Reacção do Portal Ateu àquilo que diz ser vaga recente de críticas e descontentamento na blogosfera com textos lá publicados: "Necessidade da filosofia...de ponta"
"Uma coisa que nunca cessa de me divertir é a acusação de eu não ser “mais versado em filosofia”, ou de não ter as minhas argumentações mais “baseadas no conhecimento da metafísica e da teologia”.
Silvestre não disse quem o acusou disso, em que contexto e com quais argumentos. É pena, assim não dá para perceber onde está a diversão.
De qualquer forma, até já ficou demonstrado neste blogue que Ricardo Silvestre é filosoficamente analfabeto, pois foi capaz de considerar os delírios de Daniel Dennett sobre cientismo e sobrenatural, uma coisa "nice!"
Um tipo que se diz crítico, racional, lógico e céptico deveria basear mesmo as suas argumentações sobre ateísmo em metafísica; afinal, o ateísmo não é conclusão científica, pretende ser conclusão filosófica. E a filosofia funda-se e aborda conhecimento metafísico. Sobre a teologia, a mesma coisa, se o Portal Ateu passa o tempo todo a falar de religião exigia-se que os seus editores soubessem teologia. Para criticar algo, tem de se saber sobre o algo.
"A primeira vez com que me defrontei com esta situação, mas consegui suprimir um sorriso de satisfação, admito, quase perversa. Estávamos nós na Universidade Católica para o debate “Cristianismo e Ateísmo em Portugal, que diálogo”, onde contamos com a presença da “oposição” do Prof. Alfredo Dinis, do Prof. Peter Stilwell, e do Dr. Artur Mourão."
Silvestre não disse quem o acusou disso, em que contexto e com quais argumentos. É pena, assim não dá para perceber onde está a diversão.
De qualquer forma, até já ficou demonstrado neste blogue que Ricardo Silvestre é filosoficamente analfabeto, pois foi capaz de considerar os delírios de Daniel Dennett sobre cientismo e sobrenatural, uma coisa "nice!"
Um tipo que se diz crítico, racional, lógico e céptico deveria basear mesmo as suas argumentações sobre ateísmo em metafísica; afinal, o ateísmo não é conclusão científica, pretende ser conclusão filosófica. E a filosofia funda-se e aborda conhecimento metafísico. Sobre a teologia, a mesma coisa, se o Portal Ateu passa o tempo todo a falar de religião exigia-se que os seus editores soubessem teologia. Para criticar algo, tem de se saber sobre o algo.
"A primeira vez com que me defrontei com esta situação, mas consegui suprimir um sorriso de satisfação, admito, quase perversa. Estávamos nós na Universidade Católica para o debate “Cristianismo e Ateísmo em Portugal, que diálogo”, onde contamos com a presença da “oposição” do Prof. Alfredo Dinis, do Prof. Peter Stilwell, e do Dr. Artur Mourão."
Ui...este tipo participa em debates filosóficos em Universidades? Quem está com um sorriso de perversão nos beiços sou eu, adoraria assistir a um debate desses ao vivo. E já se perceberá melhor porquê, no decorrer desta análise.
"Após a minha comunicação “A dimensão técnica do ateísmo” (que se diga de passagem foi alvo de uma critica positiva por parte do Prof. Dinis que dizia que “Portal Ateu faz um serviço ao Cristianismo” porque exige aos crentes um permanente renovação do seu pensamento e da sua argumentação), um nervoso Dr. Mourão colocou uma questão na parte das perguntas e respostas que começou por “o Ricardo pode estar muito bem na parte argumentação científica e técnica, mas falta-lhe um maior conhecimento da parte filosófica”."
Eu não dizia?
