atribuis à religião. Está bem.

    "A segunda não segue. Não é retirando a esperança primeiro e tentar responder a ela depois que se soluciona a situação, é ao contrário."

    Pois, pareces-me tão maluco como qualquer outro revolucionário. Então, sabes como é que se soluciona a vida dos outros, é? Isto está giro...

    "Soluciona-se e depois a religião deixa de ser necessária."

    Como é que sabes? Conheces quantos antes de ti é que já idealizaram esse futuro maravilhoso sem religião?

    "Como acontece nos países nórdicos."

    O que acontece nos países nórdicos, esses estados confessionais cristãos, muitos dos quais com a Cruz na bandeira?
    A verdade é que temos séculos de cristianismo enraízado nesses países, mas tu só tens umas décadas de secularismo e já estás a cantar vitória?
    Deixa passar mais um tempo, até vermos onde levará o aborto, casamento gay, pedofilia, bestialidade, etc.

    "A religião é um fenómeno que é mais forte quanto mais pobre e desesperado o seu povo fôr."

    Qual religião e qual povo?
    A população norte-americana, maioritariamente religiosa,é pobre e "desesperada"?

    E mesmo que isso fosse verdade,quanto mais fragilizado mais religioso, provaria o quê, no teu ( iluminado) entendimento?

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