«“Seres humanos”??? “Seres humanos”? Conjuntos de 16 células são “seres humanos”, com manias, com vontades, com filosofias, com crenças, com saberes, com escolhas políticas, com opções por arte, com certezas e convicções? “Seres humanos”? Tal como os que caminham na terra? Um conjunto de 16 células é um “ser humano”. Ainda me haverás de dizer, Bernardo, onde é que tens a prova legal ou científica para chamares a uma interrupção voluntária de uma gravidez como “a morte de seres humanos"»
Comentário dirigido ao Bernardo Motta, na caixa de comentários deste artigo.
Como a pergunta aparentemente é retórica, podemos concluir que, segundo Ricardo Silvestre, o que define um ser como humano é ter mais de 16 células, manias, vontades, filosofias, crenças, saberes, escolhas políticas, opções por arte, certezas, convições e caminhar na Terra. Então, cabe-lhe é a ele explicar a prova científica que sustenta os seus critérios para definir o que é um ser humano...
Obviamente que tal prova não existe.
-A humanidade de um ser não está dependente do seu número de células, mas da natureza dos seus genes enquanto ser vivo individual.
-Um ser não se torna não-humano caso perca capacidade de ter "manias, vontades, filosofias...( e restantes critérios arbitrariamente referidos). Portanto, não é quando ganha ou por ter tal capacidade que um ser se torna humano.
-Sobre o "igual aos que caminham na Terra", ter incapacidade de andar na Terra ou estar ausente numa viagem subaquática ou espacial , não retira humanidade a um ser.
Note-se que ele usa o eufemismo "interrupção voluntária da gravidez", mas o Bernardo referiu-se ao acto de abortar e não ao de interromper uma gravidez. É que uma grávida ainda não gera um interruptor na barriga para lhe ligarmos e desligarmos a gravidez, mas uma gravidez de facto, cujo abortamento implica a destruição irreversível de um ser humano.
Eu não tenho mandato para responder em nome do Bernardo, mas posso sugerir ao Ricardo Silvestre algo muito simples. E faço-o porque o Bernardo autorizou-me a divulgar neste blogue dois trabalhos seus:
Isto demonstra que o Bernardo não está por dizer o porquê de afirmar que abortar é matar um ser humano. Então, se Ricardo Silvestre quer mesmo saber, e está realmente na dúvida, que tal ler aquilo que o Bernardo escreve publicamente sobre o assunto, e depois dizer o que pensa do que leu?
Outro reparo: a questão nunca pode ser onde está a "prova legal" de que abortar é matar um ser humano, Caso contrário, também podíamos defender o antissemitismo nazi na Alemanha dos anos 30 e 40 do século XX, argumentando "onde está a prova legal de que roubar e matar um judeu é roubar e matar um ser humano?". As leis do estado são convenções. Podem ser justas ou injustas, morais ou imorais, adequadas ou desfasadas da realidade; mas nunca assim consideradas por um critério de auto-referência.
Já em termos científicos, se Ricardo Silvestre não pretender ler os textos do Bernardo, eu posso explicar-lhe resumidamente, com breves citações, o porquê de abortar ser, sem dúvida alguma, a morte de um ser humano. Mas antes, algo que é de senso comum:
-Qualquer médico que realiza abortos, define e executa metodicamente a destruição de um ser concreto e específico. Os abortos não são cometidos contra o vento. Pelo contrário, são actos cirurgicamente destruidores. Destruir um ser físico e vivo, é sinónimo de matá-lo. Não há diferença.
Espero não ser preciso provar "cientificamente" que estar vivo é o contrário de estar morto. Abortar, mata. Se abortar não implica a destruição de um ser vivo, para impedir que ele se desenvolva e nasça, qual o motivo para realizarem abortos? Ter filhos?
Um aborto também não é um método contraceptivo. Ele não impede uma concepção. Destrói um ser já concebido e em desenvolvimento. É um método de matança.
Resta perguntar: o aborto mata quem? Pois é isto que diz a ciência:
"Se o ovo fertilizado não é nele mesmo humano, então nunca se poderia tornar num humano porque nada mais é acrescentado a ele" (Jérôme Lejeune, geneticista, e responsável pela descoberta do síndrome de Down)
"É cientificamente correcto afirmar que vida humana individual inicia no momento da concepção."
