Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Diário Ateísta e a Liberdade de Educação

Carlos Esperança publicou Diploma de apoio ao ensino privado:

"A decisão sobre o regime referido é da competência do Governo mas a intromissão do PR, num diploma que exorbita a sua competência, e a publicidade que quis dar ao seu direito de veto, revela bem a pressão da ICAR e a sua influência eleitoral."

Começamos bem. O Presidente intrometeu-se numa decisão que era do Governo, porque deu publicidade ao seu direito de decisão, afinal, da sua competência. Logo, isto "revela bem" a pressão e influência da... Igreja!
Não sei bem qual será o problema de personagens como o Esperança, que se auto-elogiam como "defensores da razão". Será que não conseguem ler aquilo que vão escrevendo, ou tomam mesmo os seus leitores por parvos?

"Quando o PR afirma esperar que prevaleça o bom senso fica a saber-se que quer aludir à sua forma de interpretar o interesse nacional, de acordo com os interesses dos donos dos estabelecimentos de ensino privado, à custa do erário público."
Ficou a saber-se nada. A não ser que o intelectual Esperança tem uma teoria da conspiração sobre interesses privados que pretendem apoderar-se do erário público. Como é um chico-esperto, omitiu que o tal erário público mais não é do que o resultado da contribuição da riqueza privada e legítima de cada cidadão. Isto torna a questão do ensino privado muito mais complexa do que a caricatura que fez.
A gestão do erário público é sempre feita por um grupo de indivíduos. Não contentes com os impostos altos que temos, tipos como o Esperança ainda acham que a política de gestão desses recursos lhes pertence totalmente. O que dizem ao contribuinte é isto: vais trabalhar quase só para pagar impostos e como prémio os teus filhos só podem ir para a escola que nós gostamos: a do estado.

"As escolas privadas são instituições lucrativas destinadas a quem as quer e pode pagar. Não podem ser um sorvedouro de dinheiros públicos, o instrumento de transferência de recursos do Estado para mãos privadas nem o subsídio a projectos confessionais."
Se o estado rouba os cidadãos com impostos altíssimos, minando a economia e a criação de empregos, muitos poucos podem pagar escolas privadas. E a escola pública também não é de borla, pois os "dinheiros públicos" resultam de impostos sobre dinheiros privados.
Há liberdade de educação. Um pai tem o direito de dar educação religiosa aos seus filhos. De os inscrever num colégio católico, por exemplo. Nem o estado, nem o Esperança, têm alguma coisa a ver com o assunto. Se um determinado cidadão para impostos, mas os seus filhos não frequentam a escola pública lá da zona, porque ele prefere matriculá-los no ensino privado; essa escola pública não tem qualquer despesa com esses alunos. No entanto, o cidadão paga impostos. O mais justo, e óbvio, é o estado conceder aos cidadãos o direito a escolherem a escola onde querem que a sua respectiva parte do erário público destinado a educação seja paga. Esse dinheiro não caiu do céu. O estado não financia nada, porque o estado não gera riqueza. Quem financia são sempre os contribuintes.
Mas os ateístas militantes são todos uns esquerdistas totalitários. Eles acham que os que governam têm o direito de estrangular o cidadão com impostos, para lhe determinar uma via única de educação das crianças. A coisa resume-se a isto: os teus impostos já cá cantam. Se agora não queres a escola que nós escolhemos para os teus miúdos, paga um colégio privado com o que te restou! Carlos Esperança tem a arrogância de questionar:

"Havendo na área escolas públicas, cuja cobertura nacional é obrigação do Estado, a que propósito se financiam estabelecimentos particulares cujos professores estão isentos dos concursos públicos e a aceitação dos alunos depende dos proprietários?"
Financiam-se estabelecimentos particulares, com dinheiro que veio de particulares, porque esses particulares usam o seu direito de escolher quem vai educar os seus filhos.
Portanto, a pergunta deve ser outra: com que propósito um governo tem mais direito a decidir a escola de todas as crianças, à distância de Lisboa, do que os pais delas, caso a caso, que conhecem e sabem distinguir o que mais lhes interessa entre a oferta de um colégio privado e de uma escola pública, em determinado local?

"O ensino público, laico, gratuito, universal e de qualidade, deve ser separado do ensino privado."
O estado laico não tem educação confessional como obrigatória. O estado laico não tem educação confessional como proibida. Isto, porque o estado laico tem de ser neutro. O ensino público nunca é gratuito, alguém tem de o pagar. Quem o paga é o cidadão. E este tem a liberdade de escolher que tipo de escola quer para os seus filhos.

"É a tarefa que incumbe ao Estado para assegurar igualdade de oportunidades, sem discriminação de nascimento, poder económico ou orientação confessional."
O Diário onde Carlos Esperança escreve estas porcarias, já o disse, em nome da verdade deveria chamar-se "comunista" em vez de "ateísta". Um estado que cobra impostos para impor uma única via de educação, está a violar os direitos das pessoas a trabalharem para pagarem uma educação com um tipo de qualidade que entendam ser a melhor para os seus filhos. O que ele está a dizer é que só os filhos dos ricos devem ter direito e possibilidade a frequentar colégios privados.

"O presente diploma foi modificado para pior e traz consigo a ameaça da manutenção do ensino nas escolas religiosas à custa do erário público."
O erário público também é sustentado pelos religiosos. Só um estado ateu agiria como se o objectivo de taxar impostos fosse o estrangulamento das escolas religiosas.
Por um lado o grupo do Esperança propõe que a opção de educação religiosa não exista no ensino público, e por outro que o estado impeça os religiosos de aplicarem parte dos seus impostos em colégios confessionais. Não há maior demonstração de luta por um estado oficialmente ateu e antirreligioso.

O ateísmo de estado, totalitário, é isto. Sob a capa de dar oportunidades de educação aos mais pobres, trata-se o erário público como se ele se sustentasse a si mesmo. Propõe-se que o estado domine completamente todo o sistema de ensino, chamando "laica" e "neutra" à ideia de que tudo o que é religioso não pode ser financiado pelo dinheiro gerido pelo estado. Quando esse dinheiro vem de todos os contribuintes!
Sendo impossível, e absurda, uma educação "neutra", o mais racional é tentar respeitar, dentro de certos limites básicos, a liberdade dos pais educarem os seus filhos. Os neo-ateístas, e esquerdistas em geral, odeiam esta ideia. Para eles o estado tem de impor uma educação oficial absoluta. Ficam revoltados se uma única moeda dos cofres públicos for gasta em educação confessional, respeitando a liberdade de escolha de contribuintes; ao mesmo tempo que aplaudem, adoram e ficam maravilhados com a utilização de recursos públicos para impor a todas as crianças a educação ideológica dos palavrões, masturbação, sodomia e sadomasoquismo. Gostem os pais ou não. Não importa, o estado é tudo, nada contra o estado!


*Para quem ainda tinha dúvidas: o movimento ateísta português é radical marxista

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Portal Ateu e a Coreia do Norte

When people stop believing in God, they don't believe in nothing - they believe in anything. Frase atribuída a G. K. Chesterton

Ricardo Silvestre publicou Santidades à vista:

"Um exemplo que os crentes gostam de usar contra os ateístas é que um país como a Coreia do Norte é um exemplo de um estado ateísta. Quem ler um pouco que seja, ou acompanhar as notícias com um pouco de atenção, sabe perfeitamente que este argumento é ridículo."
O líder máximo do Portal Ateu continua sem saber o que é um argumento. O regime norte-coreano é oficialmente ateu, não por "argumentação", mas pelo facto chamado "constituição norte-coreana". Do prefácio:

"The Democratic People's Republic of Korea is a socialist fatherland of Juche which embodies the idea of and guidance by the great leader Comrade Kim Il Sung."
Toda esta parte se resume a elogiar a obra do camarada ( e não do "deus) Kim Il Sung e o legado que ele (supostamente) deixou: um guia para alcançar prosperidade material para o povo.
O presidente falecido é considerado eterno, não por questão religiosa, mas por legado político. Um estado que tem como política oficial uma filosofia ateísta ( juche é uma versão do marxismo-leninismo) e como inspirador máximo um ateu; só pode ser considerado um estado oficialmente ateu.
Nesta vida já se matou e castigou por tudo, provavelmente até por disputas de porta-chaves ou discussões sobre a melhor cantiga do Marco Paulo. Mas segundo os ateus fanáticos, matou-se e castigou-se por tudo menos pelo ateísmo. Se alguém era ateu, via o ateísmo como caminho para a criação do homem novo, de um mundo próspero e matou milhões de inimigos e traidores desse ideal bondoso; não pode, não foi, é impossível, jamais, que a motivação desses crimes tenha sido o ateísmo. Os ateus sérios e honestos, terão certamente dificuldade em perceber como pode uma filosofia ou crença humana ser imune a causar tragédia e sofrimento. Já o dogma neo-ateísta "se um ateu faz coisas feias, nunca é por causa do ateísmo", trata-se de uma conclusão à medida exacta da falácia do verdadeiro escocês. No caso de Ricardo Silvestre, ele tentou negar que o regime norte-coreano é um exemplo de um estado ateu, e o tiro saiu-lhe pela culatra:

"Não só o “líder da nação” é Kim Il Sung, que morreu em 8 de Junho de 1994, como o seu filho, Kim Jong Il é a “reencarnação” do pai. Kim Il Sung, “o querido líder”, é considerado como um deus pelos norte-coreanos e no mausoléu onde está sepultado, tem empregadas que choram 24 horas por dia."
A treta da "reencarnação" não cola, a não ser que o regime norte-coreano tenha a doutrina oficial de que Kim Jong Il nasceu depois do seu pai morrer, com a "alma" ou "espírito" deste. Nunca ouvi dizer que os norte-coreanos defendem que o seu actual líder tem apenas 16 anos, e ele aparenta ter muito mais. O povo norte-coreano até podia considerar a batata uma divindade. A constituição norte-coreana trata o fundador da república como "camarada". E a questão que Silvestre começou por levantar foi sobre o "estado" e não sobre o povo. De resto, manter um cadáver rodeado de carpideiras, em momento algum prova que regime norte-coreano não é oficialmente ateu. Prosseguindo:

"Não admira pois que o ministro da defesa da Coreia do Norte, Kim Yong Chun, ameaçou a Coreia do Sul de… uma ““guerra santa“.
Lendo a notícia vemos que não é uma guerra santa no sentido de ser tida como legitimada ou ordenada por uma divindade, muito menos em nome da defesa de qualquer valor divino transcendente. A ameaça é de uma guerra santa de "justiça", uma palavra bastante invocada por qualquer comunista. Se os comunistas norte-coreanos deixam de ser ateus por se sentirem legitimados a agir por um propósito de bem-comum material, progresso e paz para toda a humanidade; em nome de uma justiça inevitável, "santa"; o presidente dos ateus portugueses portalados também não poderia ser considerado ateu, pois teoriza exactamente o mesmo. Demonstrarei isso à frente.

