Perguntas em itálico, respostas de Carlos Esperança em negrito e os meus comentários abaixo destas.
Ser-se ateu é ser anti-religioso?
Os ateus não são necessariamente anti-religiosos apesar da sanha irracional das Igrejas contra o ateísmo.
Com uma oportunidade para esclarecer que ser-se ateu é simplesmente acreditar que não existe nenhum deus, este porta-voz da AAP cometeu a contradição de tentar valorizar os ateus, atacando a religião.
A AAP defende a liberdade religiosa como direito reconhecido na Declaração Universal dos Direitos do Homem, declaração que os seus sócios prezam e subscrevem.
Vamos então recordar parte do 18ª artigo dessa declaração:
"Toda a pessoa tem direito à liberdade de (...) religião; este direito implica a liberdade de manifestar a religião (...) tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos."
Os ateus não são necessariamente anti-religiosos apesar da sanha irracional das Igrejas contra o ateísmo.
Com uma oportunidade para esclarecer que ser-se ateu é simplesmente acreditar que não existe nenhum deus, este porta-voz da AAP cometeu a contradição de tentar valorizar os ateus, atacando a religião.
A AAP defende a liberdade religiosa como direito reconhecido na Declaração Universal dos Direitos do Homem, declaração que os seus sócios prezam e subscrevem.
Vamos então recordar parte do 18ª artigo dessa declaração:
"Toda a pessoa tem direito à liberdade de (...) religião; este direito implica a liberdade de manifestar a religião (...) tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos."
A AAP não defende esta liberdade religiosa reconhecida pela DUDH, pois considera que a religião tem de se resumir ao foro privado.
Defendemos de igual modo o direito à crença, à descrença e à anti-crença.
Então e o direito à anti-descrença? Ah, isso já deve ser a tal "sanha irracional"...
Se são referidos explicitamente os direitos à crença e à descrença, e tomando como certo que "anti-crença" é uma coisa boa e legitima, porque não foi também referido de forma explícita o direito à anti-descrença?
Há, no entanto, uma diferença a estabelecer: um ateu não é contra os crentes mas contra as crenças que colidem com as normas morais que são apanágio da modernidade e da civilização
Falso. Um ateu não tem de ser contra coisa alguma para ser ateu, e muito menos a favor de normas morais por apanágio. A AAP não tem, pela cosmovisão que defende, padrão moral absoluto que permita determinar aos ateus a defesa daquilo que a AAP pensa sobre a "modernidade" ou o que é "civilização.
Os monoteísmos veneram um deus patriarcal e tribal que aceita a escravatura, a venda das filhas e outras coisas tão repugnantes como a morte de quem coma moluscos (Levítico 11:10) ou de quem trabalhe ao 7.º dia (Êxodo 31:15).
Vejamos mais alguns exemplos bíblicos: qual é o castigo para quem invoque o nome de Deus em vão? (Levítico 24:16); e o castigo para o adultério? (Levítico 20:10); e para a homossexualidade? (Levítico 18:22). O castigo é invariavelmente a morte, mas é lícito vender uma filha como escrava: (Êxodo 21:7) e possuir escravos, tanto homens como mulheres, desde que comprados em nações vizinhas (Levítico 25:44).
Estará o senhor Esperança, em representação da AAP, disposto a provar que os monoteísmos ACEITAM (presente do indicativo) tais actos, com fundamento nesses textos por ele descontextualizados e referidos avulsos? Seria interessante se tal acusação pudesse ser provada. Aconselho a leitura de um texto no blogue Neo-Ateísmo, Um Delírio:Deuterónimo manda matar...segundo Sam Harris ,onde se explica muito bem o truque de ilusionismo anti-religião papagueado aqui por Carlos Esperança.
Realce-se que a tentativa de interpretação selectivamente desonesta resulta um pouco melhor quando não se cometem erros factuais, como seja, por exemplo, o de Esperança ao referir a pena de morte para o acto de ingerir moluscos, que não está prevista na passagem apontada daquele código civil.Defendemos de igual modo o direito à crença, à descrença e à anti-crença.
Então e o direito à anti-descrença? Ah, isso já deve ser a tal "sanha irracional"...
Se são referidos explicitamente os direitos à crença e à descrença, e tomando como certo que "anti-crença" é uma coisa boa e legitima, porque não foi também referido de forma explícita o direito à anti-descrença?
Há, no entanto, uma diferença a estabelecer: um ateu não é contra os crentes mas contra as crenças que colidem com as normas morais que são apanágio da modernidade e da civilização
Falso. Um ateu não tem de ser contra coisa alguma para ser ateu, e muito menos a favor de normas morais por apanágio. A AAP não tem, pela cosmovisão que defende, padrão moral absoluto que permita determinar aos ateus a defesa daquilo que a AAP pensa sobre a "modernidade" ou o que é "civilização.