O debate era sobre ateísmo e cristianismo, Ateísmo e cristianismo ou debatem-se filosoficamente ( argumentando contra e a favor a apologética cristã) ou, no máximo, logicamente(argumentando razões plausíveis para a origem da crença cristã). Pois bem, se o tipo vai para um debate com aqueles três senhores, com a "dimensão técnica" e "argumentação científica" do ateísmo, vai dar barraca! Como pelos vistos deu. Quando é que a ciência validou o ateísmo? Qual é a "técnica" que permitira tal parvoíce?
Provavelmente os nervos do Dr. Mourão seriam de dificuldade em conter o riso. Ouvir alguém defender o ateísmo ( uma resposta possível a um problema filosófico) na sua "dimensão técnica", só pode levar à conclusão de que falta muito conhecimento filosófico a quem assim aja. Eu diria, falta conhecimento filosófico básico: se me convidam para um debate sobre um tema, a primeira coisa a fazer na preparação do debate, é saber seleccionar o método adequado à discussão. Chegar ao dia do debate com um método desadequado, mostra que a pessoa, numa questão de respeito intelectual mínimo pelos participantes e ouvintes, nem merecia ser ter sido convidada, pois simplesmente não sabe a natureza do tema do debate!
Ouviu isto do Dr. Mourão, e ainda se gaba de ter sorrido com arrogância. Ouviu do Professor Dinis, professor de filosofia e cristão, a crítica de que o Portal Ateu faz um serviço ao cristianismo, e pensa que isso é uma coisa "positiva", elogiosa para o Portal Ateu, quando os objectivos do portal supostamente passariam por fazer um serviço ao ateísmo, incompatível com o cristianismo. Completamente à nora...
"Na verdade o Dr. Mourão, com todo o respeito que tenho por ele, estava a aborrecido por ter de descer do seu “alto pedestal” da “verdade religiosa” baseada em pensamento filosófico/metafísico/teológico, para ter de argumentar com um ateísta numa arena onde claramente não tem capacidade de ganhar o debate. "
Isto tem sido só palha e cantar de galo. Vai para um debate passar vergonhas e depois vem para a internet fazer leituras da mente de quem lá esteve e discordou de si. Não apresenta as razões e argumentos invocados pelas partes, logo, estes festejos de vitória valem zero.
Não posso saber que "claramente" Dr. Mourão não tem capacidade de ganhar debates ao Silvestre, se não há nenhum raciocínio do Dr. Mourão "claramente" apresentado. Pura bazófia.
Posso concluir é que Silvestre pensa que debates de temas filosóficos, metafísicos e teológicos ( como é o debate ateísmo versus cristianismo), não são para ser discutidos no pedestal do pensamento filosófico, metafisico e teológico. Com a breca!
"Este artifício de recorrer ao “conhecimento filosófico” não é mais do que clorofórmio em papel."
Ui, ui... o crítico, racional e céptico, com que então despreza o recurso ao conhecimento filosófico. Isso vai mal senhor Silvestre, muito mal. Ou este camarada levou com alguma bigorna na tola antes de escrever tal coisa ou então, nem sei que diga...
Vamos admitir, sem nos desmancharmos de riso, que recorrer ao conhecimento filosófico é mesmo um truque de banqueamento de alguma coisa. E deixo a questão no ar: Silvestre irá tentar recorrer a que tipo de conhecimento, para mostrar que isso é verdade?
"É o mecanismo que os crentes têm para manter a discussão num esoterismo paralisante, onde tudo pode ser visto sobre um prisma da “argumentação do possível” e da “essência da humanidade”, onde podemos estar sempre no éter, sem ter de descer à terra para nos confrontarmos com os factos incómodos.
Como tal, o pragmatismo, a ciência, a técnica são vistos como “qualidade menor”, muito aquém da pureza e da perfeição do pensamento abstracto, que não tem qualquer base de sustentação, a não ser as construções mentais que não tem de ser suportadas em questões materiais ou naturais"
Ok. A acusação silvestriana está feita:
-Recorrer ao conhecimento filosófico é um mecanismo da crença religiosa para evitar questionamento de coisas incómodas para a religião.
