Perguntas em itálico, respostas de Carlos Esperança em negrito e os meus comentários abaixo destas.
Antes de mais, sinteticamente, que é a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) e quais os seus objectivos?
A AAP é um conjunto de homens e mulheres organizados para melhor defenderem os interesses comuns aos ateus, cépticos, racionalistas e a todos os livres-pensadores, pessoas que não necessitam de deus por serem capazes de viver com normalidade, sem medo do Inferno ou angústia do Paraíso.
Infelizmente, o entrevistador esqueceu-se de perguntar quais são esses "interesses comuns" a tanta gente e como legitima isso que se chame "ateísta" à associação. Em termos de ateísmo, também é irrelevante aquilo que as pessoas precisam ou não para viver com normalidade; pois qualquer existência, como a Deus, independerá das crenças e medos de alguém.
Somos pessoas que damos valor à nossa vida e à dos outros, que cultivamos a razão e confiamos no método científico para construir modelos da realidade.
Mero slogan publicitário. Eu também posso vender o meu suposto altruísmo e genialidade dizendo que dou valor à minha vida e à dos outros, cultivo a razão e confio no método científico para construir modelos da realidade. E agora, será que a AAP tem autoridade para validar a minha afirmação, apenas porque diz representar os interesses comuns de quem dá valor à sua vida, à dos outros, cultiva a razão e confia no método científico? Não me parece...
Se alguém se acha boa pessoa e muito inteligente e em vez de fazer algo pela humanidade, cria uma associação para se assumir como representante dos bons e inteligentes, desperdiça a suposta sua genialidade em bazófia inconsequente...
Não remetemos as questões do bem e do mal para seres incertos nem para a esperança de uma existência após a morte.
Nem eu. E seguramente que a AAP não fala em meu nome nem é representante dos meus interesses, por muito que se auto-promova como tal. Mas o mais interessante seria o ateu Esperança dizer para onde remete a sua associação "ateísta" as questões do bem e do mal.
São objectivos da AAP combater o obscurantismo
Falso. A AAP, e teremos oportunidade de ver isso ao longo deste blogue, ignora e oculta os melhores argumentos sobre existência de Deus sempre que tenta defender o ateísmo.
defender a laicidade
Na realidade a AAP defende o ateísmo de estado, dando-lhe o nome de estado laico. Isso será demonstrado no decorrer da análise a esta entrevista.
e mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida,
Uma inexistência como fundamento de uma mundividência e filosofia ética é absurdo, porque tais discussões e realidades têm de se basear em existências. De "X não existe", não retiro nenhum noção de dever moral. Esse mérito que a AAP atribui ao ateísmo é simplesmente impossível.
sabendo que o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e que todas as evidências indicam que nenhum deus é real.
A AAP, portanto, sabe como é que se tem uma existência ética PLENA. O ateísmo como caminho para a perfeição...
O que é estranho, porque o ateísmo terá sempre muita dificuldade em fundamentar uma ética com deveres morais objectivos, quanto mais garantir que o ser humano é capaz de ter uma existência eticamente plena, ou seja, em total e perfeita concordância com esses deveres morais ao longo da sua vida.
Outro disparate é que isso também não seria possível sem especular acerca do sobrenatural. Para alguém ser plenamente ético, teria de ter a posse total do conhecimento ético. E para obter conhecimento ético, mesmo que não seja o "pleno", tem de se especular, pensar e reflectir sobre o que escapa ao conhecimento apurado sobre leis naturais, pois as duas actividades são epistemologicamente diferenciadas.
Sobre TODAS as evidências apontarem que nenhum deus é real, isso implica que a maioria da população mundial sofre de alguma doença ao nível da percepção que lhe impede de compreender a inexistência de divino como evidente. Ou então que Carlos Esperança usa, por erro de "false friend", o termo inglês "evidence" como correspondente a "evidência". Ou seja, que tem evidências como sinónimo de provas e assumiu nesta entrevista estar na posse de provas da inexistência de Deus. Se for este o caso, lamenta-se que não as tenha apresentado.