(Dr. M. Matthew Roth, Universidade Médica de Harvard)
(Dr. M. Matthew Roth, Universidade Médica de Harvard)
“Zigoto. Esta célula resulta da fertilização de um oócito por um espermatozóide e é o início de um ser humano… Cada um de nós iniciou a sua vida como uma célula chamada zigoto.” (K. L Moore. The Developing Human: Clinically Oriented Embryology (2nd Ed., 1977), Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)”
"Da união de duas dessas células [espermatozóide e oócito] resulta o zigoto e inicia-se a vida de um novo indivíduo. Cada um dos animais superiores começou a sua vida como uma única célula.” (Bradley M. Palten, M. D., Foundations of Embryology (3rd Edition, 1968), New York City: McGraw-Hill.)”
"A formação, maturação e encontro de uma célula sexual feminina com uma masculina, são tudo preliminares da sua união numa única célula chamada zigoto e que definitivamente marca o início de um novo indivíduo “. (Leslie Arey, Developmental Anatomy (7th Edition, 1974). Philadelphia: W. B. Saunders Publishers)”
"O zigoto é a célula inicial de um novo indivíduo” (Salvadore E. Luria, M. D., 36 Lectures in Biology. Cambridge: Massachusetts Institule of Technology (MIT) Press)
“Sempre que um espermatozóide e um oócito se unem, cria-se um novo ser que está vivo e assim continuará a menos que alguma condição específica o faça morrer:” (E. L. Potter, M. D., and J. M. Craig, M. D Palhology of lhe Fetus and lhe lnfant, 3rd Edition. Chicago: Year Book MedicaI Publishers, 1975.)
“O zigoto (…) representa o início de uma nova vida.” (Greenhill and Freidman’s, Biological Principies and Modem Practice of Obstetrics)
“Desde a concepção a criança é um organismo complexo, dinâmico e em rápido crescimento. Na sequência de um processo natural e contínuo, o zigoto irá, em aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos triliões de células do bebé recém-nascido. O fim natural do espermatozóide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização ocorra. No momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora recebendo metade dos seus cromossomas de cada um dos progenitores, é completamente diferente deles”. (Amicus Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of Certain Physicians, Professors and Fellows of the American College of Obstetrics and Gyneco1ogy, Supreme Court of the United States, October Term, 1971, No. 70-18, Roe v. Wade, and No. 70-40, Doe v. Bolton.)
Resposta: O aborto mata um ser humano.
A Biologia, Ciência, fornece-nos o facto. A partir da fertilização do óvulo por um espermatozóide, temos um novo e distinto ser humano. Humanidade é uma característica inata. Ontológica. A humanidade de um ser não é adquirida, com tempo ou nutrição. Um ser que não seja seja humano de concepção, jamais se tornará humano, por muito nutrido que seja e por mais tempo que passe. Isto é cientificamente irrefutável. Nenhum humano é mais ou menos humano do que outro. Ou se é humano, ou não se é humano. A humanidade de um ser é uma característica objectiva e absoluta.
Conclusão
A imoralidade do aborto é bastante fácil de compreender:
1. Após a fertilização do óvulo humano, por um espermatozóide humano; dá-se a concepção de um novo ser humano, que passa a existir enquanto tal.
2. Abortar a gravidez de uma mulher, é matar um ser concebido na fertilização de um óvulo humano, por um espermatozóide humano.
3. Logo, abortar é matar um ser humano.
Este argumento é logicamente válido e já justifiquei as premissas que levam à conclusão. Se Ricardo Silvestre se classifica como racional, só tem uma hipótese: demonstra quais são as premissas erradas, refutando os factos que eu apresentei para as sustentar. Caso contrário, não adianta invocar a sua incredulidade de que abortar é matar um ser humano, à base de pontos de exclamação em massa e critérios arbitrários, subjectivos e vagos, sobre o que ele pensa que significa "ser humano".
