Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Ludwig Krippahl em Paralaxe Cognitiva

O autor do Ktreta tentou responder a uma questão que levantei no texto Ónus da Prova. Esse problema que o neo-ateu tem entre mãos, dá-se por três posições contraditórias:

-Não acredito na existência de algo, sem provas.

-Não tenho de provar a inexistência de Deus: inexistências não se provam.

-O meu ateísmo é ausência de crença em Deus, pois não existem provas de Deus.

Resultado:

Não existem provas de Deus + Não se provam inexistências = Acredito que não existem provas de Deus, mas não posso provar isso.

Para quem diz que só acredita se tiver provas, é obra!

Confrontado com isto, Ludwig Krippahl deu sete piruetas, como se pode ver nos comentários de um artigo seu:

"Só acredito em proposições, pois não posso acreditar nas coisas em si"

Se o pensamento kripphalizado só acredita em proposições, e como estas são sempre relativas a coisas em si, significa que as proposições kripphalizadas só podem ser verdadeiras de uma única maneira: elas é que definem a realidade, e não a realidade que as define como verdadeiras ou falsas. No seu dia-a-dia, o Krippahl não acredita nas coisas em si como reais, mas no seu pensamento em si mesmo como criador de proposições. Ou de realidade. Que em kripphalês parece ser o mesmo.

"Acredito em proposições que passem as provas, os testes a que as submetemos, e não apenas as que sejam provadas como se faz na matemática, até porque isso exigiria acreditar em axiomas sem prova."

Cá está. Por outro lado, toda a cognição de crença krippahliana se resume a um extenso e interminável teste de axiomas. Tudo tem que ser testado, provado empiricamente. Levar muito a sério a matemática acaba por ser uma superstição, pois mais tarde ou mais cedo exigirá acreditar em axiomas indemonstráveis, que não podem ser testados ou provados.Por exemplo, A=A não pode ser testado, logo o Kripphal não acredita nisso. Quer dizer, ele se calhar até pode acreditar e não acreditar, ser e não ser simultaneamente, pois o princípio da identidade nunca foi testado em laboratório. Mas, atenção:

"Uma proposição passa na prova quando as evidências indicam ser mais plausível que as proposições alternativas, como a sua negação."

E como ele só acredita em proposições e não nas coisas em si, significa que as "evidências" são sempre proposições. A matemática não prova nada, mas o pensamento de Kripphal, fechado às coisa em si, é absoluto. Aquilo que ele determina, passa a ser. Duvidam?

"À partida, uma proposição da forma "X existe" é pouco plausível porque há infinitamente mais proposições que se possa conceber do que entidades que realmente existam."

Viram algum teste levando a esta conclusão? Não. Tudo tem que ser testado, com a excepção da garantia de que tudo tem de ser testado e restante metafísica krippahliana sobre conhecimento. A ausência de testes não o impede de até colocar em causa a sua própria existência. Podendo-se conceber, infinitamente, mais entidades "Ludwig Krippahl" do que aquelas que realmente existem, é pouco plausível que Ludwig Krippahl realmente exista. Informou-nos o próprio.

"Por isso, uma proposição da forma "X existe" tende a ser menos plausível, à falta de evidências para a existência de X, do que a sua negação."

Pois, mas não se podendo acreditar na coisa "indivíduo chamado Krippahl" em si, a sua presença física e manifestação escrita não servem de evidência. Só podemos acreditar em proposições, e não nas coisas em si.

"Assim, acredito que o Pai Natal não existe, nem Osiris, nem o Super-Homem, nem a fada Sininho, nem nenhum dos milhares de deuses que por aí se adora."

Compreendo. Está determinado que todas as concepções de Deus, são comparáveis ao Pai-Natal e Super-Homem. O método para chegar a tal conclusão é este:

-Só acreditar em proposições.
-Acreditar em proposições que passem as provas, os testes.
-Ter a noção de que uma proposição passa na prova, com evidências.
-Ter a noção da possibilidade de conceber mais entidades do que aquelas que realmente existem.

Os princípios orientadores da aplicação do método são:

-Não se pode acreditar nas coisas em si.

-Demonstração matemática (lógica) não é prova.

Portanto, se quiserem testar, provar e analisar evidências, não se fiem na lógica nem nas coisas em si. Peçam a resposta ao Professor Kripphal. Que me avisa:

"Como, ao contrário de ti( eu, o Jairo), não sinto necessidade de inventar regras ad hoc só para salvar um desses deuses, chego à mesma conclusão acerca do Jahvé que os judeus inventaram."

A proposição "Jairo é um inventor de regra ad hoc para acreditar em Jahvé", é absoluta e inquestionável. Não é preciso demonstrar quando terei feito isso, até porque implicaria invocar uma coisa em si, como fosse um texto meu. E nas coisas em si, não podemos acreditar.

Conclusão
O problema que eu coloquei ao Ludwig Krippahl pode ser resumido assim:

-Dizes que só acreditas no que pode ser provado. Então, em que te baseias para acreditar que as provas de Deus não existem, se também afirmas que a inexistência não pode ser provada?