Os monoteísmos veneram um deus patriarcal e tribal que aceita a escravatura, a venda das filhas e outras coisas tão repugnantes como a morte de quem coma moluscos (Levítico 11:10) ou de quem trabalhe ao 7.º dia (Êxodo 31:15).
Vejamos mais alguns exemplos bíblicos: qual é o castigo para quem invoque o nome de Deus em vão? (Levítico 24:16); e o castigo para o adultério? (Levítico 20:10); e para a homossexualidade? (Levítico 18:22). O castigo é invariavelmente a morte, mas é lícito vender uma filha como escrava: (Êxodo 21:7) e possuir escravos, tanto homens como mulheres, desde que comprados em nações vizinhas (Levítico 25:44).
Estará o senhor Esperança, em representação da AAP, disposto a provar que os monoteísmos ACEITAM (presente do indicativo) tais actos, com fundamento nesses textos por ele descontextualizados e referidos avulsos? Seria interessante se tal acusação pudesse ser provada. Aconselho a leitura de um texto no blogue Neo-Ateísmo, Um Delírio:Deuterónimo manda matar...segundo Sam Harris ,onde se explica muito bem o truque de ilusionismo anti-religião papagueado aqui por Carlos Esperança.
Um ateu é contra as determinações bárbaras e não contra quem acredita que satisfazem a vontade do seu deus.
A coisa mais fácil de encontrar são ateus favoráveis e praticantes de determinações bárbaras; o que demonstra ser falsa a alegação "um ateu é contra as determinações bárbaras".
Sobre alguém acreditar que determinações bárbaras satisfazem a vontade do seu deus, também há ateus que são contra essas pessoas, continuando ateus.
Outra coisa que também existe, são alguns ateus a falar em nome dos ateus, determinando aquilo que estes são contra ou a favor; acusando, em nome e valorização do ateísmo, a religião de implicar determinações bárbaras por crença de que estas agradam a algum deus. Não podemos levar a sério essas definições ilegítimas nem implicar todos os ateus por esses actos de desonestidade intelectual; pois seria cometer o mesmo erro que se pretende expor perante todos como inadmissível.
Felizmente, muitos crentes ignoram ou simplesmente desprezam esses livros pouco recomendáveis que o deus abraâmico inspirou.
Eis a AAP a proclamar-se como autoridade das religiões abraâmicas; quem não mata sodomitas nem vende filhas como escravas, é porque ignora e despreza os livros sagrados da sua religião. Quem não faz isso, "felizmente", não é um religioso coerente; é a grande conclusão da AAP.
Mas se a AAP não ignorasse nem desprezasse os livros sagrados mais influentes da cultura e civilização onde está inserida, saberia distinguir códigos civis de doutrina moral.
E, ainda, se não ignorasse nem desprezasse o que implica, a ser verdadeiro, o naturalismo materialista que professa; a AAP também não faria esta figura ridícula de classificar como pouco recomendável um código civil para o qual a AAP não tem padrão moral absoluto capaz de o classificar como tal.
Mais, se a AAP não ignorasse e desprezasse a realidade histórica, talvez os seus membros não passassem a vergonha de vir a público classificar aquilo que seria pouco ou muito recomendável no meio do deserto, há seis mil anos atrás, sem ter em conta as práticas e códigos civis de outras tribos e civilizações contemporâneas daquela que a AAP critica isoladamente. Mesmo sem padrão moral absoluto, um ateu pode fazer essa comparação e tentar explicar, à luz do materialismo que defenda, em que sentido esses códigos civis são absolutamente condenáveis.
Claro que combatemos o proselitismo e a violência sectária.
A AAP, embora os seus responsáveis sejam desonestos ao classificá-la como "ateísta" e representante dos interesses comuns de quem não a mandatou para tal, até tem o direito a fazer o proselitismo que indesmentivelmente faz. Por isso, e como se diz defensora da Declaração Universal dos Direitos do Homem, os responsáveis da AAP sabem que não têm o direito de combater o proselitismo alheio, que também é um direito das religiões.
Sobre serem contra a violência sectária, não é claro que os membros da AAP o sejam. Mas se o fossem, seriam apenas excepção à regra de ter motivado a mais sanguinária violência sectária da História, o tipo de militância "ateísta" que a AAP adoptou: combate ao proselitismo religioso, anti-religiosidade e ateísmo de estado.
Lembramos que a Igreja católica fez em 13 de Maio de 2008 a peregrinação a Fátima «contra o ateísmo» e, pouco depois, o patriarca Policarpo definiu o ateísmo como a «maior tragédia do nosso tempo», tragédia, pelos vistos, maior do que a fome, a guerra, as doenças e as catástrofes naturais.
Esperança disse acima que a AAP é pelo direito à anti-crença. A crença dos ateus é a de que nenhum deus existe. Assim, segundo a AAP, a AAP não tem razões para condenar a peregrinação contra o ateísmo levada a cabo pelos católicos.