-Recorrer ao conhecimento filosófico é achar a ciência e a técnica de qualidade inferior, e o pensamento abstracto perfeito e puro.
-O pensamento abstracto não tem qualquer base de sustentação, é mera construção mental sem suporte material e natural.
Vamos agora ver a que tipo de conhecimento recorrerá Silvestre, para demonstrar a veracidade da sua linda teoria.
"Eu posso passar as próximas 4 horas a desenvolver uma nova filosofia sobre uma nova forma de vida no Sol."
Isso não é um problema filosófico. Logicamente pode haver vida no Sol. Por exemplo, o princípio da identidade não seria quebrado se houvesse um ser vivo, físico, contingente e que pudesse sobreviver às temperaturas do Sol. Portanto, se Silvestre quer perder tempo a descobrir sobre se há vida no Sol, ou organiza uma teoria científica sobre o assunto ( com os meios de se refutar a si própria), ou faz uma experiência empírica. Dirão que é dificil ir ao Sol mapear terreno, mas como o Silvestre pelos vistos já anda na Lua, parte significativa do caminho está percorrida. Se ele chegar vivo ao Sol, é só comunicar para Houston e fica provado que existe vida no Sol. Não se pode dizer que seja vida inteligente, claro.
O ponto é: "vida no Sol" não tem natureza de problema filosófico; "Ateísmo versus teísmo" tem.
Silvestre, para explicar que recorrer ao conhecimento filosófico é um truque, diz que poderia tentar resolver um problema que não é filosófico, com filosofia. Assim também eu sou capaz de explicar que recorrer a qualquer outro conhecimento é um truque. É fácil:
-Não percebo nada de física quântica, mas fui a um debate sobre o assunto. Fiz uma exposição futebolística sobre a questão. Alguém presente disse-me que eu sou bom em futebol, mas deveria aprofundar os meus conhecimentos em física quântica. Não pude deixar de sorrir. Aí estava esse físico com medo que o debate sobre física quântica fosse levado para uma arena na qual ele não teria quaisquer hipóteses comigo. Esta mania de recorrer ao conhecimento de física quântica, é papel em clorofórmio. Eu também poderia usar um livro de física quântica como receita de bacalhau com natas.
"Posso desenvolver os meus raciocínios com base em cosmologia, em biologia, em probabilidades, posso depois avançar para uma construção mental de como vida no Sol pode ser benéfica para mim e para a humanidade, como se enquadra em desenhos deterministas e utilitários (ou não – a filosofia permite tudo) do Universo, ou como abre uma nova área de discussão sobre a “relação do Homem com o que o rodeia, mesmo aquilo que não se vê e que não se prova cientificamente. Resultado, 4 horas bem passadas, mas sem resultados práticos."
Esses raciocínios, supostamente baseados nisso tudo, não seriam filosóficos. Se eles são sobre uma existência habitando o Sol, isso já remeteria a discussão para descrição científica da fauna solar. E se Silvestre fizesse esses raciocínios, eles só poderiam estar certos ou errados, e nunca as duas coisas ao mesmo tempo. Chamo a atenção para o facto do contra-exemplo falacioso que Silvestre quer usar, ser de natureza lógica ( e por isso o podemos demonstrar como ilógico), o que vai contra a sua noção de que o conhecimento deve ter bases materiais. Ele está a fazer afirmações que pretende serem verdadeiras, mas essas afirmações não são baseadas em nada material ou concreto, antes são (péssimos) raciocínios abstractos.
Podemos mostrar estas contradições de Silvestre, porque os axiomas lógicos são do nosso conhecimento. Estes são metafísicos e são a base da própria filosofia. O que significa que a filosofia não permite tudo, pois tem de respeitar as regras universais do pensamento. Se a filosofia permitisse tudo, não teríamos ciência, que depende de filosofia do conhecimento com regras.