A resposta que ele me deu, ficou à vista de todos: há muitas concepções de Deus e ele não acredita nas coisas em si. A inexistência continua impossível de ser provada, mas é certinho que não existem provas de Deus.

18 comentários:

  1. A lógica krippahlina é "genial"

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  2. O pior e verdadeiramente triste é que o palhaço é assistente/papagaio tagarela universitário, usando o tempo de professor para propagar ateísmo e afins disfarçados de aulas de pensamento crítico...

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  3. Caro Jairo,

    publiquei este texto aqui: teismo.net

    Abraços

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  4. Caro Jairo,

    publiquei uma página sobre os autores do site teismo.net

    e você está lá.

    DÊ uma olhada se acaso quiser fazer alguma mudança ou algo do tipo.

    http://teismo.net/?page_id=285

    Abraços

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Dias,

    "Estás à espera que se prove que não existem provas para a não existência de Deus?"

    A afirmação "não existem provas de Deus", tem de ser demonstrada. É uma alegação de conhecimento.

    Ou os ditos cépticos e racionais, esperam que tomemos como verdadeira e absoluta uma proposição tão taxativa, apenas por ser afirmada?

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  7. A única forma de se saber que não existem provas de Deus em lugar nenhum do universo, nem nunca existiu em lugar nenhum do tempo, é se se tiver conhecimento total de tudo o que há para conhecer.

    Ironicamente, o Único que pode dizer "não há provas de Deus" é Deus. :-D

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  8. Exacto. Por isso, a única razão para acreditar na garantia "não existem provas de Deus", é levar em conta de que aquele que a dá, é divino.

    Confesso, não tenho fé para isso.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Dias.

    "Até compreendo o argumento, isto de se afirmar que não existe deverá ser acompanhado de argumentos para a não existência."

    Sim. E há que fazer uma distinção: há ateus que assumem o ónus de apresentar argumentos para inexistência de Deus. O que distingue os neo-ateus, é que eles divinizam-se e acham que não têm de demonstrar nada.
    Basta dizerem: acreditar em Deus é irracional, porque não existem provas. E que não existem provas sobre Deus, logo acreditar Nele é irracional.

    "Mas na verdade o que o tipo disse foi não acredito."

    Qual tipo? O Krippahl??
    Não, esse faz parte da associação ateísta portuguesa, aquela que dá como garantida que a inexistência de Deus é certa. A um ponto, que se torna irracional acreditar Nele.

    "Se vos disserem que viram uma vaca com 50 cabeças acreditam ou não."

    Depende das provas e argumentos apresentados.

    "E neste caso, o que vcs pretendem é que quem não acredita prove que não existe."

    Não. Não criámos nenhuma associação teísta portuguesa, dizendo que é irracional não acreditar em Deus.

    Eu apenas pretendo mostrar que o único "argumento" dos neo-ateus é dizerem que não acreditam em Deus. E que, partindo disso, eles agem como se quem acreditasse, tivesse o ónus de os convencer a ACEITAR argumentos e provas sobre Deus.

    Fazendo um resumo:

    -Não se prova a inexistência.
    -As provas de Deus são inexistentes.
    -Sou ateu porque só acredito em algo se tiver provas.
    -Não tenho de provar nada! Não existem provas de Deus! Provem-me o contrário.

    É esta a racionalidade neo-ateísta...

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  12. O Dias entrou em modo repetição, também conhecido como "vou continuar a fazer-me de desentendido":

    -"parece-me uma boa racionalidade"

    Achas? Se não provas inexistência, baseias-te em quê para dizeres que não existem provas de Deus?

    :)

    "A malta lá vai confiando no que tem alguma lógica, ou seja, não tem "fé"."

    Não tem "fé", a não ser num mundo mui lindo se a malvada da religião for eliminada e tal...

    "Sendo que fé trata de uma crença baseada em nada"

    Depende. A fé em Deus, confiança na Sua vontade, é baseada na existência de Deus como credível, fundamentada e possível de ser provada.

    "O que a malta não admite é que argumentos que não têm lógica sejam impostos."

    Dá-me um exemplo do que é isso de um argumento sem lógica e indica-me quem é que pretendeu convencer os ateus a acreditar em alguma coisa. Se não for pedir muito que demonstres as tuas afirmações, claro..

    "É por isso que existem os "neoateus""

    Não. Os neo-ateus aparecem como profetas de um mundo melhor, e do ateísmo como o cúmulo da racionalidade. Se todos fossemos ateus, o mundo seria melhor. É para promover esta treta, que os neo-ateus existem.

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Dias, só por admitires que a tua crença "Deus não existe" é baseada em ignorância e ausência de provas, não deves concluir que a minha crença "Deus existe", também o seja.

    Depois, dizes que não admites argumentos que não tenham lógica, mas da lista que fizeste:

    -Crucifixos não são argumentos, mas objectos.
    Qual o argumento que teria de levar a proibir a sua exibição em locais públicos?

    -Fobia não é um argumento, mas um comportamento irracional.
    Quem teve medo dos homossexuais?