"Por exemplo, podemos ver pelas estatísticas da Religious Intelligence, 64% da população “não tem religião, mas são adeptos da filosofia Juche” (o resto da percentagem distribui-se por 16% da população – Xamanismo coreano; 13,5% da população- Chondoismo; 4.5% da população – Budismo e Cristianismo 1,69% da população)."
Ou seja, o regime norte-coreano, oficialmente ateu, já conseguiu usar o estado como veículo de secularização da sociedade. O que é, precisamente, o sonho dos neo-ateístas:

-A religião é má, a sociedade só avançará quando a religião deixar de ter a influência que tem. O estado deve tomar posição de acordo com estes dois princípios, limitando a manifestação religiosa ao domínio meramente privado mas onde a própria educação religiosa das crianças deve ser controlada pelo estado. O estado define oficialmente o que é política, e a religião é que tem o dever de neutralidade em relação à política definida pelo estado como oficial ( estado ateu). Não é o estado que tem o dever de neutralidade em relação à religião ( estado laico).
É esta prática levada a cabo pelos ateus comunistas da Coreia do Norte. É esta a teoria promovida como prioritária e esencial pelos neo-ateístas ocidentais. Mas acabando com a influência da religião tradicional na sociedade, qual será a cosmovisão alternativa? Necessariamente, terá de haver alguma. Quanto à Coreia do Norte, Ricardo Silvestre admira-se que o estado oficialmente ateu tenha adoptado a filosofia Juche:

"Mas o que é a filosofia Juche? É o “kimilsonguismo”, a ideologia oficial de Estado do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Ou seja, é o culto da personalidade, de um “querido líder” que é um deus, com reencarnações e guerras santas. Só quem não quer, é que não vê a evidência."
Vamos às evidências. Como demonstrei, "deus", reencarnações" e "guerras santas" são jogos de palavras do Silvestre. Culto da personalidade não é incompatível com ateísmo. Ideologia oficial de estado também não. A filosofia Juche é basicamente o marxismo-leninismo em coreano. E marxismo-leninismo, é filosofia ateísta. Aqui, ou na Coreia. Vê~se que Silvestre consultou a wikipedia. Mas faltou-lhe citar isto: "Alguns sociólogos e estudiosos consideram o Juche como um movimento religioso. Na Coreia do Norte essa ideia é rechaçada, e considera-se que o Juche é um movimento secular, e que se concentra nos problemas da vida (não no que ocorre após a morte)."
Sugiro uma experiência: digam a qualquer neo-ateu que ele vê o ateísmo como religião (política), e depois contem-me se algum não rechaçou a ideia invocando que a associação ateísta de que faz parte é um "movimento secular, que se concentra nos problemas da vida ( não no que ocorre após a morte)", ou coisa parecida.
Procurando diferenças entre o ateísmo oficial norte-coreano ( o Juche) e o ateísmo de Ricardo Silvestre ( o Neo-Ateísmo), concluiremos que nenhum adepto de uma filosofia ateísta está imune a acreditar em coisas incríveis e bizarras. Começando pelo nível em que o Silvestre coloca divergências pessoais suas com religiosos, ele tem-se como conhecedor do futuro e absolutamente certo na sua crença de que o ateísmo é o melhor para toda a humanidade, não pela realidade dos factos ou argumentos que apresenta, mas por ilusão do seu desejo como inevitabilidade histórica. Por isso, diz ao inimigo ( religiosos) coisas destas:

"Vocês estão condenados ao esquecimento. A serem uma nota na margem da história humana, que se há-de libertar da superstição e da ignorância, assim como um corpo se livra de um parasita."
Um comunista dirigindo-se a um "reaccionário, não diria nem mais, nem menos. Silvestre e os ateus norte-coreanos são crentes em ideais utópicos, ateus, como factos histórico-teleológicos. Este tipo de frase, remetendo humanos para a categoria de parasitas da humanidade, sub-humanos portanto, e a humanidade como um todo para um sentido histórico dado como inevitável e garantido, espelha a crença que está por detrás de todos os genocídios revolucionários do século XX.
O ateísmo não tem nada a ver com isto? Bem, é em nome de um mundo melhor que Ricardo Silvestre, ou qualquer outro revolucionário neo-ateísta, milita pelo ateísmo e noção do homem como medida de todas as coisas. Por exemplo, ele diz ser do interesse, não apenas seu ou do seu grupo, mas de toda a humanidade, eleger ateus como governantes. Os excertos abaixo encontram-se no texto deste blogue Portal Ateu e a Humanidade:

"Fantástico! É excelente que cada vez temos mais destes casos, e quantos mais tivermos, melhor para a sociedade e para a Humanidade."

E em nome do ateísmo por um mundo melhor, que se lixe o estado laico, a democracia, a liberdade pensamento e de expressão:

"E agora! Devemos fazer a crença religiosa regredir para a área privada e afastar a religião do governo, das leis, do funcionamento da sociedade."
Eu não teria nada a apontar se um ateu fizesse do ateísmo uma questão política, se assumisse estar a agir em nome dos seus interesses particulares, familiares ou de grupo. No entanto, o fanático ateu militante promove-se como altruísta e bondoso lutador pelos interesses da humanidade inteirinha:

"A PAMAP foi seleccionada para pertencer à Direcção da Atheist Alliance International.Teremos responsabilidades a nível nacional, europeu e até mundial.Estamos nisto para darmos o nosso melhor e ajudar a causa: o avanço do racionalismo,secularimo e dos Direitos básicos da Humanidade."
Temos assim a prova de que o ateu fanático, não acreditanto em deuses, diabo, anjos ou almas, acredita em algo muito mais incrível: na sua própria bondade e sabedoria do que é melhor para toda a humanidade, na qual se incluem os religiosos tidos como inimigos desse futuro maravilhoso e inevitável. Precisamente a maneira de pensar de qualquer ditador comunista.
Tal como os comunistas coreanos, o neo-ateísta Ricardo Silvestre adora a teoria de um "objectivo comum" para toda a humanidade:

"Uma das coisas mais importantes é termos (a Humanidade) um objectivo comum. Uma das tarefas da ciência é ajudar é entender como contribuir para esse objectivo comum com o mínimo possível de fricção, sem divisões sectárias. A ciência é a maior força para remover barreiras de desentendimento."
O excerto que Silvestre considerou "brilhante" é da autoria de Sam Harris, um dos deuses "Kim Sung Il" silvestrianos. Como vemos, não acreditar em Deus não o impede de agir como se fosse um. Ele pensa saber que toda a humanidade tem de ter um objectivo comum, e endeusa a ciência como uma "força" para esse fim utópico. O conhecimento ou a tecnologia, que tanto servem para matar a fome como para construir bombas, moralmente neutros, são endeusados pelo ateísmo político como "força" inevitavelmente favorável à humanidade. Toda ela!
Não há maneira de fugir disto: um ateu que acredita saber o que é melhor para a toda a humanidade, inevitavelmente acabará a falar como se fosse profeta e a vender ilusões materialistas de paz e progresso. A diferença entre o regime oficialmente ateu da Coreia do Norte e o movimento neo-ateísta não são superstições e crenças irracionais. Nisso, ambos são patéticos e irmãos gémeos filhos da mesma mãe: a fé no homem. A diferença é apenas circunstancial: o movimento neo-ateísta ocidental não tem o poder que o regime norte-coreano tem. É este pequeno pormenor que faz a fé no homem ser apenas ridícula, ou ridícula e tirana.
Se têm dúvidas, imaginem que, por qualquer azar dos diabos, Ricardo Silvestre tornava-se governante de um país, na posse da sua convicção tolinha de que sabe qual o sentido da história, aquilo que interessa à humanidade e quem são os inimigos do futuro radioso que ele dá como inevitável. Estamos perante um Kim Sung Il em versão portuguesa. Sim, é praticamente anónimo, inofensivo e até nos diverte bastante com a mediocridade intelectual das suas propostas políticas. Só por uma razão: felizmente, não tem qualquer poder.

Conclusão
O povo norte-coreano é oprimido por um bando de mafiosos que impõe uma filosofia ateísta e materialista como sendo do interesse de toda a sociedade. Para uma filosofia ateísta e materialista ser realmente do interesse e o melhor para todos, implicaria que os ideólogos e executores dessa filosofia política fossem realmente bondosos altruístas interessados no bem-estar de todos. É isto que é imposto por qualquer estado ateu como verdade única: quem manda é bom. Exactamente a mesma proposta dos líderes e gurus neo-ateístas do ocidente. Não há Bem Absoluto, mas nós, os associados pela inexistência de Deus, sabemos o que seria melhor para todos, porque somos bons. É a isto que se resume qualquer proposta revolucionária ateísta.