Dizer que recorrer ao conhecimento filosófico é "clorofórmio em papel" e que a filosofia "permite tudo", só atesta a BURRICE de Ricardo Silvestre. Nem uma criança diz essas coisas, pois uma criança, igual a Silvestre em termos de conhecimento filosófico, normalmente é honesta: quando não sabe algo, diz que não sabe e pede para lhe explicarem. Ricardo Silvestre obviamente não sabe do que está a falar, mas finge que sabe e canta vitória.
"Consigo provar, neste momento, que não há vida no Sol? Não."
Isso não tem pertinência alguma.
"Todos os indícios, científicos, técnicos, observacionais, empíricos, não mostram que não há vida no Sol? Sim."
Então, ele não sabe se há ou não vida no Sol. E nós com isso?
"Vale a pena estar a condicionar todo o debate que possamos ter sobre vida no Sol com a necessidade da argumentação ter de ser necessariamente “filosófica”?"
Não. Porque vida no Sol seria um problema científico. Só Silvestre é que achou poder filosofar sobre o assunto.
"Não conseguiríamos avançar nem a velocidade de caracol se tivéssemos sempre os filósofos a pautar o ritmo do conhecimento."
Mais uma, a juntar ao desprezo pelo recurso ao conhecimento filosófico e à afirmação de que a "filosofia permite tudo". Agora revela nem saber o que é epistemologia, a função dos filósofos do conhecimento e que o próprio método científico só pode ser validado filosoficamente. Ou seja, se podemos avançar no conhecimento científico, é porque temos mesmo filósofos a pautar as regras para obter e validar conhecimento.
"Há momentos onde temos de chamar a um átomo um átomo, e avançar com a coisa."
Não diz quais são esses momentos, nem o sentido desse avanço.
"Esta minha reflexão vem no sentido de uma vaga recente de críticas e descontentamento na blogosfera e aqui no Portal Ateu com alguns dos posts colocados por mim e pelos meus colegas colaboradores."
Esqueceu-se de referir críticas e descontentamentos concretos. É impossível saber àquilo que, objectivamente, se refere.
"Ao mesmo tempo que somos acusados de não termos “argumentação filosófica”, depois somos também atacados por sermos adeptos do “cientismo”. Ou seja, não podemos argumentar porque não sabemos das coisas de um lado, e estamos errados quando falamos das coisas do outro."
Que vergonha, também não sabe o que é cientismo. Que monumental falso dilema!
"Não ter argumentação filosófica" e "ser adepto do cientismo", não se excluem mutuamente. Complementam-se harmoniosa e perfeitamente.
Cientismo pretende ser uma definição filosófica de conhecimento ( não é baseada em evidências materiais): tem como verdadeiro que só pode ser conhecimento o que é validado cientificamente. Como essa definição de conhecimento não tem validade científica; ser adepto do cientismo é não ter argumentação filosófica, porque cientismo refuta-se a si mesmo e já nem merece ir a jogo em debates filosóficos sobre conhecimento.
"A mim diverte-me. Porque vejo nestas frases o mesmo nervosismo, o mesmo espanto e incredulidade que vi no rosto do Dr. Mourão: a surpresa de ter um ateísmo que se sabe defender, que sabe ser rude, que consegue ser irónico, que desafia abertamente o status quo da infalibilidade religiosa, habituada durante décadas a ser “the only game in town”."
Eu também me divirto muito com a diversão do senhor Silvestre.
Aquilo que ele vê em frases que não cita quais são, por exemplo, é de uma subjectividade tal que não permite apurar se essas frases revelam mesmo nervosismo, espanto e incredulidade com o ateísmo defensivo, irónico, rude e desafiador do senhor Silvestre; ou se, pelo contrário, o facto de cantar de galo e auto-elogiar o seu ateísmo a propósito dessas frases que não diz quais são, indicia antes que Ricardo Silvestre está nervoso, incrédulo e espantado por não saber defender o seu ateísmo dessas frases, quem sabe por vezes rudes, irónicas ou que desafiem abertamente o status quo da infalibilidade silvestriana, pouca habituada a ser escrutinada publicamente para apurar se ela é realmente crítica, objectiva, racional, lógica, científica e interessada no bem-comum; como diz ser.