A AAP é um conjunto de homens e mulheres organizados para melhor defenderem os interesses comuns aos ateus, cépticos, racionalistas e a todos os livres-pensadores, pessoas que não necessitam de deus por serem capazes de viver com normalidade, sem medo do Inferno ou angústia do Paraíso.
Infelizmente, o entrevistador esqueceu-se de perguntar quais são esses "interesses comuns" a tanta gente e como legitima isso que se chame "ateísta" à associação. Em termos de ateísmo, também é irrelevante aquilo que as pessoas precisam ou não para viver com normalidade; pois qualquer existência, como a Deus, independerá das crenças e medos de alguém.
Somos pessoas que damos valor à nossa vida e à dos outros, que cultivamos a razão e confiamos no método científico para construir modelos da realidade.
Mero slogan publicitário. Eu também posso vender o meu suposto altruísmo e genialidade dizendo que dou valor à minha vida e à dos outros, cultivo a razão e confio no método científico para construir modelos da realidade. E agora, será que a AAP tem autoridade para validar a minha afirmação, apenas porque diz representar os interesses comuns de quem dá valor à sua vida, à dos outros, cultiva a razão e confia no método científico? Não me parece...
Se alguém se acha boa pessoa e muito inteligente e em vez de fazer algo pela humanidade, cria uma associação para se assumir como representante dos bons e inteligentes, desperdiça a suposta sua genialidade em bazófia inconsequente...
Não remetemos as questões do bem e do mal para seres incertos nem para a esperança de uma existência após a morte.
Nem eu. E seguramente que a AAP não fala em meu nome nem é representante dos meus interesses, por muito que se auto-promova como tal. Mas o mais interessante seria o ateu Esperança dizer para onde remete a sua associação "ateísta" as questões do bem e do mal.
São objectivos da AAP combater o obscurantismo
Falso. A AAP, e teremos oportunidade de ver isso ao longo deste blogue, ignora e oculta os melhores argumentos sobre existência de Deus sempre que tenta defender o ateísmo.
defender a laicidade
Na realidade a AAP defende o ateísmo de estado, dando-lhe o nome de estado laico. Isso será demonstrado no decorrer da análise a esta entrevista.
e mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida,
Uma inexistência como fundamento de uma mundividência e filosofia ética é absurdo, porque tais discussões e realidades têm de se basear em existências. De "X não existe", não retiro nenhum noção de dever moral. Esse mérito que a AAP atribui ao ateísmo é simplesmente impossível.
sabendo que o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e que todas as evidências indicam que nenhum deus é real.
A AAP, portanto, sabe como é que se tem uma existência ética PLENA. O ateísmo como caminho para a perfeição...
O que é estranho, porque o ateísmo terá sempre muita dificuldade em fundamentar uma ética com deveres morais objectivos, quanto mais garantir que o ser humano é capaz de ter uma existência eticamente plena, ou seja, em total e perfeita concordância com esses deveres morais ao longo da sua vida.
Outro disparate é que isso também não seria possível sem especular acerca do sobrenatural. Para alguém ser plenamente ético, teria de ter a posse total do conhecimento ético. E para obter conhecimento ético, mesmo que não seja o "pleno", tem de se especular, pensar e reflectir sobre o que escapa ao conhecimento apurado sobre leis naturais, pois as duas actividades são epistemologicamente diferenciadas.
Sobre TODAS as evidências apontarem que nenhum deus é real, isso implica que a maioria da população mundial sofre de alguma doença ao nível da percepção que lhe impede de compreender a inexistência de divino como evidente. Ou então que Carlos Esperança usa, por erro de "false friend", o termo inglês "evidence" como correspondente a "evidência". Ou seja, que tem evidências como sinónimo de provas e assumiu nesta entrevista estar na posse de provas da inexistência de Deus. Se for este o caso, lamenta-se que não as tenha apresentado.
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