Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Luís Grave Rodrigues e a Pena de Morte

Truncar,
v. tr.
1. Cortar do tronco.
2. Mutilar.
3. Omitir parte importante de uma obra literária.
4. Cortar por um plano secante.

No Diário Ateísta, uma vez mais, relaciona-se a Igreja Católica com a pena de morte. Não se percebe o que tem este anúncio a ver com "ateísmo". Imaginado que tal propaganda era afinal a demonstração de que a Igreja Católica defendia a pena de morte, o ateísmo materialista continuaria sem nos fornecer uma referência objectiva que permitisse concluir que defender a pena de morte é uma coisa errada.

Sabemos que o Diário Ateísta é habitado por lunáticos que acreditam em coisas como esta:


Mas para um ateu defender a absoluta imoralidade da pena de morte é preciso muito mais do que a sua crença fantasiosa de que:

a) o ateísmo tem fundamento moral objectivo para a condenar,
b) o ateu, por definição, tem de ser contra a pena de morte.

Então, continuamos à espera que o Diário Ateísta forneça argumentos para fundamentar a razão pela qual, segundo o ateísmo, a pena de morte seria uma coisa errada. Enquanto esperamos, podemos verificar que Grave Rodrigues usou a imagem de uma cadeira eléctrica e uma citação do catecismo para criar o boato de que a Igreja Católica é a favor da pena capital. Quanto à cadeira eléctrica, o ensino tradicional da Igreja não a refere. Quanto à citação, Grave Rodrigues oculta para que a ideia passada seja aquela que lhe convém.

Ele cita: "A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte". Mas omite que o catecismo coloca esta questão ao nível da legitima defesa , retirando um trecho de um artigo mais vasto, sobre o quinto mandamento ( Não Matarás). A citação do parágrafo INTEIRO é esta:

"A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor."

Não excluir o recurso à pena de morte SE for a ÚNICA solução de legítima defesa; é muito diferente de ser favorável à pena de morte como punição de um responsável culpado. A truncagem de Grave Rodrigues serviu para passar a mentira que a posição do catolicismo é a última.

Se lermos o restante texto do catecismo sobre a pena de morte, o caso ainda se torna pior para os fanáticos do Diário Ateísta:

"A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor. Contudo, se processos não sangrentos bastarem para defender e proteger do agressor a segurança das pessoas, a autoridade deve servir-se somente desses processos, porquanto correspondem melhor às condições concretas do bem comum e são mais consentâneos com a dignidade da pessoa humana. Na verdade, nos nossos dias, devido às possibilidades de que dispõem os Estados para reprimir eficazmente o crime, tornando inofensivo quem o comete, sem com isso lhe retirar definitivamente a possibilidade de se redimir, os casos em que se torna absolutamente necessário suprimir o réu «são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes»"

 Grave Rodrigues é um mentiroso ( por omissão) e um reles propagandista anti-católico. Ele, como apoiante da criminosa lei do aborto que vigora em Portugal, não tem qualquer legitimidade para se fingir contra a pena de morte.

Mesmo nos casos de católicos ( e não o catecismo) que defendem a pena de morte como punição de crimes,  temos alguém que defende a pena de morte para culpados. Já pessoas como Grave Rodrigues apoiam uma lei que pune inocentes com a morte.

Quem defende a legitimidade do aborto, necessariamente a cruel e injusta execução de um inocente, não tem qualquer  moral para criticar aqueles que defendem a execução de culpados:

RU-486 - O funcionamento desta droga consiste em bloquear a progesterona. Sem esta hormona, o revestimento uterino não fornece alimento, fluidos e oxigénio ao feto em desenvolvimento que nestas condições não consegue sobreviver.
Metotrexato - A administração desta droga ( toxina celular) tem um tempo de acção muito semelhante ao RU-486, mas trabalha de um modo diferente. Enquanto que a RU-486 acaba por provocar a morte ao feto por fome, esta droga é um veneno que actua directamente no feto em desenvolvimento, matando-o.
Aspiração - A força da sucção despedaça o corpo do feto. A placenta que se encontra enraizada profundamente no útero é então cortada da parede uterina e é aspirada juntamente com o feto. É o método mais comum nos abortos realizados durante o primeiro trimestre de vida.
Envenenamento salino- Solução salina concentrada injectada no fluido amniótico. O liquido contendo a toxina mortal vai sendo ingerido lentamente pelo feto, envenenando-o e queimando-lhe a pele e os pulmões. O mecanismo de morte induzido por este agente químico tóxico é a hipernatremia [ aumento de concentração de sódio no sangue, ultrapassando os limites normais ] que causa espasmos, vasodilatação generalizada, edema [ inchaço causado pela acumulação anormal de fluidos nos tecidos, especialmente nos tecidos subcutâneo e submucoso ], congestão, hemorragia, choque, e por fim a morte. Este processo prolonga-se por algumas horas.Quando é realizado com “sucesso” a mãe entra em trabalho de parto um dia depois, dando à luz um bebé morto ou moribundo.
Embryotome – instrumento usado para cortar a cabeça, as pernas e braços do bebé;
Tire-tete – usado para segurar a cabeça do bebé com suas pontas afiadas. Uma vez segura, uma longa haste perfurante é enfiada bem fundo na crânio do bebé para que, quando ela for separada do corpo, não fique solta no útero da mãe;
Cranioclast – usado para esmagar o crânio do bebé para que sua retirada do útero seja facilitada;
Decapitador de Jacquemier – usado para decapitar a cabeça do bebé;
Perfurador cranial Luer – usado para perfurar um orifício na cabeça do bebé e facilita, desta forma, seu esmagamento."

Bebé com 10 semanas de gestação
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Sobre a posição da Igreja Católica sobre a pena de morte, leia ainda:


*Católica "reaccionária" "fundamentalista" "ultraconservadora" e "medieval" louva a abolição da pena de morte.


1 comentários:

  1. Segundo a doutrina da Igreja, a pena de morte não é ilícita em si mesma. A doutrina católica sempre reconheceu a legitimidade do recurso à pena de morte quando esta é a ÚNICA maneira de defender a sociedade e punir justamente o agressor. A pena de morte é legítima segundo os princípios católicos, o que não impede um católico de ser contra a pena de morte em determinado momento e em determinada época. Por exemplo: um católico pode ser a favor da pena de morte na Idade Média e ser contra hoje. Por princípio, o católico não exclui o recurso à pena de morte, mas pode ser contra a aplicação concreta em determinada época. E é claro que há divergência de pensamento nos católicos: alguns defendem a pena de morte ainda hoje, outros não. Eu mesma defendo a pena de morte, mas apenas em ÚLTIMO CASO, como um ÚLTIMO RECURSO, somente SE não houver nenhum outro meio de defender a sociedade e punir eficazmente o criminoso. Só SE nem o recurso à prisão perpétua adiantar... E ainda assim, somente em casos de crimes hediondos... Jamais defenderei a pena de morte em qualquer circunstância. Ainda assim, claro que prefiro meios não sangrentos... Por isso defendo a pena de morte somente em ÚLTIMO CASO.

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