"Continuem a mostrar o vosso desespero de causa. Só nos deixa ainda mais motivados"
Ainda bem que Silvestre está motivado. Assim sendo, aproveito a oportunidade para lhe fazer um desafio: este blogue tem feito críticas a textos de Ricardo Silvestre. Continuará a fazê-lo.
Aqui tem o próprio uma boa oportunidade CONCRETA para mostrar que o seu ateísmo é isso tudo que referiu, que está mesmo motivado e consegue desafiar abertamente as críticas objectivas que lhe faço. Se quiser comentar aqui alguma coisa, é bem-vindo. Se quiser colocar textos no seu blogue pessoal ou no Portal Ateu debatendo à distância comigo, também acho perfeito.
Se recusar este convite específico, fica à vista de todos a razão.
"Após a minha comunicação “A dimensão técnica do ateísmo” (que se diga de passagem foi alvo de uma critica positiva por parte do Prof. Dinis que dizia que “Portal Ateu faz um serviço ao Cristianismo” porque exige aos crentes um permanente renovação do seu pensamento e da sua argumentação), um nervoso Dr. Mourão colocou uma questão na parte das perguntas e respostas que começou por “o Ricardo pode estar muito bem na parte argumentação científica e técnica, mas falta-lhe um maior conhecimento da parte filosófica”."
Eu não dizia?
O debate era sobre ateísmo e cristianismo, Ateísmo e cristianismo ou debatem-se filosoficamente ( argumentando contra e a favor a apologética cristã) ou, no máximo, logicamente(argumentando razões plausíveis para a origem da crença cristã). Pois bem, se o tipo vai para um debate com aqueles três senhores, com a "dimensão técnica" e "argumentação científica" do ateísmo, vai dar barraca! Como pelos vistos deu. Quando é que a ciência validou o ateísmo? Qual é a "técnica" que permitira tal parvoíce?
Provavelmente os nervos do Dr. Mourão seriam de dificuldade em conter o riso. Ouvir alguém defender o ateísmo ( uma resposta possível a um problema filosófico) na sua "dimensão técnica", só pode levar à conclusão de que falta muito conhecimento filosófico a quem assim aja. Eu diria, falta conhecimento filosófico básico: se me convidam para um debate sobre um tema, a primeira coisa a fazer na preparação do debate, é saber seleccionar o método adequado à discussão. Chegar ao dia do debate com um método desadequado, mostra que a pessoa, numa questão de respeito intelectual mínimo pelos participantes e ouvintes, nem merecia ser ter sido convidada, pois simplesmente não sabe a natureza do tema do debate!
Ouviu isto do Dr. Mourão, e ainda se gaba de ter sorrido com arrogância. Ouviu do Professor Dinis, professor de filosofia e cristão, a crítica de que o Portal Ateu faz um serviço ao cristianismo, e pensa que isso é uma coisa "positiva", elogiosa para o Portal Ateu, quando os objectivos do portal supostamente passariam por fazer um serviço ao ateísmo, incompatível com o cristianismo. Completamente à nora...
"Na verdade o Dr. Mourão, com todo o respeito que tenho por ele, estava a aborrecido por ter de descer do seu “alto pedestal” da “verdade religiosa” baseada em pensamento filosófico/metafísico/teológico, para ter de argumentar com um ateísta numa arena onde claramente não tem capacidade de ganhar o debate. "
Isto tem sido só palha e cantar de galo. Vai para um debate passar vergonhas e depois vem para a internet fazer leituras da mente de quem lá esteve e discordou de si. Não apresenta as razões e argumentos invocados pelas partes, logo, estes festejos de vitória valem zero.
