Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Portal Ateu e o Caso Murphy

Excertos da obra-prima de Ricardo Silvestre:

"Grupos de crianças tentam contar à policia local , e até mesmo ao Procurador-Geral de Milwaukeee que estão a ser abusados sexualmente, mas ninguém acredita neles, e até mesmo a policia leva-os de volta para o padre Murphy."

Ricardo Silvestre esqueceu-e de referir o pormenor essencial de QUANDO começou a história. Estamos a falar de um padre que foi ordenado sacerdote e passou a exercer funções num colégio de crianças em 1950, até 1974. Durante 24 anos, ele terá agredido mais de 200 crianças, sem as autoridades locais terem feito algo para resolver o problema.

"Depois de anos de alegações e de queixas de abuso, assim como ameaças de queixas aos tribunais, bispos locais finalmente deslocam o padre Murphy em 1974 para um parte remota do norte de Wisconsin onde continuam surgir mais queixas."

Não se trataram de "ameaças de queixas aos tribunais". Como Silvestre escreveu acima, foram apresentadas queixas às autoridades responsáveis por levar os casos de crime público aos tribunais; as do ministério público.
Ao fim de 24 anos de negligência, as autoridades religiosas locais decidem-se pela saída de Murphy daquele colégio.
Se voltaram a haver queixas de abusos para onde ele foi enviado, são novamente as autoridades locais, religiosas e policias, as responsáveis por nada ter sido feito.

"Em Junho 17 de 1996, o arcebispo de Milwaukee, o reverendo Weakland escreve ao cardeal Ratzinger, director da Congregação para a Doutrina da Fé a descrever os abusos do padre Murphy onde chega a descrever o “uso do confessionário para solicitar acções pecaminosas”. O reverendo pede ao cardeal Ratzinger como proceder."

Ou seja, durante 46 anos foi materialmente impossível a Joseph Ratzinger ter sido responsável por qualquer encobrimento do pedófilo, já que, entre 1950 e 1996, Ratzinger não entra nesta história.
Resta a hipótese de Ratzinger ter sido responsável por qualquer encobrimento, depois dessa data. Vamos fazer uma análise objectiva:

-Em 1996, NÃO é pedido ao Cardeal Ratzinger conselho sobre se se deveria ou não denunciar os vários abusos cometidos ao longo de 46 anos por Murphy, às autoridades. Isso seria demasiado estúpido, por várias razões:

a) Os abusos já tinham sido denunciados ao longo desses 46 anos às autoridades, e as queixas foram arquivadas. Pedir a um cardeal em Roma autorização para denunciar o que já tinha sido?!

b)Mesmo que Ratzinger fosse um líder criminoso, não faria qualquer sentido enviar por escrito ordens aos subordinados para se proteger pedófilos.

c)Mesmo que Ratzinger fosse um líder criminoso, não faria qualquer sentido os seus subordinados criminosos lhe perguntarem por escrito, se deveriam ou não denunciar um deles às autoridades.

- Em 1996:

"a arquidiocese americana não apresentou o caso por denúncias de abusos sexuais do sacerdote – uma questão que, para a justiça americana, havia sido arquivada anos atrás –, e sim pela violação do sacramento da penitência, perpetrada através de solicitações sexuais no confessionário, delito castigado pelo cânon 1387 do Código de Direito Canônico."

"a questão canônica apresentada à Congregação não estava relacionada de forma alguma com um possível procedimento civil ou pena contra o Pe. Murphy, contra quem a arquidiocese já havia empreendido um procedimento canônico, como evidencia a abundante documentação publicada na internet pelo jornal de Nova York"


Resumidamente, Murphy está à beira da morte e, perante a sua confissão e arrependimento pelos factos que correspondiam à violação denunciada ao Vaticano, a diocese norte-americana é aconselhada a aplicar o direito canónico para aquela situação, em todas as suas medidas pastorais previstas.

A conclusão do crítico, lógico e racional Ricardo Silvestre é insinuar que o actual Papa impediu Murphy de ir a tribunal por crimes de abuso de menores, e que o Vaticano protegeu um criminoso para salvaguardar o nome da Igreja:

"É por esta listagem de factos que Terry Kohut, um desses homens que foram abusados como crianças irá avançar com um processo de tribunal contra Bento XVI.
Quando se protege criminosos em prol do nome de uma igreja, e quando não se faz justiça quando se tem a oportunidade para isso, há um local para se responder por essas acções, e não é nos “céus”, mas sim na barra de um tribunal."


A sério, o mesmo Ricardo Silvestre que iniciou o seu texto escrevendo:

"Grupos de crianças tentam contar à policia local , e até mesmo ao Procurador-Geral de Milwaukeee que estão a ser abusados sexualmente, mas ninguém acredita neles, e até mesmo a policia leva-os de volta para o padre Murphy."

é o mesmo Ricardo Silvestre que pensa ter sido um cardeal em Roma, em 1996, a determinar a linha de investigação a acusação das autoridades civis de Milwaukee, entre 1950 e 1974.


"1974 será antes ou depois de 1996?"

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