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Politicamente Correcto Totalitário

Antes de lerem o exposto abaixo, da autoria do Sérgio Mats, recomendo uma passagem de olhos pelos seguintes textos neste blogue: Portal Ateu e Educação Sexual; Neo-Ateísmo e Educação, Neo-Ateísmo Tuga Embirra com a Cruz.
Ser adepto de um estado que reprima a religião até dentro das casas dos cidadãos, não é condição necessária de ser ateu. O neo-ateísmo não deve ser visto como movimento de divulgação filosófica, mas militância política contra a religião. É por isso que podemos identificar qualquer anti-religioso revolucionário como um aliado natural deste movimento, mesmo que ele não seja ateu. O famoso apresentador José Carlos Malato imaginou há tempos uma proposta de resolução de "metade dos problemas que hoje afligem o mundo". A coisa, segundo ele, passará por algum organismo oficial tomar posição contra os pais que educam os filhos segundo as suas convicções religiosas. Trata-se de uma proposta perigosa, pois necessariamente implicaria a imposição de um pensamento único anti-religioso a todos. Tendo em conta que isto é promovido como solução para "metade" dos problemas mundiais, significa que Malato identificou os pais que educam os seus filhos numa religião como responsáveis por essa tal metade de problemas. Ora, identificar um grupo ou fenómeno social como a causa ou raíz do mal no mundo, prometendo a ilusão de uma sociedade melhor se esse alvo for reprimido pelo estado, é um sintoma sociopata e revolucionário, na linha de Hitler, Estaline, Mao, Fidel e restante cambada.
Se alguém famoso dissesse que a educação que os homossexuais, pretos ou ciganos dão às crianças com quem contactam é a responsável pela metade dos problemas do mundo, imagino a choradeira e o terror. Mas identificar religiosos [*cristãos] que educam os filhos como uma ameça a toda a humanidade, já é bem visto e tolerado por todos.

Aquilo que o Mats escreveu faz todo o sentido. Em condições normais, ninguém tem nada a ver com a conduta de vida do apresentador Malato. No entanto, se alguém identifica todos os pais que educam os seus filhos numa religião como responsáveis por metade dos problemas que afligem o mundo; isso dá a qualquer religioso o direito a avaliar e criticar publicamente a credibilidade de quem se intrometeu na educação dos seus filhos e o identificou como ameaça a toda a humanidade.


O homossexual José Carlos Malato não gosta que os pais cristãos eduquem os seus filhos de acordo com as suas convicções religiosas e por isso ele diz:
Daqui a 40 anos talvez saia uma outra resolução qualquer, emanada de outro organismo qualquer, que advirta os pais [das crianças, em geral *] do perigo de educarem os seus filhos em conformidade com as suas convicções religiosas antes de os pequenos conseguirem pensar e decidir pela sua própria cabeça.
Quando isto acontecer, metade dos problemas que hoje afligem o mundo estarão resolvidos. De verdade.
(Fonte)
O homossexual José Carlos Malato infelizmente não diz o porquê de ser um "perigo" pais educarem os seus próprios filhos em conformidade com as suas próprias convicções. Supostamente isto acontece porque as convicções da maioria dos pais contradiz o estilo de vida "alternativo" que Malato leva. Ele não diz também o porquê dos pais só poderem educar os seus filhos depois destes "conseguirem pensar e decidir pela sua própria cabeça".
O homossexual José Carlos Malato não diz exactamente com que idade é que os filhos já pensam pela própria cabeça - e desde logo, já podem receber educação religiosa pelos pais que pagam as suas contas, lhes alimentam e lhes dão cuidados médicos.
Não se sabe também como é que o homossexual José Carlos Malato sabe que "metade dos problemas que hoje afligem estarão resolvidos" quando os pais deixarem de educar os seus próprios filhos antes destes "conseguirem pensar pela sua própria cabeça". Será que a fome em África será resolvida se os pais deixarem de falar de Deus aos seus filhos antes destes "conseguirem pensar pela sua própria cabeça"? Será que a epidemia de SIDA entre os homens homossexuais será resolvida?
Uma coisa no entanto podemos dizer em relação ao homossexual José Carlos Malato: para além dos seus vastos conhecimentos em educação infantil, ele parece ser um profundo conhecedor de vestuário masculino.
Este homem, Teofóbico e Cristofóbico, e frequentador de sítios disseminadores de DTSs, acha que tem a moral suficiente para dizer o que os pais da criança devem e não devem dizer aos seus próprios filhos.
O hospício está a ser controlado pelos pacientes.

Palmira Silva e o Natal

Texto de Manuel Pinto de Rezende:

Inconsistências neste post (a negrito os argumentos expostos pela autora do texto aqui refutado):

"Foi o significado especial que o solstício de Inverno desde sempre assumiu que levou a igreja cristã a designá-lo como o aniversário do seu deus incarnado. Com esta medida não só aculturou festividades profundamente enraizadas como aculturou ciclos divinos já muito bem estabelecidos nas religiões que a antecederam na sua esfera de influência: o nascimento do deus no solstício de Inverno, a sua morte, na cruz em muitos casos*, e ressurreição no equinócio da Primavera.Os aniversários do Attis frísio, do Dionísio grego, do persa Mitra ou do Osíris egípcio, por exemplo, eram todos celebrados no solstício de Inverno, na sua maioria a 25 de Dezembro"

1- O Solstício de Inverno não é a causa única para todas as celebrações religiosas que existiram à face da Terra. Nem sequer se passaram todas no mês de Dezembro. Razões:
1.1 - O Calendário Latino tem peculiaridades que não estão presentes nos calendários de outras culturas religiosas. Uma dessas peculiaridades é existir um 25 de Dezembro.
1.2 - O Culto de Átis não tem semelhança alguma como de Jesus Cristo. Primeiro, porque o seu culto está ligado à fertilidade e ao auto-flagelamento (Átis cortou os seus genitais). Consultei 3 dicionários de Mitologia Greco-Romana e não encontrei uma única referência a um possível renascimento 3 dias após a morte. Onde quer a a Palmira tenha lido isso, é possível ser patranha.
1.3 - Não há data alguma que indique que Mithra ou Osiris nasceram no dia 25 - pelas mesmas razões que 1.1, e por falta de fontes que apontem tal facto.

2 - Sobre as tradições cristãs do Natal:
Tudo o que associamos ao Natal, prendas, festa, decorações, etc. remonta a esses antigos ritos pagãos e são património cultural de todos

2.1 - "prendas, festa, decorações, etc." não fazem parte da tradição cristã de Natal. Existe uma tradição religiosa e outra desenvolvida pelas comunidades, muitas vezes independente da religiosa, outras vezes com elementos claramente aproveitados da religião predominante, mas sempre um elemento à parte da celebração religiosa.

3 - Sobre Crucificações:
Os vários deuses Sol não são os únicos deuses encontrados crucificados em stauros sortidos, nem os únicos a ressuscitar após o sacrifício, Osiris e Hórus no Egipto, Krishna na Índia, Quetazlcoatl no México, Hesus dos druidas, Attis na Frígia, são apenas alguns exemplos.
Hórus não é crucificado, Osíris também não. O primeiro nunca morreu, o segundo foi desfeito em mil pedaços pelo irmão Set. Quanto a Quetzacoatl, nenhuma da simbologia atribuída a este Deus envolve uma cruz. Mais, a iconografia azteca possui martelos e foices, e ainda não se pensou que lá existissem comunistas. A existência de cores variadas nos túmulos egípcios também não é sintomático da existência de um movimento LGBT nas terras do Faraó. Krishna também não foi crucificado.

4 - Sobre o imperador Constantino:
O imperador Constantino, que viveu e morreu mitraista, promoveu vários elementos do seu culto pessoal ao Deus-Sol Mitra,
seria mais honesto, do ponto de vista académico, lembrar que a não-conversão de Constantino nos últimos dias ao Cristianismo é apenas uma opinião minoritária entre alguns académicos, visto a grande maioria de provas contemporâneas provarem-nos exactamente o contrário.

5- As diferenças do culto persa para o judaico-cristão:
O mitraismo, uma religião milenar elitista e iniciática, herdeira da riquissima tradição religiosa persa expressa no Avesta, com inúmeros rituais muito semelhantes aos depois adoptados pelos cristãos, nomeadamente a cerimónia da missa ou antes a Myazda mitraica,
estão provadas pela simples evidência que o culto judaico é a principal fonte para a liturgia cristã: pelo simples facto de os primeiros cristãos se terem convertido do judaísmo. O mitraísmo teve muito sucesso entre as castas militares de Roma, mas foi o cristianismo que conquistou as classes baixas das cidades e também as elites governativas do Império. O excesso de importância atribuido ao culto de Mitra é compreensível, no entanto, devido ao facto de mais provas arqueológicas nos terem ficado dos campos militares romanos do que dos palácios e cidades.

5.1 - A designação de "Pai" para um líder de uma comunidade religiosa:
o Pater ou Papa, era muito popular entre os soldados romanos, como assinala o historiador romano Quintius Rufus no seu livro «História de Alexandre».
não é propriedade dos persas. É muito, mas mesmo muito alargado. Além de que Papa é uma designação que só muito mais tarde se veio a aplicar ao Bispo de Roma, muito depois do fim de qualquer vestígio de culto de Mitra na Europa Ocidental.

Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Neo-Ateísmo, a Falsificação

“Um dragão que cospe fogo mora na minha garagem. (…)Imaginemos que faço esta asserção seriamente. Com certeza o leitor gostaria de verificar com os seus próprios olhos. Existem inúmeros relatos de dragões ao longo dos séculos, mas sem evidência real. Que oportunidade! (…) Conduzo o leitor até à minha garagem. Ele olha lá para dentro e vê uma escada, latas de tinta vazias, uma velha bicicleta, mas nenhum dragão. “Onde está o dragão?” Pergunta o leitor. “Ah, está aqui.” Respondo, apontando vagamente. “Esqueci-me de dizer que é um dragão invisível” O leitor propõe-se a espalhar farinha pelo chão da garagem para capturar as pegadas do dragão.“Boa ideia” Digo. “Mas este dragão flutua no ar” Então, o leitor poderá usar um sensor de infra-vermelhos para detectar o fogo invisível. “Boa ideia, mas o fogo invisível não tem calor." O leitor sugere uma tinta em spray de maneira a tornar o dragão visível. “Boa ideia, mas o dragão é incorpóreo e a tinta não se fixa num corpo incorpóreo” (…) Qual a diferença entre um dragão voador que cospe fogo sem calor, incorpóreo e invisível e um dragão que não existe?" Um mundo infestado de demónios, Carl Sagan