Não posso saber que "claramente" Dr. Mourão não tem capacidade de ganhar debates ao Silvestre, se não há nenhum raciocínio do Dr. Mourão "claramente" apresentado. Pura bazófia.
Posso concluir é que Silvestre pensa que debates de temas filosóficos, metafísicos e teológicos ( como é o debate ateísmo versus cristianismo), não são para ser discutidos no pedestal do pensamento filosófico, metafisico e teológico. Com a breca!
"Este artifício de recorrer ao “conhecimento filosófico” não é mais do que clorofórmio em papel."
Ui, ui... o crítico, racional e céptico, com que então despreza o recurso ao conhecimento filosófico. Isso vai mal senhor Silvestre, muito mal. Ou este camarada levou com alguma bigorna na tola antes de escrever tal coisa ou então, nem sei que diga...
Vamos admitir, sem nos desmancharmos de riso, que recorrer ao conhecimento filosófico é mesmo um truque de banqueamento de alguma coisa. E deixo a questão no ar: Silvestre irá tentar recorrer a que tipo de conhecimento, para mostrar que isso é verdade?
"É o mecanismo que os crentes têm para manter a discussão num esoterismo paralisante, onde tudo pode ser visto sobre um prisma da “argumentação do possível” e da “essência da humanidade”, onde podemos estar sempre no éter, sem ter de descer à terra para nos confrontarmos com os factos incómodos.
Como tal, o pragmatismo, a ciência, a técnica são vistos como “qualidade menor”, muito aquém da pureza e da perfeição do pensamento abstracto, que não tem qualquer base de sustentação, a não ser as construções mentais que não tem de ser suportadas em questões materiais ou naturais"
Ok. A acusação silvestriana está feita:
-Recorrer ao conhecimento filosófico é um mecanismo da crença religiosa para evitar questionamento de coisas incómodas para a religião.
-Recorrer ao conhecimento filosófico é achar a ciência e a técnica de qualidade inferior, e o pensamento abstracto perfeito e puro.
-O pensamento abstracto não tem qualquer base de sustentação, é mera construção mental sem suporte material e natural.
Vamos agora ver a que tipo de conhecimento recorrerá Silvestre, para demonstrar a veracidade da sua linda teoria.
"Eu posso passar as próximas 4 horas a desenvolver uma nova filosofia sobre uma nova forma de vida no Sol."
Isso não é um problema filosófico. Logicamente pode haver vida no Sol. Por exemplo, o princípio da identidade não seria quebrado se houvesse um ser vivo, físico, contingente e que pudesse sobreviver às temperaturas do Sol. Portanto, se Silvestre quer perder tempo a descobrir sobre se há vida no Sol, ou organiza uma teoria científica sobre o assunto ( com os meios de se refutar a si própria), ou faz uma experiência empírica. Dirão que é dificil ir ao Sol mapear terreno, mas como o Silvestre pelos vistos já anda na Lua, parte significativa do caminho está percorrida. Se ele chegar vivo ao Sol, é só comunicar para Houston e fica provado que existe vida no Sol. Não se pode dizer que seja vida inteligente, claro.
O ponto é: "vida no Sol" não tem natureza de problema filosófico; "Ateísmo versus teísmo" tem.
Silvestre, para explicar que recorrer ao conhecimento filosófico é um truque, diz que poderia tentar resolver um problema que não é filosófico, com filosofia. Assim também eu sou capaz de explicar que recorrer a qualquer outro conhecimento é um truque. É fácil:
-Não percebo nada de física quântica, mas fui a um debate sobre o assunto. Fiz uma exposição futebolística sobre a questão. Alguém presente disse-me que eu sou bom em futebol, mas deveria aprofundar os meus conhecimentos em física quântica. Não pude deixar de sorrir. Aí estava esse físico com medo que o debate sobre física quântica fosse levado para uma arena na qual ele não teria quaisquer hipóteses comigo. Esta mania de recorrer ao conhecimento de física quântica, é papel em clorofórmio. Eu também poderia usar um livro de física quântica como receita de bacalhau com natas.