*
Nota: Fiz um esforço para me concentrar apenas em argumentos e factos ao escrever este texto, evitando referir aquilo que penso sobre a miséria de raciocínio e de conceitos de Ricardo Silveste, exposta na sua resposta ao Bernardo. É público que Silvestre lê este blogue, mas não tenho motivos para acreditar que vá responder ao desafio que lhe apresentei. A razão para escrever este texto desta maneira, não foi reconhecer seriedade ou respeito à opinião do presidente do Portal Ateu sobre o que é um ser humano, mas apenas expor de forma mais objectiva possível aos leitores aquilo que está em causa no acto do aborto.
Fontes:
1-Citações recolhidas por Mats, em "Aborto em Portugal, Blogue Contra a Legalização da Matança", www.abortoemportugal.blogspot.com
2-"Aborto: Sim ou Não", João Araújo
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarO post estava a correr lindamente até à parte das citações de cientistas. Não creio que isso possa ser considerada a opinião da ciência como tu aparentemente alegaste, até porque é sabido que também existem milhares de cientistas que têm uma posição completamente contrária à dos que tu mencionaste.
ResponderEliminarEstá mais que claro que a questão do aborto é uma questão estritamente filosófica e é impossível ter uma "opinião oficial" da ciência acerca de um assunto que ela não tem capacidade alguma de opinar. Tudo depende da maneira como cada qual usa a lógica para interpretar os dados obtidos através do método científico.
Este último dá-nos a informação acerca do mecanismo da fecundação, mas nunca nos poderá dizer onde começa a vida de um ser humano; isso vai depender derradeiramente da visão de cada um acerca dos conceitos de "ser humano" e de "vida". A exploração de tais conceitos ocorre através do idealismo e da abstracção levados a cabo pelo Homem e nunca poderemos encontrar explicação para eles em bruto na natureza da mesma maneira que conseguimos observar como circula o sangue (algo que o charlatão Sam Harris poderia começar a aprender antes de se pôr a dar palpites sobre como a moralidade humana pode ser objectivamente descoberta observando-se a natureza).
Agora, não deixa de ser evidente que essa ideia que o Silvestre tem de "ser humano", marcadamente materialista, é um monte de lixo. :) Sinceramente, não percebo como é que o neo-ateu ou outra pessoa qualquer consegue conciliar o materialismo (que em última análise acaba por dizer — quer o neo-ateu queira quer não — que o seu filho não vale objectivamente mais que um pedaço de excremento) com uma visão optimista do mundo e da humanidade.
«O post estava a correr lindamente até à parte das citações de cientistas. Não creio que isso possa ser considerada a opinião da ciência como tu aparentemente alegaste, até porque é sabido que também existem milhares de cientistas que têm uma posição completamente contrária à dos que tu mencionaste.»
ResponderEliminarÉ sabido? Cita lá esses cientistas e em quais trabalhos escreveram "exactamente o contrário"...
"Exactamente o contrário" será:
-A vida não começa na concepção. Na fertilização do óvulo por um espermatozóide não temos o início de um novo ser.
Qual a fundamentação científica disso? Não basta citares um biólogo como PZ Myers, por exemplo, quando ele afirma que um feto humano é "só carne". Da mesma maneira que o doutor Mengels a dizer o mesmo sobre um anão, não tornaria a desumanidade do anão num facto científico.
"Está mais que claro que a questão do aborto é uma questão estritamente filosófica e é impossível ter uma "opinião oficial" da ciência acerca de um assunto que ela não tem capacidade alguma de opinar."
Atenção: eu não citei a ciência sobre "a questão do aborto", mas sobre a questão do que é um ser humano. É claro que a noção de que matar seres humanos é imoral e não deve ser feito, não é científica, mas filosófica e moral ( e também de senso comum). O que é científico é que o aborto mata um ser humano.
«Tudo depende da maneira como cada qual usa a lógica para interpretar os dados obtidos através do método científico.»
Os dados obtidos através do método científico são claros e não dependem da maneira como cada qual os interpreta, mas do próprio método científico definido para esse efeito, certo?
É que dificilmente podemos deixar os dados obtidos por método científico à consideração da "lógica" de cada um para determinarmos aquilo que eles descrevem ou não.
«Este último dá-nos a informação acerca do mecanismo da fecundação, mas nunca nos poderá dizer onde começa a vida de um ser humano; isso vai depender derradeiramente da visão de cada um acerca dos conceitos de "ser humano" e de "vida".»