Este texto é sagrado para os ateus militantes. Mas como justificação racional do ateísmo, o exemplo falha totalmente. Em primeiro lugar, se a coisa se passasse exactamente assim no confronto intelectual entre ateus e teístas, o máximo que estaria justificado seria o agnosticismo. Depois, um ser físico com determinadas características necessariamente teria de ser demonstrado como real por qualquer um dos métodos propostos no texto, se esse ser estivesse realmente presente num determinado local. Contudo, não se pode concluir daí que tudo o que seja incorpóreo e invísivel é inexistente. Essa conclusão seria impossível de ser validada observando algo e uma alegação metafísica sobre conhecimento, logo auto-refutante.
O "dragão de Sagan" justificaria o ateísmo, apenas se aceitássemos como verdadeiro um espantalho da definição de Deus e dos argumentos apresentados para concluir da Sua existência. Ou seja, se fingissemos que a discussão é ao nível do contingente, e não do necessário, que não existem argumentos a priori para a existência de Deus, e que os argumentos a posteriori, que recorrem à experiência, são sobre um conceito de Deus vago e indefinido, cujos atributos são inventados à pressão de impedir um teste e questionamento sério à sua real existência. Como se todos os argumentos e provas sobre Deus que o ateu tivesse para impugnar fossem uma fuga do que Nele crê a essa confrontação; como se o método empírico fosse a única forma de conhecimento OBJECTIVAMENTE válida; e como se a definição de Deus fosse "ser físico observável".
Há duas maneiras de debater e apresentar discordância sobre uma ideia. Uma é estudá-la para depois retratá-la exactamente como foi proposta por alguém específico e então colocar-lhe questionamento real e sério. A outra é fingir que se estudou e percebeu o problema, montar um espantalho e atacar por generalização. Do recente texto do Portal Ateu em que L. Abrantes citou o "dragão de Sagan", podemos fazer um levantamento de expressões que correspondem a esta postura:

"Quando confrontamos declarações extraordinárias somos muitas vezes acusados de não perceber nada de filosofia."
Quem confrontou quem com qual declaração? qual o critério para distinguir uma declaração ordinária de uma extraordinária? quem acusou quem? Não se diz. É segredo.

"Ora, perante uma questão sobre um determinado fenómeno que tem manifestação física, é natural que seja exigida uma explicação que seja plausível. Isto antes de enveredar por uma reflexão filosófica"
Qual fenómeno? Em que sentido uma reflexão filosófica não é uma explicação plausível, se empiricamente só conseguimos descrever e nunca explicar? Quem não explicou o quê? Qual o critério abrantino para distinguir explicação plausível de implausível? Pois...

"A um pedido de provas, algo que ultrapasse o argumento da autoridade – da rópria pessoa/ do filósofo tal/ da Igreja X – a resposta tapa-buracos, nvariavelmente, serve para preencher as dúvidas, solucionar todos os problemas e colocar um ponto final na questão"
Quem pediu provas a quem? As provas pedidas tinham a ver com os atributos do conceito que se procurava saber como real ou não? Qual era esse conceito? Quem apresentou, onde está, o argumento da autoridade? Quem pretendeu colocar um ponto final, em qual questão? Perguntas, perguntas...

"Quem usa este argumento esquece ou, convenientemente, ignora que ele não é exclusivo das religiões. É usado tanto para explicar possessões, milagres, anjos e djinns, como para explicar viagens astrais, leituras de Tarot e contactos com fantasmas."
L. Abrantes não expôs qualquer argumento para o criticar. O que não a impede de dar como certo que o tal argumento é usado para explicar tudo. Com um pouco de boa vontade e esforço, podemos até imaginar que a senhora Abrantes se referia a um texto recente do Bernardo Motta sobre não ser irracional acreditar na existência do diabo. Vamos dar isso como se fosse certo, a título de exemplo. Em teoria, pode-se dizer que o "dragão de Sagan" até se poderia aplicar a essa situação. Pois o diabo, a existir, seria um ser contingente, tal como o dragão, e há relatos de manifestações físicas, possessões demoníacas, atribuídas a ele. No entanto, o "dragão de Sagan" só será um bom exemplo daquilo que se passou com o tratamento dado pelo Bernardo às possessões demoníacas, se se tiver verificado uma recusa dele em apresentar as provas em que se baseia para acreditar em tais fenómenos como reais. Mas como demonstrei ao confrontar a senhora Abrantes nos comentários a esse texto, perante a existência de casos documentados e investigados a sua posição resumiu-se, basicamente, a isto: estudos feitos por católicos não são credíveis, se lhe apresentarem estudos credíveis ela passará a acreditar em possessões demoníacas.
Ou seja, o discuso neo-ateu não consegue sair da petição de princípio e do apelo à credulidade pessoal. Católico não é credível porque não é credível. Ou talvez seja, católico não é credível porque é católico. E assim se prova que estudos isentos sobre o fenómeno não existem. Está provado, ponto final na conversa! Conhecer os estudos, apresentar-lhes objecções? Isso não é preciso. Acreditem, se houvesse estudos credíveis a L. Abrantes não os iria desprezar. Mas não há. Porquê? Porque L. Abrantes diz que não há. Fica bem visível quem tenta tornar o seu dragão invísivel e impossibilitar qualquer análise objectiva da sua alegação.
Outro bom exemplo da perícia neo-ateísta na montagem de espantalhos é um recente texto no Ktreta. Não é preciso grande esforço para verificar que aquilo está cheio das contradições internas do costume. Por exemplo, tudo tem de ser falsificável, com excepção da ideia de que tudo tem de ser falsificável e testado empiricamente para poder ser considerado conhecimento. Isso, o mestre da treta esqueceu-se de testar antes de dar como certo e garantido. É o primeiro a refutar a sua tese, como sempre. Chamo só a atenção para estas duas conclusões:

"A existência de um ser omnipotente e bondoso, por exemplo, é incompatível com os dados que temos."
Procurei no texto qualquer demonstração da incompatibilidade entre os dados que temos e a existência de um omnipotente bondoso. Em vão. Nem sequer vi os tais dados, quanto mais. Com estas condições, é muito difícil falsificar as afirmações gratuitas krippahlizadas. São como as abrantinas. Circulares. O que não o impede de seguir em frente:

"Mas continuam a insistir que tal coisa existe só porque não se pode provar o contrário."
Quem continua a insistir? Pois é, Ludwig Krippahl não é capaz de apresentar uma única pessoa que o tenha feito, mas isso é irrelevante. A única razão invocada por qualquer pessoa para acreditar que existe um ser omnipotente bondoso, é não se poder provar que Ele não existe. Está montado o espantalho. Não existe lógica, razões, motivos, provas ou argumentos apresentados. Resume-se tudo a dizer que Deus existe, porque ninguém provou que Ele não existe. Krippahl diz e está justificado o ateísmo racional. Ou melhor, está justificado o agnosticismo. É que esse pormenor escapa aos neo-ateístas. Empenham-se em aldrabar e descaracterizar aquilo que realmente está em causa e discussão, para no final apenas conseguirem este medíocre resultado: mesmo que alguém engula sem questionar o mantra "não existem provas, a não ser dizer que os ateus não conseguem provar a inexistência", terá um motivo para ser agnóstico, e não ateu.

Conclusão
Negar uma existência como real, não é duvidar ou ser céptico nessa existência. É dar como garantida uma inexistência. Os neo-ateus fazem-no, ao ponto de considerarem a crença em Deus ilusória. Uma crença só pode ser ilusória, se o seu "objecto" for inexistente. O neo-ateu tem o ónus de provar a inexistência, porque diz que o seu ateísmo é racional. Mas quando chega a hora h, a única coisa que tem a apresentar é um espantalho das razões dos outros para acreditarem em Deus, tentando justificar, a martelo, o...agnosticismo!

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Feliz Natal



(...)"os maus e intrigantes não têm mais nenhuma autoridade sobre você. Não baixe a cabeça perante eles, não consinta que suas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo. Jesus Cristo já pagou a sua dívida. É por isso que comemoramos o Natal." Por que celebrar o Natal

*O video Zeitgeist refutado em 7 minutos

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Neo-Ateísmo = Copy Paste

Portal Ateu e Diário Ateísta divulgam a "mensagem de natal" do comediante inglês, e ateu, Ricky Gervais. Basta alguém famoso falar das razões do seu ateísmo, para os associados pela inexistência de Deus encontrarem em tais afirmações o cúmulo da racionalidade. Não interessam as razões pelas quais Ricky Gervais se diz ateu, não interessa que ele entre em contradição consigo mesmo ao longo do texto. É ateu, é famoso, tentou justificar o ateísmo; nada mais é preciso para ser publicado nos sites auto-promovidos como divulgadores de pensamento crítico e racional. O neo-ateu é incapaz de criticar, no exacto sentido do termo, qualquer texto escrito por um ateu em defesa do ateísmo. O texto de Gervais é anedótico. Admite:

"A existência de Deus não é subjectiva. Ele existe ou não existe. Não é uma matéria de opinião. Você pode ter as suas opiniões. Mas não pode ter os seus próprios factos."
Até aqui, nenhum problema. Isto é verdade, e podemos pegar neste princípio como guia de análise do restante texto de Gervais. Até porque ele também afirma anteriormente:

"O meu ponto é, eu digo que Deus não existe. Não digo que a fé não exista. Eu sei que a fé existe. Vejo-a o tempo todo. Mas acreditar em algo não o torna realidade. Desejar que algo seja verdadeiro, não o torna verdadeiro."
Resumindo, Gervais afirma categoricamente que Deus não existe e sabe que a verdade de uma afirmação não depende de se acreditar que ela é verdadeira. Se isto é válido para os que têm fé em Deus, também é para os ateus. Esclarecido este ponto, apertem os cintos para uma viagem na montanha russa da estupidez. Razão pela qual Ricky Gervais diz que Deus não existe:

"Não existe absolutamente qualquer evidência científica da Sua existência e daquilo que eu tenho ouvido a própria definição é uma impossibilidade lógica neste universo."
Escusam de procurar. Gervais não demonstrou qualquer impossibilidade lógica entre a definição de Deus e o que conhecemos do universo. Apenas afirmou uma crença sua, e não a justificou.Por outro lado, Deus existirá ou não independemente das evidências científicas sobre a sua existência. Por duas razões:
1. uma existência é sempre anterior, e independente, à sua descoberta por alguém.
2. Considerar tudo falso ou inexistente por ausência de provas científicas, implica considerar falso o método científico ( que não se valida a si próprio) e inexistentes as verdades lógicas ( que validam o método científico).
Isto é lógico: antes de se descobrirem provas da existência da América do Sul, o continente já existia. A crença é que depende de provas. Não a existência. Mesmo que fosse verdadeira a afirmação de que não existem provas, isso, quanto muito, justificaria um ateísmo agnóstico. Que não é o de Gervais, pois afirmou "Deus não existe", em vez de "Não sei se Deus existe, mas acredito que não". Além do mais, Gervais define Deus como questão científica, sem o justificar. E a sua afirmação de que não existem provas, também não é fundamentada. Fica-se por isto:

"Pessoas que acreditam em Deus não precisam de provas da Sua existência, e certamente não querem evidências do contrário."
Não temos razões para acreditar que Gervais conhece todas as pessoas que acreditam em Deus.Isto não vale nada. Insistindo na questão científica, o comediante diz:

”Arrogância é outra acusação [que fazem aos ateístas]. O que parece bastante injusto. A ciência procura a verdade. E não descrimina. Para o melhor e para o pior compreende as coisas. A ciência é humilde. Sabe o que sabe e o que não sabe. Baseia as suas conclusões e crenças na evidência dura – evidência que constantemente é actualizada e melhorada. Não se sente ofendida quando os factos aparecem. E abraça o corpo de conhecimento."
O autor deste texto é um palhaço. A sua profissão é essa: fazer rir. Ele não é um cientista, mas age como se a sua crença ateísta fosse sinónimo de ciência. Pior, trata a ciência como um entidade personalizada: "procura", "não discrimina", "compreende as coisas", "é humilde", "sabe", "baseia", "sente" e "abraça". Só faltou dizer que a ciência tem pernas. Outra enorme disparate é dizer que a ciência é constantemente actualizada e melhorada, pois o método científico está definido e não se actualiza ou melhora quando é usado para descrever determinada realidade empírica. Continua o mesmo.Ser ateu não é o mesmo que ser cientista. Tentar ilibar os ateus da acusação de arrogância ( não dizendo quem a fez), tratando ateísmo e ciência como a mesma coisa, é a coisa mais arrogante e imbecil que Gervais poderia ter escrito. Entretanto, dá-se a curva mais espectacular desta viagem. Depois dele ter dito que a existência de Deus é questão objectiva, e de ter afirmado que Deus não existe; sai-se com esta:

"Porque não acredito em Deus? Não, não, não; porque acreditas TU em Deus? Seguramente o ónus da prova está no crente. Tu começaste isto tudo. Se eu aparecer e disser "Porque não acreditas que eu consigo voar?" Tudo dirás, "Porque iria eu acreditar?" Eu responderia, "Porque é uma questão de fé". Se então eu dissesse," Prova que eu não consigo voar, não consegues pois não?" Tu provavelmente sairias, chamarias a segurança ou atirar-me-ias da janela gritando " f****,voa agora lunático".
A questão não é Gervais "não acreditar em Deus". Ele é que começou isto tudo, o texto, dizendo uma coisa bastante diferente: Deus não existe. Mas não foi capaz de apresentar um único argumento ou prova disso. Ora, o ónus é de quem alega, afirma, acusa, assegura; seja existência, seja inexistência. Para se safar, Gervais monta o espantalho de que as provas e argumentos favoráveis à existência de Deus se resumem ao fideísmo, comparando o crente em Deus a um louco. Os ateus modernos desconhecem religião, filosofia, teologia, apologética, e baseados nessa ignorância pintam os que acreditam em Deus como apenas e só baseados na incapacidade de provar a Sua inexistência.. É o famoso caso da surdez ateísta: não há provas, porque não há provas... Gervais usa depois uma treta já vista, gasta e repetida:

"Da próxima vez que alguém me disser que acredita em Deus, eu direi: "Em qual? Zeus? Hades? Jupiter? Mars? Odin? Thor? Krishna? Vishnu? Ra?..." Se me responderem:"Apenas Deus. Eu apenas acredito num único Deus", eu alegarei que nesse caso essa pessoa já é praticamente tão ateia quanto eu. Eu não acredito em 2,870 gods, e ela não acredita em 2,869."
Que diferença faz isso para uma crença em Deus ser verdadeira ou falsa? Nenhuma. Uma existência será real ou não, independentemente de quantas pessoas acreditam nela.E se acredito numa determinada concepção de Deus como verdadeira, de modo algum sou "quase" ateu apenas por ter todas as outras como falsas. Da mesma forma que se fosse casado com uma mulher, não seria "quase um solteiro" por não ser casado com as restantes. Esta estupidez, também não justifica racionalmente a crença de que Deus não existe.
Depois, Gervais relatou-nos a sua experiência pessoal sobre o processo de deixar de acreditar em Deus. O que também é irrelevante para a questão que ele começou por afirmar: a existência de Deus é uma questão objectiva. Ficámos apenas a saber que ele é ateu desde criança e considera coisas como pizzas e cervejas, propósitos existenciais satisfatórios e suficientes. Good for him! Isso não demonstra objectivamente a inexistência de Deus. Escuso de comentar essa parte do texto.
Ele referiu ainda que acreditar em Deus leva as pessoas a matarem-se umas à outras. Uma afirmação que também não justifica a crença de que Deus não existe, e que omite que esta já levou mais pessoas a matarem outras, apenas por pensarem o contrário. Da Revolução Francesa à Coreia do Norte dos dias de hoje, os crimes do estado ateu contra os religiosos, são vastíssimos. O looping final:

"Ninguém tem o exclusivo de ser bom. Eu sou bom. Eu só não acredito que vou ver recompensado por isso no Paraíso. A minha recompensa é aqui e agora. É saber que eu tento fazer o que é certo. Que vivi uma boa vida. E é aqui que a espiritualidade perde sentido. Quando se torna um bastão para agredir os outros com "faz isto ou irás ser queimado no inferno".
Para vermos se Gervais é bom ou mau, precisariamos de algo mais do que a sua opinião. Mas como ele diz que Deus não existe, significa que não reconhece a existência de Bem Absoluto. Logo, diz-se bom relativamente ao quê?
Assim se transformou uma susposta explicação "porque sou ateísta", numa tentativa deste ateu em competir com os outros pelo título de "bom". Uma competição em que só os ateus moderninhos parecem querer entrar, pois a maioria dos que acreditam em Deus, acreditam é na bondade de Deus. Algo que os leva a reconhecer que eles próprios são maus, pecadores. Portanto, acredite-se em ou não em Deus, a afirmação "Sou bom",só pode ser interpretada como aquilo que é:manifestação de sociopatia. Se Deus existe, só Ele pode ser considerado bom. Se Deus não existe, a afirmação "sou bom" significa um pedido para que acreditemos na bondade absoluta e auto-referencial de quem a profere. Não duvido que os maiores genocidas também se achassem "bons". Ricardo Silvestre considera que isto seria uma boa frase para "promover" o ateísmo:

"Tu não irás queimar no inferno. Mas apesar disso sê bom."
Tal coisa serviria apenas para promover a ideia de que é indiferente ser bom ou mau, porque objectivamente ninguém será recompensado ou castigado justamente por aquilo que fez. Além de mostrar que tais ateus interpretam o conceito de inferno como uma churrascaria ao ar livre, claro. É estranho verificar que, aqueles que dão como garantida a inexistência de um princípio moral absoluto que transcenda a realidade sócio-biológica, são capazes de afirmar categoricamente que são bons e aconselhar outros a sê-lo. Se alguma religião adverte que o homem tem o dever de agir de forma moralmente correcta, os neo-ateus consideram isso o mesmo que dizer "sê bom, senão vais ser castigado". Acham tal coisa inadmissível, por implicar um motivo exterior para sermos bons. No entanto, são depois os próprios neo-ateus a dar aos outros um motivo para serem bons. Esquecem-se que, se Deus não existe, toda a religião passa a ser uma construção meramente humana com um propósito de sobrevivermos. Em suma, se Deus não existe, as posições morais das religiões continuam a valer por aquilo que permitiram construir em termos de civilização. E por essa perspectiva, histórica e tradicionalmente verifica-se que as religiões continuariam a ser mais importantes do que este ateísmo moderninho e culturalmente inexistente, que não tem passado e apenas promessas ilusórias de um mundo melhor para todos.
Assim se faz a militância racional dos portugueses associados pela inexistência de Deus. Encontrar algum ateu famoso que tenha dito alguma coisa sobre ateísmo, imaginar que ele é algum estudioso ou autoridade científica e...

Ludwig Krippahl e a Prostituição

O Mats colocou um video no youtube, sobre declarações de Ludwig Krippahl relativas à prostituição, em Agosto, no blogue Ktreta:


Aproveito para transcrever o que comentei na altura, já que esse texto do Krippahl baseou-se em afirmações minhas ( deturpadas). Além disso, trata-se de um bom exemplo de como o neo-ateu pensa as questões morais. Qualquer assunto serve, numa "lógica do contra", de alerta para o suposto perigo da religião e elogio ao ateu como o tolerante e livre-pensador.


Originalmente publicado no blogue "Paio Com Ervilhas", a 19 de Agosto de 2010.

Depois de considerar a pedofilia um ideal pelo qual os pedófilos têm o direito de lutar, Ludwig Krippahl promove agora a ideia de que a prostituição é uma profissão como outra qualquer, mais uma em que se correm riscos, como a enfermagem ou construção civil. Vejamos o primeiro parágrafo:

"No post anterior referi, de passagem, que é injusta a má reputação da prostituição. O Jairo Entrecosto discordou, escreveu que isto era um «bom exemplo da moral e postura neoateísta» e que «a prostituição é uma corrupção moral do indivíduo e da sociedade, levando ambos à decadência e ruína». Realmente, há aqui uma corrupção da moral. Mas é outra."