    -Favorecimento religioso não é argumento, mas uma acusação tua de que um acto foi feito. Qual a tua definição de assunto estatal, qual religião foi favorecida pelo estado?

    -A última do Mats foi o argumento de que, sem princípio moral absoluto, não tens maneira objectiva de dar um acto como imoral.
    Tu pareces estar a condenar os valores morais religiosos, mas se não há moral absoluta, parece-me que estás a ser bastante intolerante...

    -Perseguição científica não sei o que é. Cientistas perseguidos, ou cientistas a perseguirem?
    De qualquer forma, não sei quem foi o evolucionista perseguido. ( por religiosos ou por cientistas?)

    Depois, negas que a promessa dos neo-ateus seja esta:

    "Se todos fossemos ateus, o mundo seria melhor."

    Dizes que eu estou a vitimizar-me. Alegas até não encontrares exemplos de ateus a afirmar tal coisa. Vamos então fazer um teste, para ver se és surdo, cego ou mentiroso:

    -Documentário do ateu Dawkins sobre religião, chamado o " A raíz de todo o mal". ( o nome não te diz nada?)

    -Livro "O fim da fé" e a "Carta a uma nação cristã", do ateu Sam Harris.

    -O poema "Imagine", do ateu John Lennon, que por sua vez serve de insipiração e slogan a campanhas publicitárias neoteístas dos dias de hoje.

    -O texto deste blogue "Portal Ateu e o Humanismo Secular"

    -O texto deste blogue "Portal Ateu e a Humanidade".

    - O livro "Novo Ateísmo", escrito pelo ateu Victor Stenger.

    Depois, no texto deste blogue "Jugular e o Monopólio da Virtude", encontrarás links a confirmar que:

    O ateu Cristopher Hitchens afirma: a religião envenena tudo.

    O ateu Dawkins assegura: fazer coisas horríveis é parte lógica do processo de acreditar em Deus.

    O ateu Harris diz que a religião é pior do que a violação sexual.

    Em Portugal;

    João Vasco Gama diz que há uma batalha entre ateus e crentes, estando os ateus do lado da razão, do progresso e restantes coisas boas. E os crentes do lado animal e irracional, claro.

    Carlos Esperança diz: "ateus são contra a pena de morte, crueldade é apanágio dos crentes."

    Se precisares de mais, avisa. Ou então, continua a acompanhar o blogue.

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  15. Este comentário foi removido pelo autor.

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  16. Dias,um segmento de recta sobreposto horizontalmente num segmento de recta na vertical, expostos num lugar público impõe concretamente o quê a uma minoria não cristã?


    Depois, falaste em fobia, e eu perguntei-te quem tem medo irracional dos homossexuais.

    Na tua resposta, dizes que se encontram textos na blogosfera cristã afirmando que os comportamentos homossexuais são autodestrutivos e que a pedofilia está associada à homossexualidade.
    Isso não é nenhuma manifestação de fobia.
    Ou tais comportamentos são saudáveis, ou não são. Ou a maioria dos pedófilos é homossexual, ou não é.
    A=A. Se tens alguma coisa a objectar, apresenta factos e argumentos. É desonesto tratar essas alegações como "fóbicas", sem mostrar qualquer interesse em comprovar se são verdadeiras ou falsas.

    Sobre o favorecimento religioso, também não dás nenhum exemplo de uma religião favorecida pelo estado, nem de "assunto estatal" que deva ser imune à religião.


    Achas que é preciso lata para encontrar moral na bíblia, que consideras cheia de histórias abomináveis. A questão é que não havendo princípio moral absoluto, não temos maneira de saber se estás certo ou errado quando consideras algo moralmente abominável.


    Dizes que teorias científicas são perseguidas, mas eu não tenho conhecimento de que as teorias científicas tenham pernas.

    A meu ver, disputar e tentar refutar uma teoria dita científica, nunca pode ser considerado perseguição. Sob pena de toda a actividade científica o ser...

    Depois, quando eu disse que o neo-ateísmo, os seus representantes, vendiam a promoessa de um mundo melhor se todos fossemos ateus, disseste que isso era uma vitimização minha. Confrontado com os factos, respondes que não os conheces a todos, mas por outro lado sabes que eu coloquei palavras nas bocas deles. Não sabes se disseram, mas estás certo que não disseram e que eu inventei tudo.

    Dizes:

    "A vastíssima maioria dos ateus não propõe melhores modelos para a sociedade, apenas condena a religião pela mentira que representa."

    Eu falei em neo-ateus, os que dizem que a religião é a raíz e expressão do maior mal à face da Terra.

    Tens um texto neste blogue, de um ateu que defende a religião como uma alternativa melhor do que o poder do estado:

    http://neoateismoportugues.blogspot.com/2010/12/religiao-e-civilizacao.html

    "Em Portugal diz-se muita coisa, lá fora também.Nem todas são acertadsa"

    A questão não era essa, espertalhão, mas tu teres dado o dito pelo não dito.

    Podes não concordar quando alguém diz uma coisa. Escusas é de fingir que não foi dita, e que é tudo vitimização minha.

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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