"Posso desenvolver os meus raciocínios com base em cosmologia, em biologia, em probabilidades, posso depois avançar para uma construção mental de como vida no Sol pode ser benéfica para mim e para a humanidade, como se enquadra em desenhos deterministas e utilitários (ou não – a filosofia permite tudo) do Universo, ou como abre uma nova área de discussão sobre a “relação do Homem com o que o rodeia, mesmo aquilo que não se vê e que não se prova cientificamente. Resultado, 4 horas bem passadas, mas sem resultados práticos."
Esses raciocínios, supostamente baseados nisso tudo, não seriam filosóficos. Se eles são sobre uma existência habitando o Sol, isso já remeteria a discussão para descrição científica da fauna solar. E se Silvestre fizesse esses raciocínios, eles só poderiam estar certos ou errados, e nunca as duas coisas ao mesmo tempo. Chamo a atenção para o facto do contra-exemplo falacioso que Silvestre quer usar, ser de natureza lógica ( e por isso o podemos demonstrar como ilógico), o que vai contra a sua noção de que o conhecimento deve ter bases materiais. Ele está a fazer afirmações que pretende serem verdadeiras, mas essas afirmações não são baseadas em nada material ou concreto, antes são (péssimos) raciocínios abstractos.
Podemos mostrar estas contradições de Silvestre, porque os axiomas lógicos são do nosso conhecimento. Estes são metafísicos e são a base da própria filosofia. O que significa que a filosofia não permite tudo, pois tem de respeitar as regras universais do pensamento. Se a filosofia permitisse tudo, não teríamos ciência, que depende de filosofia do conhecimento com regras.
Dizer que recorrer ao conhecimento filosófico é "clorofórmio em papel" e que a filosofia "permite tudo", só atesta a BURRICE de Ricardo Silvestre. Nem uma criança diz essas coisas, pois uma criança, igual a Silvestre em termos de conhecimento filosófico, normalmente é honesta: quando não sabe algo, diz que não sabe e pede para lhe explicarem. Ricardo Silvestre obviamente não sabe do que está a falar, mas finge que sabe e canta vitória.
"Consigo provar, neste momento, que não há vida no Sol? Não."
Isso não tem pertinência alguma.
"Todos os indícios, científicos, técnicos, observacionais, empíricos, não mostram que não há vida no Sol? Sim."
Então, ele não sabe se há ou não vida no Sol. E nós com isso?
"Vale a pena estar a condicionar todo o debate que possamos ter sobre vida no Sol com a necessidade da argumentação ter de ser necessariamente “filosófica”?"
Não. Porque vida no Sol seria um problema científico. Só Silvestre é que achou poder filosofar sobre o assunto.
"Não conseguiríamos avançar nem a velocidade de caracol se tivéssemos sempre os filósofos a pautar o ritmo do conhecimento."
Mais uma, a juntar ao desprezo pelo recurso ao conhecimento filosófico e à afirmação de que a "filosofia permite tudo". Agora revela nem saber o que é epistemologia, a função dos filósofos do conhecimento e que o próprio método científico só pode ser validado filosoficamente. Ou seja, se podemos avançar no conhecimento científico, é porque temos mesmo filósofos a pautar as regras para obter e validar conhecimento.
"Há momentos onde temos de chamar a um átomo um átomo, e avançar com a coisa."
Não diz quais são esses momentos, nem o sentido desse avanço.
"Esta minha reflexão vem no sentido de uma vaga recente de críticas e descontentamento na blogosfera e aqui no Portal Ateu com alguns dos posts colocados por mim e pelos meus colegas colaboradores."
Esqueceu-se de referir críticas e descontentamentos concretos. É impossível saber àquilo que, objectivamente, se refere.