Dada esta introdução, concluo que a intenção do texto é mostrar a minha opinião sobre a prostituição como deturpação do conceito "moral". A primeira falta à verdade é colar-se a expressão "bom exemplo da moral e postura neoateísta", como se tivesse sido dirigida especificamente à opinião kripphaliana sobre prostituição. Não foi.
Referia-me ao post em geral, sobre o caso Queirós, e nesse contexto ao problema que os revolucionários têm com conceitos como autoridade, regras, verdade e honestidade. Fiz também uma crítica ao facto do Ludwig falar e menosprezar o futebol, da mesma forma que o faz com a religião: à base de ignorância e palpites. Citei até um excerto de uma aula de "pensamendo crítico" do professor Krippahl em que é ele quem mete religião e futebol no mesmo saco, como assuntos que podem ser discutidos "criticamente" nas suas aulas. Como já tinha analisado o que é esse "pensamento crítico", quis apenas recordar que a ideia de que se pode discutir o que se ignora, é simplesmente estúpida.

A segunda falta à verdade, por omisão que só posso concluir premeditada, é o Ludwig não ter referido que eu, no tema da prostituição, comecei por concordar que há realmente actividades mais indignas e injustamente mais valorizadas que essa. A de professor de "pensamento crítico" por exemplo.
Numa questão meramente prática, a prostituta presta o serviço pelo qual pediu dinheiro, já o professor Krippahl, nunca poderá ajudar alguém a pensar criticamente, apesar de receber dinheiro para dar aulas onde é vendida a falsa ideia de que irá. Cito até o que realmente escrevi, para que não restem dúvidas:

"Ao nível prático, quer a prostituta quer o treinador de futebol, por princípio, servem conforme o combinado e pago. Nesse sentido, ambas as profissões são respeitáveis. Não é injusto que, ainda assim, a prostituição seja considerada menos respeitável do que o cargo de treinador desportivo, pois a prostituição é uma corrupção moral do indivíduo e da sociedade, levando ambos à decadência e ruína, enquanto que o desporto é uma actividade que os beneficia. Portanto, se quisermos considerar a prostituição injustamente desvalorizada em relação a outras profissões, temos de ir pela questão prática e concluir que professores de "pensamento crítico" que se dizem "cientifícos e racionais" é que têm menos dignidade do que a mais humilde prostituta de estrada. Afinal, esta presta o serviço pelo qual é paga, enquanto que o professor neoateísta, que é pago para ensinar ciência, aproveita a oportunidade para doutrinar alunos com cientismo, antirreligiosidade e outras mentiras. Nessa comparação, a prostituta corrompe-se mas não mente; o mesmo não se pode dizer do neoateísta disfarçado de professor. Os treinadores de futebol que estejam descansados, pois quem os considerou profissionais tão respeitáveis que nem prostitutas, é ele próprio um profissional cuja dignidade se encontra abaixo das referidas."

Esclarecido isto, pouco mais há a comentar sobre o mais recente delírio do Ktreta. Eu afirmei que a prostitução é uma corrupção moral, logo, era a mim que a justificação da afirmação teria de ser cobrada, mas o homem passou-se completamente da cabeça e começa, a partir da minha afirmação, a atacar a religião por supostamente ser contra as mulheres e o prazer sexual, ou porque quer controlar a vida e a liberdade das pessoas. Que alguns bem intencionados comentadores religiosos tenham levado a discussão para defender a religião das acusações patetas do Ludwig, é respeitar e elevar a categoria de debate um texto que não merece tal distinção, de tão ilógico que é. O texto começa com declarações minhas e o Ludwgi começa por criticá-las. A partir do momento em que a crítica muda para "E para a as religiões isto é o pior.", entramos num non sequitur sem ponta por onde se pegue. Eu nem sequer falei em Deus para justificar a minha consideração de que a prostituição é imoral. De onde surge assim a choraminguice de que as religiões inventam "regras picuinhas, intrometidas e injustas", senão daquilo que deve ser mesmo um caso grave de senilidade precoce?
Eu sou alguma religião ou considerar algo imoral e prejudicial é o mesmo que impedir alguém de o fazer? Não terei eu o direito a expressar o que penso, sem ser acusado de falar pelas religiões ou pelo "grande Chefe no céu que assim manda"?
Que o gajo tenha a opinião de que "Inventar religiões é um passatempo para homens e a sexualidade feminina é o bicho papão", é lá com ele. Prove este lugar-comum como realidade se conseguir, que eu cá não vejo necessidade de defender nenhuma religião de crítica tão original, inteligente e informada...

E também não fiz, ao contrário do que o tipo diz, qualquer "correlação" entre a opinião do Ludwig sobre a prostituição e o seu "ateísmo". O que eu referi como bom exemplo de NEO-ATEÍSMO foi a sua argumentação pueril sobre um caso relacionado com futebol que acabou no Ministério Público. A sua argumentação, a sua lógica, o seu modo de pensar, não a opinião ou gosto que ele tenha quanto a mulheres prostituídas ou homens do futebol.

Posso concluir que este tipo só deve pensar em religião noite e dia e aproveita qualquer pretexto para mentir sobre o assunto. Alguém que acredita na existência de Deus espirra, e ele começa a escrever sobre o supersticioso e discriminatório acto de se dizer "santinho", inventado pelas religiões para oprimir e mais não sei o quê...

Quanto a considerar a prostituição uma "profissão" tão digna e necessária como qualquer outra, não invejo a sorte das crianças que possam ser educadas por quem tem ideias tão progressistas, pois pessoalmente não gostaria de ter um pai que visse na prostituição uma saída profissional tão aceitável e digna como operário fabril ou treino desportivo de alto rendimento. Seria até caso para perguntar de quantas prostitutas é este tipo amigo próximo, se as leva lá a casa e se aceitaria de bom grado que a sua mãe, irmãs, esposa ou filhos fossem a uma entrevista de "emprego" para a função em causa. Mas é melhor não entrar por aí, em vez de entender isto como perguntas retóricas para o confrontar com a sua (des)honestidade, o Ludwig ainda acabaria a escrever um texto acusando a religião de querer obrigá-lo a fazer não sei o quê...

* Actores pornográficos têm grandes probabilidades de morte por cirrose hepática, uso de drogas, acidentes de automóvel, homicídio , SIDA, VIH, ataque cardíaco e suicídio através de overdose, arma de fogo, salto de edifícios, asfixia ou enforcamento, entre outras causas.

Neo-Ateísmo, Retórica Ad Baculum

Luciano Ayan comentou o texto A laicidade como condição de sobrevivência, da autoria de Carlos Esperança, recentemente publicado no Diário Ateísta.

Sugiro a leitura e pouco mais tenho a acrescentar. Digo apenas que se deve ter em consideração que a "laicidade" defendida pelo presidente da associação ateísta portuguesa, é o ateísmo de estado. Em vez de neutralidade em relação à religião, o neo-ateísta exige que o estado se afaste de tudo o que seja religioso, pressupondo que tudo o que é religioso é mau e contrário ao interesse do estado ( menos os subsídios de natal obrigatórios por lei para todos os trabalhadores e pensionistas, claro).

Sábado, 18 de Dezembro de 2010

Portal Ateu e a Publicidade Ateísta

No Brasil, uma associação de neo-ateístas, ATEA, lembrou-se de fazer uma campanha publicitária em autocarros, e a coisa correu mal. Por cá, o Portal Ateu noticiou o caso, onde se pode ver que a propaganda resumia-se a chamar nazis aos crentes em Deus, culpá-los (incluindo os que morreram no atentado) pelo 11 de Setembro, classificar os que têm fé como ignorantes sem respostas e impedidos de fazer perguntas; e afirmar que, havendo várias concepções de Deus, implica que somos todos ateus, mesmo que alguns acreditem numa como verdadeira.

Tendo em conta que a esmagadora maioria da população brasileira é religiosa ou crente em Deus, é caso para dizer que estes neo-ateus não ganhariam a vida como publicitários. Insultar o público alvo de uma campanha, não é a coisa mais inteligente para vender um produto. Talvez por isso, as empresas contactadas optaram por não avançar com o negócio. Além de que parece existir uma lei municipal por lá, que proibe publicidade religiosa em autocarros. Mas disso já falou com mais detalhe, o autor do Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo.
O que me interessa mais é analisar a reacção de Ricardo Silvestre ao não seguimento desta campanha publicitária. Começa com ironia:

"Como podem ver, uma “violação”! Aos olhos, à mente, às crenças, aos dogmas… dos fanáticos religiosos."

Ironia, que lhe sai ao lado. O fanatismo está todo nas mensagens , generalizando e mostrando hostilidade contra os religiosos. Reconheçamos: quem gostaria de ser associado ao 11 de Setembro ou Adolf Hitler, sem ter nada a ver com esses assuntos? De resto, não foram "fanáticos religiosos" a impedir a campanha de ir para a frente, mas empresas com experiência no ramo e conhecedoras da legislação do sector. Mas o camarada Silvestre envia a sua solidariedade aos revolucionários brasileiros:

"Os nossos desejos de o maior dos sucessos nesta luta que se avizinha para a ATEA! Que mantenham a coragem de fazer o que é correcto."

Ok. Fique registado que segundo a linha editorial do Portal Ateu, insultar os crentes em Deus e religiosos é "fazer o que é correcto".
Recordo que em Maio de 2010, Ricardo Silvestre anunciou o insucesso do Movimento Ateísta Português que ele preside, em erguer um cartaz em Lisboa contra a visita do Papa, acrescentando que, se dependesse dele, teria sido espetado um cartaz em Lisboa com isto: "Ratzinger: protector de pedófilos e promotor de irracionalidade." Se a coisa fosse para a frente, quão fanáticos seriam, suponho, todos os que ousassem criticar tamanha idiotice.

Se algum dia o Portal Ateu conseguir juntar as verbas necesssárias para publicidade em cartazes ou autocarros, deixo-lhes abaixo três sugestões. Ao contrário dos cartazes da ATEA, asseguro que estes são mesmo sobre o ateísmo proposto pelos ateus militantes. E também que não há uma única linha neles, que seja falsa:


Ausência de Crença não é Sinónimo de Inteligência:

Neo-Ateísmo, Surdez Crónica

Por William Lane Craig.

O video será acrescentado ao texto Ónus da Prova, que já está na barra dos textos referência, à esquerda.