Mas o caro comentador surgiu como ser físico, vivo e individual da espécie humana, quando os seus pais o conceberam, ou apenas quando outros derradeiramente o aceitaram como tal? E se alguém não considerar o caro comentador um humano? O caro comentador deixar de ser e passa a ser humano, em função das pessoas que o encontram e respectivas visões sobre o que é um ser humano, ou de algo mais objectivo?
«A exploração de tais conceitos ocorre através do idealismo e da abstracção levados a cabo pelo Homem e nunca poderemos encontrar explicação para eles em bruto na natureza da mesma maneira que conseguimos observar como circula o sangue"
A natureza humana de um ser é biologicamente concreto e específico.É muito simples, filho de peixe é peixe, filho de humano é humano. Ninguém pode negar cientificamente que o zigoto é um ser vivo, físico, individual, distinto, único e com ADN humano. Não há aqui "idealismo" ou "abstração" ao barulho. Abortar é matar um ser humano.
Ao Dias, o divertido que veio de Marte:
ResponderEliminar- Existe uma coisa chamada genoma humano.
- Nenhuma legalização do aborto estabelece como limite "até 5 segundos após a fertilização".
- A humanidade de um ser não está dependente da capacidade de sentir dor.Mas tu tens alguma resposta à pergunta, ó defensor da legalização de abortos? Tens de ter, não é? É o teu critério...
-Se o Dias sofrer anestesia geral, torna-se mais imoral matar uma vaca desperta do que o Dias insensível?
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ResponderEliminarDias, todo o ser vivo tem genoma, e...? Só me ajudas: o alvo do aborto é um ser vivo com genoma HUMANO. Um SER vivo com genoma HUMANO, é um ser humano.
ResponderEliminarSe considerar um ser vivo, possuidor de genoma humano, como "ser humano" ( que é); significa discurso "ideológico"; o que será então fazer depender a humanidade de um ser, como tu fazes, de ter ou não família, medo, aspirações, amigos...
Dias, está visto que tu também não tens actividade cerebral. Não é por isso que te podem matar, nem deixas de ser humano, ok?
Obrigado, Jairo. Eu ainda me pasmo com a dificuldade sentida por tanta gente em entender os conceitos mais elementares de biologia. E também em compreenderem o que é a realidade objectiva, ou seja, que o estatuto do zigoto (ser ou não ser um ser vivo da espécie humana) tem que ser objectivo, e não pode depender das opiniões de ninguém.
ResponderEliminarAbraço!
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ResponderEliminarO Dias acha-me demasiado preso a definições, mas não quer discutir se a definição à qual eu me prendo nesta argumentação é falsa ou verdadeira.
ResponderEliminarSó consegue apelar ao ad populum. Mesmo que a maioria não aceitasse os factos da ciência conhecida como biologia, de onde é que ele retirou a ideia de que um facto científico, como é a natureza humana ou não de ser um vívo, está dependente da maioria concordar ou não com esse facto?
E claro, o meu argumento é religioso, e "mascarado" de retórica, e absurdo, só porque o Dias assim o classifica.
A estas inteligências, basta afirmar e passa a ser verdade.
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ResponderEliminarDias,
ResponderEliminarUm SER vivo com genoma HUMANO, não se tratando de um SER HUMANO, é o quê?
Tu é que foges à questão. O que entendes que define um ser humano?
Ter actividade cerebral e capacidade de sofrer? Como fundamentas isso? Uma pessoa incosciente e anestesiada, deixa de ser humana?
Depois, não usei nenhum argumento religioso. Tenta outra.
Para estabelecer o que é "ser humano", baseie-me na ciência, e não em filosofia. As citações são de cientistas, reparaste? Onde está o erro científico delas?
Por último, a humanidade de alguém não depende da capacidade de sentir dor ou medo. Se não, podíamos matar anestesiados à vontade.
Mas se queres esse critério como válido, mais uma razão para seres contra o aborto.
Este ser humano não está a sentir dor e pânico?
http://www.youtube.com/watch?v=rDlrz9QrN6E
Tens a lata de negar o que está provado com meios científicos nesse documentário, que o bebé reage e luta quando uma lâmina ou tubo o começa a despedaçar?
Ou começas a falar a sério, ou não vale a pena comentares mais.