O Mats colocou um video no youtube, sobre declarações de Ludwig Krippahl relativas à prostituição, em Agosto, no blogue Ktreta:
Aproveito para transcrever o que comentei na altura, já que esse texto do Krippahl baseou-se em afirmações minhas ( deturpadas). Além disso, trata-se de um bom exemplo de como o neo-ateu pensa as questões morais. Qualquer assunto serve, numa "lógica do contra", de alerta para o suposto perigo da religião e elogio ao ateu como o tolerante e livre-pensador.
Originalmente publicado no blogue "Paio Com Ervilhas", a 19 de Agosto de 2010.
Depois de considerar a pedofilia um ideal pelo qual os pedófilos têm o direito de lutar, Ludwig Krippahl promove agora a ideia de que a prostituição é uma profissão como outra qualquer, mais uma em que se correm riscos, como a enfermagem ou construção civil. Vejamos o primeiro parágrafo:
"No post anterior referi, de passagem, que é injusta a má reputação da prostituição. O Jairo Entrecosto discordou, escreveu que isto era um «bom exemplo da moral e postura neoateísta» e que «a prostituição é uma corrupção moral do indivíduo e da sociedade, levando ambos à decadência e ruína». Realmente, há aqui uma corrupção da moral. Mas é outra."
Dada esta introdução, concluo que a intenção do texto é mostrar a minha opinião sobre a prostituição como deturpação do conceito "moral". A primeira falta à verdade é colar-se a expressão "bom exemplo da moral e postura neoateísta", como se tivesse sido dirigida especificamente à opinião kripphaliana sobre prostituição. Não foi.
Referia-me ao post em geral, sobre o caso Queirós, e nesse contexto ao problema que os revolucionários têm com conceitos como autoridade, regras, verdade e honestidade. Fiz também uma crítica ao facto do Ludwig falar e menosprezar o futebol, da mesma forma que o faz com a religião: à base de ignorância e palpites. Citei até um excerto de uma aula de "pensamendo crítico" do professor Krippahl em que é ele quem mete religião e futebol no mesmo saco, como assuntos que podem ser discutidos "criticamente" nas suas aulas. Como já tinha analisado o que é esse "pensamento crítico", quis apenas recordar que a ideia de que se pode discutir o que se ignora, é simplesmente estúpida.
A segunda falta à verdade, por omisão que só posso concluir premeditada, é o Ludwig não ter referido que eu, no tema da prostituição, comecei por concordar que há realmente actividades mais indignas e injustamente mais valorizadas que essa. A de professor de "pensamento crítico" por exemplo.
Numa questão meramente prática, a prostituta presta o serviço pelo qual pediu dinheiro, já o professor Krippahl, nunca poderá ajudar alguém a pensar criticamente, apesar de receber dinheiro para dar aulas onde é vendida a falsa ideia de que irá. Cito até o que realmente escrevi, para que não restem dúvidas:
"Ao nível prático, quer a prostituta quer o treinador de futebol, por princípio, servem conforme o combinado e pago. Nesse sentido, ambas as profissões são respeitáveis. Não é injusto que, ainda assim, a prostituição seja considerada menos respeitável do que o cargo de treinador desportivo, pois a prostituição é uma corrupção moral do indivíduo e da sociedade, levando ambos à decadência e ruína, enquanto que o desporto é uma actividade que os beneficia. Portanto, se quisermos considerar a prostituição injustamente desvalorizada em relação a outras profissões, temos de ir pela questão prática e concluir que professores de "pensamento crítico" que se dizem "cientifícos e racionais" é que têm menos dignidade do que a mais humilde prostituta de estrada. Afinal, esta presta o serviço pelo qual é paga, enquanto que o professor neoateísta, que é pago para ensinar ciência, aproveita a oportunidade para doutrinar alunos com cientismo, antirreligiosidade e outras mentiras. Nessa comparação, a prostituta corrompe-se mas não mente; o mesmo não se pode dizer do neoateísta disfarçado de professor. Os treinadores de futebol que estejam descansados, pois quem os considerou profissionais tão respeitáveis que nem prostitutas, é ele próprio um profissional cuja dignidade se encontra abaixo das referidas."
Esclarecido isto, pouco mais há a comentar sobre o mais recente delírio do Ktreta. Eu afirmei que a prostitução é uma corrupção moral, logo, era a mim que a justificação da afirmação teria de ser cobrada, mas o homem passou-se completamente da cabeça e começa, a partir da minha afirmação, a atacar a religião por supostamente ser contra as mulheres e o prazer sexual, ou porque quer controlar a vida e a liberdade das pessoas. Que alguns bem intencionados comentadores religiosos tenham levado a discussão para defender a religião das acusações patetas do Ludwig, é respeitar e elevar a categoria de debate um texto que não merece tal distinção, de tão ilógico que é. O texto começa com declarações minhas e o Ludwgi começa por criticá-las. A partir do momento em que a crítica muda para "E para a as religiões isto é o pior.", entramos num non sequitur sem ponta por onde se pegue. Eu nem sequer falei em Deus para justificar a minha consideração de que a prostituição é imoral. De onde surge assim a choraminguice de que as religiões inventam "regras picuinhas, intrometidas e injustas", senão daquilo que deve ser mesmo um caso grave de senilidade precoce?
Eu sou alguma religião ou considerar algo imoral e prejudicial é o mesmo que impedir alguém de o fazer? Não terei eu o direito a expressar o que penso, sem ser acusado de falar pelas religiões ou pelo "grande Chefe no céu que assim manda"?
Que o gajo tenha a opinião de que "Inventar religiões é um passatempo para homens e a sexualidade feminina é o bicho papão", é lá com ele. Prove este lugar-comum como realidade se conseguir, que eu cá não vejo necessidade de defender nenhuma religião de crítica tão original, inteligente e informada...
E também não fiz, ao contrário do que o tipo diz, qualquer "correlação" entre a opinião do Ludwig sobre a prostituição e o seu "ateísmo". O que eu referi como bom exemplo de NEO-ATEÍSMO foi a sua argumentação pueril sobre um caso relacionado com futebol que acabou no Ministério Público. A sua argumentação, a sua lógica, o seu modo de pensar, não a opinião ou gosto que ele tenha quanto a mulheres prostituídas ou homens do futebol.
Posso concluir que este tipo só deve pensar em religião noite e dia e aproveita qualquer pretexto para mentir sobre o assunto. Alguém que acredita na existência de Deus espirra, e ele começa a escrever sobre o supersticioso e discriminatório acto de se dizer "santinho", inventado pelas religiões para oprimir e mais não sei o quê...
Quanto a considerar a prostituição uma "profissão" tão digna e necessária como qualquer outra, não invejo a sorte das crianças que possam ser educadas por quem tem ideias tão progressistas, pois pessoalmente não gostaria de ter um pai que visse na prostituição uma saída profissional tão aceitável e digna como operário fabril ou treino desportivo de alto rendimento. Seria até caso para perguntar de quantas prostitutas é este tipo amigo próximo, se as leva lá a casa e se aceitaria de bom grado que a sua mãe, irmãs, esposa ou filhos fossem a uma entrevista de "emprego" para a função em causa. Mas é melhor não entrar por aí, em vez de entender isto como perguntas retóricas para o confrontar com a sua (des)honestidade, o Ludwig ainda acabaria a escrever um texto acusando a religião de querer obrigá-lo a fazer não sei o quê...
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