Resumindo o problema:

Não aceito/conheço qualquer prova da existência de Deus; é uma posição a respeitar, mas impossível de ser debatida. A ignorância/não aceitação, são problemas pessoais. Ninguém tem o ónus de ensinar religião, apologética, filosofia ou teologia a um neo-ateu, para o convencer a acreditar em Deus. Se ele se diz ateu por questão de racionalidade, terá de se partir do princípio que ele conhece os bons e vastos argumentos para a existência de Deus, e consegue colocar-lhes objecções importantes e sólidas. Caso contrário, fica só com a afirmação do ateísmo pelo lema sou ateu porque ninguém me convence de que estou errado. Ou seja, retórica de incredulidade pessoal e petição de princípio como forma de justificar a suposta racionalidade da crença ateísta, a de que Deus não existe.

*Para quem quiser confirmar a postura neo-ateísta referida por Craig, o debate com Lewis Wolpert encontra-se no Youtube.


Surdez Neo-Ateísta:

Doença originada pelo acto de tapar as orelhas com as mãos besuntadas em super-cola.

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Ludwig Krippahl em Paralaxe Cognitiva

O autor do Ktreta tentou responder a uma questão que levantei no texto Ónus da Prova. Esse problema que o neo-ateu tem entre mãos, dá-se por três posições contraditórias:

-Não acredito na existência de algo, sem provas.

-Não tenho de provar a inexistência de Deus: inexistências não se provam.

-O meu ateísmo é ausência de crença em Deus, pois não existem provas de Deus.

Resultado:

Não existem provas de Deus + Não se provam inexistências = Acredito que não existem provas de Deus, mas não posso provar isso.

Para quem diz que só acredita se tiver provas, é obra!

Confrontado com isto, Ludwig Krippahl deu sete piruetas, como se pode ver nos comentários de um artigo seu:

"Só acredito em proposições, pois não posso acreditar nas coisas em si"

Se o pensamento kripphalizado só acredita em proposições, e como estas são sempre relativas a coisas em si, significa que as proposições kripphalizadas só podem ser verdadeiras de uma única maneira: elas é que definem a realidade, e não a realidade que as define como verdadeiras ou falsas. No seu dia-a-dia, o Krippahl não acredita nas coisas em si como reais, mas no seu pensamento em si mesmo como criador de proposições. Ou de realidade. Que em kripphalês parece ser o mesmo.

"Acredito em proposições que passem as provas, os testes a que as submetemos, e não apenas as que sejam provadas como se faz na matemática, até porque isso exigiria acreditar em axiomas sem prova."

Cá está. Por outro lado, toda a cognição de crença krippahliana se resume a um extenso e interminável teste de axiomas. Tudo tem que ser testado, provado empiricamente. Levar muito a sério a matemática acaba por ser uma superstição, pois mais tarde ou mais cedo exigirá acreditar em axiomas indemonstráveis, que não podem ser testados ou provados.Por exemplo, A=A não pode ser testado, logo o Kripphal não acredita nisso. Quer dizer, ele se calhar até pode acreditar e não acreditar, ser e não ser simultaneamente, pois o princípio da identidade nunca foi testado em laboratório. Mas, atenção:

"Uma proposição passa na prova quando as evidências indicam ser mais plausível que as proposições alternativas, como a sua negação."

E como ele só acredita em proposições e não nas coisas em si, significa que as "evidências" são sempre proposições. A matemática não prova nada, mas o pensamento de Kripphal, fechado às coisa em si, é absoluto. Aquilo que ele determina, passa a ser. Duvidam?

"À partida, uma proposição da forma "X existe" é pouco plausível porque há infinitamente mais proposições que se possa conceber do que entidades que realmente existam."

Viram algum teste levando a esta conclusão? Não. Tudo tem que ser testado, com a excepção da garantia de que tudo tem de ser testado e restante metafísica krippahliana sobre conhecimento. A ausência de testes não o impede de até colocar em causa a sua própria existência. Podendo-se conceber, infinitamente, mais entidades "Ludwig Krippahl" do que aquelas que realmente existem, é pouco plausível que Ludwig Krippahl realmente exista. Informou-nos o próprio.

"Por isso, uma proposição da forma "X existe" tende a ser menos plausível, à falta de evidências para a existência de X, do que a sua negação."

Pois, mas não se podendo acreditar na coisa "indivíduo chamado Krippahl" em si, a sua presença física e manifestação escrita não servem de evidência. Só podemos acreditar em proposições, e não nas coisas em si.

"Assim, acredito que o Pai Natal não existe, nem Osiris, nem o Super-Homem, nem a fada Sininho, nem nenhum dos milhares de deuses que por aí se adora."

Compreendo. Está determinado que todas as concepções de Deus, são comparáveis ao Pai-Natal e Super-Homem. O método para chegar a tal conclusão é este:

-Só acreditar em proposições.
-Acreditar em proposições que passem as provas, os testes.
-Ter a noção de que uma proposição passa na prova, com evidências.
-Ter a noção da possibilidade de conceber mais entidades do que aquelas que realmente existem.

Os princípios orientadores da aplicação do método são:

-Não se pode acreditar nas coisas em si.

-Demonstração matemática (lógica) não é prova.

Portanto, se quiserem testar, provar e analisar evidências, não se fiem na lógica nem nas coisas em si. Peçam a resposta ao Professor Kripphal. Que me avisa:

"Como, ao contrário de ti( eu, o Jairo), não sinto necessidade de inventar regras ad hoc só para salvar um desses deuses, chego à mesma conclusão acerca do Jahvé que os judeus inventaram."

A proposição "Jairo é um inventor de regra ad hoc para acreditar em Jahvé", é absoluta e inquestionável. Não é preciso demonstrar quando terei feito isso, até porque implicaria invocar uma coisa em si, como fosse um texto meu. E nas coisas em si, não podemos acreditar.

Conclusão
O problema que eu coloquei ao Ludwig Krippahl pode ser resumido assim:

-Dizes que só acreditas no que pode ser provado. Então, em que te baseias para acreditar que as provas de Deus não existem, se também afirmas que a inexistência não pode ser provada?

A resposta que ele me deu, ficou à vista de todos: há muitas concepções de Deus e ele não acredita nas coisas em si. A inexistência continua impossível de ser provada, mas é certinho que não existem provas de Deus.

Teísmo.Net

O nosso amigo brasileiro Paulo Junio de Oliveira abriu um novo site:

Agradeço que divulguem este novo espaço, onde podem encontrar vários textos em resposta aos "argumentos" neo-ateístas, de autores como Plantinga ou Lane Craig, mas sobretudo da blogosfera religiosa/cristã de Língua Portuguesa. O endereço será incluído na barra, à esquerda, Neo-Ateísmo Cilindrado.


Obrigado!

Neo-Ateísmo e o Ónus da Prova

É impossível debater com um neo-ateu qualquer argumento sobre Deus. O militante do ateísmo por um mundo melhor, é um crente fanático que se convenceu a si mesmo da certeza absoluta do principal pilar da sua fé:

-Sou ateu, os que não são têm o ónus de me provar que estou errado.

Mesmo que ignoremos este ponto de partida falacioso, sendo ingénuos ao ponto de expor argumentos sobre Deus a quem nunca esteve interessado nisso, não iremos muito longe na tentativa de debate porque o neo-ateu, ignorando propositadamente qualquer argumento apresentado, tira logo outra carta da manga:

-Não fiquei convencido. Preciso de provas empíricas daquilo que estás a dizer.

Resumindo, o neo-ateu torna a sua crença a referência do debate (retórica de incredulidade pessoal) e limita o âmbito de uma discussão metafísica, e a realidade, à verificação empírica de "provas". Na maior parte das vezes, ele genuinamente ignora não ter qualquer prova empírica para acreditar que, sendo ateu, todos os que não o são têm de lhe prestar contas; ou que um argumento se desmonta alegando "não acredito nisso". O neo-ateu pretende que a sua metafísica a martelo seja a única referência possível de um debate, mas também que a lógica dos argumentos que lhe apresentam seja inválida por não ser prova empírica.

Um debate sério, ou mesmo uma militância respeitável pela difusão de uma ideia/crença, tem de se reger por este princípio:

-Quem propõe/alega/acusa/afirma, tem o ónus de demonstrar a veracidade daquilo que diz.

Para fugir a isto, o neo-ateu agarra-se a mais três bóias de salvação:

-Não se consegue provar a inexistência.

-Não dou como certo que Deus não existe. O meu ateísmo é apenas ausência de crença na existência de Deus.

-A minha ausência de crença é racional, porque não existe qualquer prova da existência de Deus.

E o círculo completa-se: não há qualquer prova da existência de Deus, convençam-me do contrário; não fiquei convencido, não há qualquer prova da existência de Deus... O neo-ateu pretende que uma convicção e crença pessoal sua seja aceite como verdade absoluta e inquestionável em debates sobre a existência de Deus.
Ele afirma: não há provas da existência de Deus. E imagina que não lhe cabe demonstrar isso, bastou dizer e a alegação torna-se verdade absoluta.
Ele confessa: esse argumento não me convenceu. E imagina que a sua convicção, por si só, é demonstração objectiva de que o argumento não tem sentido.

Um debate digno desse nome não pode ocorrer nesses moldes. A referência da discussão Deus existe? é a EXISTÊNCIA e não a CRENÇA na existência. O lado defensor do ateísmo tem o ónus de apresentar argumentos desfavoráveis à existência; o lado oposto tem o ónus de apresentar argumentos favoráveis.
Alegar "não fiquei convencido", vale zero como demonstração da inexistência ou refutação de qualquer argumento favorável a ela. Afirmar "não há provas da existência", sem mais, é petição de príncípio.

A impossibilidade de provar uma inexistência, é outra treta. Definindo as características ou natureza daquilo que se procura, em determinado âmbito ou contexto, consegue-se provar como inexistente algo que não o seja mesmo.
Repare-se, o neo-ateu está convencido da inexistência de qualquer prova sobre a existência de Deus, mas garante que a inexistência não pode ser provada. Assim, ele assume estar convencido de uma coisa, que dá como impossível de ser provada. Como o podemos levar a sério, quando ele se auto-elogia como o ser racional que só fica convencido de algo, se tiver provas?