"Ao mesmo tempo que somos acusados de não termos “argumentação filosófica”, depois somos também atacados por sermos adeptos do “cientismo”. Ou seja, não podemos argumentar porque não sabemos das coisas de um lado, e estamos errados quando falamos das coisas do outro."
Que vergonha, também não sabe o que é cientismo. Que monumental falso dilema!
"Não ter argumentação filosófica" e "ser adepto do cientismo", não se excluem mutuamente. Complementam-se harmoniosa e perfeitamente.
Cientismo pretende ser uma definição filosófica de conhecimento ( não é baseada em evidências materiais): tem como verdadeiro que só pode ser conhecimento o que é validado cientificamente. Como essa definição de conhecimento não tem validade científica; ser adepto do cientismo é não ter argumentação filosófica, porque cientismo refuta-se a si mesmo e já nem merece ir a jogo em debates filosóficos sobre conhecimento.
"A mim diverte-me. Porque vejo nestas frases o mesmo nervosismo, o mesmo espanto e incredulidade que vi no rosto do Dr. Mourão: a surpresa de ter um ateísmo que se sabe defender, que sabe ser rude, que consegue ser irónico, que desafia abertamente o status quo da infalibilidade religiosa, habituada durante décadas a ser “the only game in town”."
Eu também me divirto muito com a diversão do senhor Silvestre.
Aquilo que ele vê em frases que não cita quais são, por exemplo, é de uma subjectividade tal que não permite apurar se essas frases revelam mesmo nervosismo, espanto e incredulidade com o ateísmo defensivo, irónico, rude e desafiador do senhor Silvestre; ou se, pelo contrário, o facto de cantar de galo e auto-elogiar o seu ateísmo a propósito dessas frases que não diz quais são, indicia antes que Ricardo Silvestre está nervoso, incrédulo e espantado por não saber defender o seu ateísmo dessas frases, quem sabe por vezes rudes, irónicas ou que desafiem abertamente o status quo da infalibilidade silvestriana, pouca habituada a ser escrutinada publicamente para apurar se ela é realmente crítica, objectiva, racional, lógica, científica e interessada no bem-comum; como diz ser.
"Continuem a mostrar o vosso desespero de causa. Só nos deixa ainda mais motivados"
Ainda bem que Silvestre está motivado. Assim sendo, aproveito a oportunidade para lhe fazer um desafio: este blogue tem feito críticas a textos de Ricardo Silvestre. Continuará a fazê-lo.
Aqui tem o próprio uma boa oportunidade CONCRETA para mostrar que o seu ateísmo é isso tudo que referiu, que está mesmo motivado e consegue desafiar abertamente as críticas objectivas que lhe faço. Se quiser comentar aqui alguma coisa, é bem-vindo. Se quiser colocar textos no seu blogue pessoal ou no Portal Ateu debatendo à distância comigo, também acho perfeito.
Se recusar este convite específico, fica à vista de todos a razão.
A submissão do "Portal Ateu" e do "Diário Ateísta" ao passe-vite crítico do Jairo Entrecosto tornam evidente a dificuldade dos seus autores em atingir os mínimos de uma discussão minimamente racional. Eu já tinha deixado de os ler. Estão relegados â categoria de lixo. O "Que Treta", ainda assim, mantém uma muito ligeira diferença em relação àqueles, sobretudo na qualidade literária.
ResponderEliminarJairo,
ResponderEliminarÉ raro ver uma contra-argumentação com esta qualidade. Eu sei que a tua linguagem, e os estilismos, podem irritar aqueles que tu criticas. Mas eles deveriam saber lidar com isso, afinal de contas, viver com a ironia e com os "jeux d'esprit", e responder às tuas críticas.
As tuas críticas são realmente certeiras, e era bom que o Ricardo Silvestre procurasse responder-te na "mouche", pois infelizmente, é demasiado fácil ele irrtar-se com a tua acidez, e descartar os teus argumentos.
Bom trabalho!
Abraço,
Bernardo