Também não é certo que Policarpo tenha considerado o ateísmo uma tragédia maior do que as referidas. É mais plausível que tenha considerado o ateísmo a maior tragédia da humanidade porque o ateísmo, por exemplo, não tem padrão moral absoluto que permita classificar as tragédias referidas por Carlos Esperança como coisas más. Para um religioso, que tem por princípio noções como ser dever moral do homem combater e minorar o mal; é honesto e coerente classificar a crença no ateísmo, que invalida classificar coisa alguma como objectivamente boa ou má; como a maior tragédia humana.
A coisa mais fácil de encontrar são ateus favoráveis e praticantes de determinações bárbaras; o que demonstra ser falsa a alegação "um ateu é contra as determinações bárbaras".
Sobre alguém acreditar que determinações bárbaras satisfazem a vontade do seu deus, também há ateus que são contra essas pessoas, continuando ateus.
Outra coisa que também existe, são alguns ateus a falar em nome dos ateus, determinando aquilo que estes são contra ou a favor; acusando, em nome e valorização do ateísmo, a religião de implicar determinações bárbaras por crença de que estas agradam a algum deus. Não podemos levar a sério essas definições ilegítimas nem implicar todos os ateus por esses actos de desonestidade intelectual; pois seria cometer o mesmo erro que se pretende expor perante todos como inadmissível.
Felizmente, muitos crentes ignoram ou simplesmente desprezam esses livros pouco recomendáveis que o deus abraâmico inspirou.
Eis a AAP a proclamar-se como autoridade das religiões abraâmicas; quem não mata sodomitas nem vende filhas como escravas, é porque ignora e despreza os livros sagrados da sua religião. Quem não faz isso, "felizmente", não é um religioso coerente; é a grande conclusão da AAP.
Mas se a AAP não ignorasse nem desprezasse os livros sagrados mais influentes da cultura e civilização onde está inserida, saberia distinguir códigos civis de doutrina moral.
E, ainda, se não ignorasse nem desprezasse o que implica, a ser verdadeiro, o naturalismo materialista que professa; a AAP também não faria esta figura ridícula de classificar como pouco recomendável um código civil para o qual a AAP não tem padrão moral absoluto capaz de o classificar como tal.
Mais, se a AAP não ignorasse e desprezasse a realidade histórica, talvez os seus membros não passassem a vergonha de vir a público classificar aquilo que seria pouco ou muito recomendável no meio do deserto, há seis mil anos atrás, sem ter em conta as práticas e códigos civis de outras tribos e civilizações contemporâneas daquela que a AAP critica isoladamente. Mesmo sem padrão moral absoluto, um ateu pode fazer essa comparação e tentar explicar, à luz do materialismo que defenda, em que sentido esses códigos civis são absolutamente condenáveis.
Claro que combatemos o proselitismo e a violência sectária.
A AAP, embora os seus responsáveis sejam desonestos ao classificá-la como "ateísta" e representante dos interesses comuns de quem não a mandatou para tal, até tem o direito a fazer o proselitismo que indesmentivelmente faz. Por isso, e como se diz defensora da Declaração Universal dos Direitos do Homem, os responsáveis da AAP sabem que não têm o direito de combater o proselitismo alheio, que também é um direito das religiões.
Sobre serem contra a violência sectária, não é claro que os membros da AAP o sejam. Mas se o fossem, seriam apenas excepção à regra de ter motivado a mais sanguinária violência sectária da História, o tipo de militância "ateísta" que a AAP adoptou: combate ao proselitismo religioso, anti-religiosidade e ateísmo de estado.
Lembramos que a Igreja católica fez em 13 de Maio de 2008 a peregrinação a Fátima «contra o ateísmo» e, pouco depois, o patriarca Policarpo definiu o ateísmo como a «maior tragédia do nosso tempo», tragédia, pelos vistos, maior do que a fome, a guerra, as doenças e as catástrofes naturais.
Esperança disse acima que a AAP é pelo direito à anti-crença. A crença dos ateus é a de que nenhum deus existe. Assim, segundo a AAP, a AAP não tem razões para condenar a peregrinação contra o ateísmo levada a cabo pelos católicos.
Também não é certo que Policarpo tenha considerado o ateísmo uma tragédia maior do que as referidas. É mais plausível que tenha considerado o ateísmo a maior tragédia da humanidade porque o ateísmo, por exemplo, não tem padrão moral absoluto que permita classificar as tragédias referidas por Carlos Esperança como coisas más. Para um religioso, que tem por princípio noções como ser dever moral do homem combater e minorar o mal; é honesto e coerente classificar a crença no ateísmo, que invalida classificar coisa alguma como objectivamente boa ou má; como a maior tragédia humana.
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