Quanto o neo-ateu afirma ter apenas ausência de crença na existência de Deus, está a dizer que não tem a certeza sobre a inexistência de Deus, logo não pode considerar irracional a crença de que Deus existe. Ele só poderia estar seguro disso, se estivesse certo e conseguisse demonstrar a inexistência.

Quem toma conhecimento de um conceito, pensa sobre ele e chega a uma conclusão sobre a sua inexistência ou existência, nos dois casos desenvolveu uma crença sobre o assunto. Ausência de crença têm as árvores, as pedras,os cães e todos os seres/entidades que ignoram conceitos e são incapazes de desenvolver crenças sobre a realidade. Existem pessoas divididas ou sem convicção formada sobre Deus? Sem dúvida, há até quem seja indiferente à questão. Mas mesmo essas pessoas não a ignoram totalmente. Já têm uma crença relacionada, nem que seja a de que é impossível saber, ou desnecessário perder tempo a pensar se Deus existe ou não.
Não é o caso de um neo-ateu, que cria associações "ateístas" e milita por um mundo melhor, garante-nos, mais pacífico, próspero e tolerante se a crença em Deus deixar de influenciar as pessoas e as sociedades. Ao dar como garantido que acreditar em Deus é irracional e uma ilusão, o neo-ateu manifesta a sua crença inabalável de que Deus não existe. Afinal, como se pode garantir que determinada crença é irracional, perigosa, demente, ilusória, fantasiosa e comparável a acreditar no pai-natal; sem isso implicar que se está a dar como certa e garantida a inexistência do objecto de tal crença?

Termine-se de uma vez por todas com essa fantochada do ónus da prova: o ateísta militante por um mundo melhor está convencido de que Deus não existe e diz publicamente que pensar o contrário é irracional. Ele assegura que qualquer pessoa que acredita em Deus, não tem razão válida para isso.
Uma pessoa que acredita em Deus, ao debater com um neo-ateu já está a ser acusada de não ter motivos para acreditar, sem ter ainda aberto a boca. Partindo do princípio de que é quem acusa, quem tem o ónus de provar, e que ninguém tem o ónus de convencer um ateu a deixar de o ser; cabe ao neo-ateu a obrigação de demonstrar a veracidade da sua crença.

Os que acreditam em Deus não têm o direito de exigir a um ateu que se justifique se a sua posição for "acredito que Deus não existe, e nada me convenceu do contrário". Não se pode importunar ou insultar quem pense assim.
Da mesma forma, o neo-ateu não tem razão para tomar a sua crença na inexistência de Deus, como prova absoluta da inexistência, a um ponto tal que lhe desse o direito de insultar os que não são ateus. O neo-ateu inverte tudo: acusa e exige que o acusado se justifique perante ele. Para demonstrar algo como irracional, grunhir não basta.

Conclusão

O fanático ateu militante eleva bem alto a fasquia:

-Não existem provas da existência de Deus

-Acreditar em Deus é irracional.

-O mundo seria melhor e as pessoas mais felizes, se a crença em Deus deixasse de ter influência.


Ele tem o ónus de provar as suas afirmações e a racionalidade das suas promessas!




*Video encontrado em Teísmo.Net

Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Portal Ateu e Irracionalidades

Ó Ricardo Silvestre, parece que me queres dizer alguma coisa, mas estás intimidado em dirigir-me a palavra. Vamos quebrar o gelo, desta vez respondo-te directamente. A Agência Ecclesia noticiou:

“Bento XVI referiu hoje (…) que os seres humanos experiamentam diariamente a experiência do mal, “que se manifesta de muitas maneiras nas relações e nos acontecimentos”. O Papa evocou depois o papel de Satanás e frisou que “na origem de todo o mal está a desobediência à vontade de Deus”, pelo que a morte “assumiu o domínio porque a liberdade humana cedeu à tentação do Maligno”.(…)Em conclusão, o Papa confiou à Virgem Maria “as necessidades mais urgentes da Igreja e do mundo. Que ela nos ajude sobretudo a ter fé em Deus, a acreditar na sua Palavra, a rejeitar sempre o mal e a seguir o bem”.”

Por coisas como esta, ficas zangado. E reages como é costume, atenção, não se deve, não se pode, dar ouvidos a quem tu não gostas:

"Como eu tinha dito (...) nada melhor que as opiniões do Sr. Ratzinger para exemplificar o porque de pessoas como eu acharem que o “líder espiritual máximo” é um entrave para o avanço da Humanidade."
Mas isso é porque as pessoas como tu acham que sabem para onde é que a Humanidade ( não te contentas com pouco) tem de avançar. Nitidamente, os teus fígados revoltam-se quando constatas que muitos poucos te querem como guia. Nomear alguém como "entrave do avanço da Humanidade" é interessante. Deve ser por isso que o projecto do qual és líder máximo publica regozijo por agressões físicas ao Papa. Quem prejudica uma Humanidade inteirinha, até merecia pior castigo, não era?
*Porquê, por quê, por que, porque

"Depois de andar a invocar “o espírito” para “iluminar decisões, agora é o “maligno” que está na origem de todo o mal? "
Não, senhor racional. O que o texto diz é que a desobediência a Deus é a origem de todo o mal. Por discordares, isso não faz da afirmação uma "irracionalidade". A não ser que tu sejas deus, referência absoluta do bem, e que desaprovar a tua vontade seja condição imediata e necessária de irracionalidade. Agora que falo nisso, tendo em conta que só usas retórica da exclamação e indignação para demonstrar o porque de pessoas como tu acharem que alguém é um entrave à Humanidade, parece-me bem que sim. Achas-te mesmo divino. Tens a certeza de que és ateu?

"E é assim que o “líder espiritual máximo” dos católicos apresenta a sua versão de como funciona o ser humano, a sociedade e a humanidade."
Não. É assim que o líder dos católicos, ( coisa que tu já não és, certo?) apresenta a doutrina cristã sobre como funciona o mal. Volta a ler o tex...esquece!

"Por um lado há “espíritos que iluminam”, por outro lado há “satanás e o maligno”."
...e por outro há Silvestrás, o asinino. Não levarás esta a mal. Não levaste quando o teu camarada Grave Rodrigues tratou com o mesmo carinho uma plateia de senhoras de meia-idade e idosas, que se atreveram a aplaudir um padre. Desses debates é que tu gostas, não é campeão?

"E é a igreja uma fonte de progresso e de racionalidade? A sério??"
Depende.Se tivermos em consideração a cultura cristã, comparada com a cultura da antiguidade pré-cristã, é capaz de ser.
É que isto de avaliarmos progresso e racionalidade, necessita de referências.Por exemplo, tu pensas saber para onde tem de avançar a Humanidade, mas temos poucas garantias de que essa bússola que recebeste de brinde no kit de ateísmo técnico da loja online do Dawkins, esteja em bom estado de funcionamento.

"E os crentes que dizem que estas alegorias de satanás, e do inferno, e dos demónios não é literal, nem sequer verdadeiro."
E os crentes que dizem que estas (...) não é. Tens a certeza de que estavas a tentar comunicar em português?
Já agora,viste alguma alegoria sobre satanás, inferno ou demónios no discurso que citaste, foi? Enfim...

"Que dizem esses crentes perante estes constantes apelos ao obscurantismo e histeria religiosa?"
Obscurantismo, irracionalidade, obscurantismo, irracionalidade, blá, blá, blá... Não conheces mais palavras? Vê lá se acompanhas musicalmente isso com a sequência C, G, Am, F. Pode ser que consigas um hit.
Sobre a histeria, não vi nenhuma nas citações das declarações de Ratzinger. Tu é que me pareces muito nervosinho sempre que algum líder religioso se atreve a dizer o que não gostas. Não sei qual é o teu conceito de histeria. Vamos tentar descobrir, jogando ao Histeria é:

1-Insultar todos os que se atrevam a participar em cerimónias religiosas ao ar livre e em plena luz do dia;

2-Culpar todos os que rezam e toleram rezas pelos doentes, como responsáveis pela morte de uma criança;

3-Ser um sádico adepto da lei de talião:

"E quanto a este monstro, que reze muito. Que reze até sair sangue pelas narinas e pelos olhos. Que reze até ficar sem insulina e que sinta o que a filha sentiu enquanto se contorcia de dores numa cama."

???

"E é esta a contribuição que querem ter para a sociedade?"
Se o líder máximo do Portal Ateu não se importar que os católicos façam parte e contribuam para a sociedade, sim. Mas podemos sempre começar a construir guetos para isolar os católicos, os que entravam o avanço da Humanidade.

"E depois admiram-se de terem pessoas a desafiar estas baboseiras?"
Pela minha parte, admira-me é que te imagines capaz de desafiar ou demonstrar como baboseira uma única linha de um discurso que leias. Estou a reinar, não me admiro nada. Vê-se que tens bastante confiança em ti próprio.

"E já agora, continuem a pedir “à Virgem Maria ajuda para as necessidades mais urgentes da Igreja e do mundo”, no lugar de entregarem os criminosos à justiça, no lugar de promover a ciência e a tecnologia, no lugar de não criarem problemas de saúde pública como criam e vão ver que não há “virgem” que vos valha."

Exacto. O teu guru Tatchell, destacado ateísta, é que percebe de criminosos e justiça:

Há homens que têm sexo com crianças de 14 ou 15 anos, e isso é, de acordo com a lei, abuso de menores. Como forma de acabar com o abuso sexual de crianças com 15 ou 14 anos, eu proponho que paremos de chamar a isso abuso sexual

Sobre ciência e tecnologia, és capaz de ter razão. Afinal, foram associações de ateus como a tua que criaram a Universidade. E os católicos fartam-se de criar problemas de saúde pública: para além de enviarem missionários para todo o mundo com o objectivo de tratar e cuidar de doentes, quando os hábitos irracionais e doentios defendidos pelos católicos são adoptados, populações inteiras sofrem horrores.

Não te esqueças de juntar a hipótese 4 ao Histeria é:

-Acusar uma comunidade de não entregar criminosos à justiça e de criar problemas de saúde pública, só por não se gostar dos valores e princípios defendidos por essa comunidade.

Para a histeria anti-católica militante, não conheço nenhuma solução. Mas para a azia, posso sugerir-te algo:

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