Ó-i , Ó- Ai, Quem escorrega também cai...
Ludwig Krippahl tem jeito para o "diz que disse o que eu não disse", mas o problema deste texto é eu já tinha mostrado que o argumento que lhe atribui é correcto. O método foi: citar o próprio. Como Ludwig Krippahl quer convencer Ludwig Krippahl de que não disse aquilo que Ludwig Krippahl.disse, o caso continua. Comecemos por isto:
«Como o próprio Jairo cita, sem perceber, «Acredito em proposições que passem as provas». Ou seja, não que estejam provadas mas que sejam postas à prova.»
Como vemos, ele confirma que disse que só acredita em proposições que passem as provas mas quer convencer-se de que passar as provas é diferente de estar provado. Pretende que passar as provas signifique "sejam postas à prova".
Ora, se a expressão "passar as provas" é o mesmo que ser submetido a prova, então todos os alunos do Krippahl estão aprovados, em acto, assim que realizam um exame ( não importa o resultado). E levando a sério o professor de pensamento crítico, "passar as provas" é diferente de "estar provado". O ateísmo militante é uma escola de contorcionismo...
O restante texto do Krippahl deve ser lido à luz do princípio "Quem se escusa, se acusa". Por exemplo:
«Eu rejeito como falsa qualquer proposição que não possa ser testada porque ser verdadeira ou falsa não fará diferença e porque há infinitas alternativas impossíveis de distinguir, sendo praticamente nula a probabilidade de escolher a certa.»
A proposição "X é falso" requer fundamentação. Não é honesto fundamentar a crença de que X é falso, alegando que X não pode ser testado. Neste ponto, ele só está a confessar o erro que lhe atribui: defende o seu ateísmo mascarando-o de agnosticismo e repetindo que não há maneira de saber se Deus é real. Mais à frente, tentou fortalecer o seu ateísmo:
«E se pode ser testada, então só merece crédito na medida em que passar nos testes e nunca se for inconsistente com os dados. Não encontrei ainda qualquer religião cujas hipóteses centrais merecessem tal crédito, e é por isso que sou ateu.»
Ele não encontrou. E depois ? O ateísmo não pode ser baseado na incredulidade pessoal. O ateísmo não é dúvida pessoal sobre Deus até obtenção pessoal de prova credível sobre Deus. É a NEGAÇÃO de Deus, o que requer fundamento. A anedótica informação "não encontrei ainda qualquer religião que mereça crédito", não serve como fundamento. Seria o mesmo que eu apresentar como argumento teísta apenas e só a declaração " eu encontrei no Cristianismo uma religião que merece crédito". (!!)
Continuando, não vale a pena Ludwig Krippahl divulgar outros textos seus onde escreve, como no caso do ónus da prova, o oposto daquilo que eu lhe atribui. Tendo também eu citado textos seus onde se prova que o argumento que lhe atribui é mesmo o dele; isso só demonstra que ele é um poço de contradições. O próprio texto onde ele parece admitir a verdade de caber ao ateu o ónus de provar a alegação de que Deus é falso, acaba depois por ser uma redefinição de prova para " o mais plausível". No fim de contas, ele acha que o ateu cumpre o seu ónus da prova alegando duas coisas: que não existem indícios da existência de Deus e que existe o mal. ("cada criança que fica sem pernas por pisar uma mina, morre de cancro ou nasce com uma doença genética sugere fortemente que não existe um ser benévolo e omnipotente preocupado connosco." (sic) ) Isto não é realmente aceitar o ónus de provar a inexistência, já que não apresentou qualquer argumento que, partindo do mal, levasse à conclusão "Portanto, Deus não existe". Apenas AFIRMOU que o mal sugere que Deus não existe.
Quanto ao texto dele sobre o que é provar cientificamente, retive esta passagem:
«Um leitor deste blog (João Silveira) comentou que não posso provar cientificamente que a minha mãe gosta de mim. Engana-se. A minha mãe deu já muitas provas de gostar de mim, em muitas ocasiões que testaram o seu amor por mim. É assim que a ciência prova: testando. Está provado cientificamente que a minha mãe gosta de mim.»
Pois. Que a mamã do Krippahl gosta dele, está cientificamente provado. O menino disse, está dito. Imagino que também tenha batido com o pezinho no chão...
Conclusão:
Eu atribui este argumento a Ludwig Krippahl ( e refutei-o):
1. Só aceito algo como verdadeiro se tiver provas disso.
2. Não é possível provar uma negativa, por isso o ónus é de quem afirma que Deus existe.
3. Não existem provas da existência de Deus.
Logo sou ateu!
Eu não me importo de provar outra vez que este é o argumento dele, citando-o ( sublinhados meus)
1.
Só acredito em proposições (...) em proposições que passem as provas, os testes a que as submetemos, e não apenas as que sejam provadas como se faz na matemática »
Só acredito em proposições (...) em proposições que passem as provas, os testes a que as submetemos, e não apenas as que sejam provadas como se faz na matemática »
2.
«É possível que os cristãos tenham razão (...) Mas ser possível não basta »
«É possível que os cristãos tenham razão (...) Mas ser possível não basta »
+
«Não aceito como verdade aquilo que não for devidamente justificado. (....) o mais razoável é mesmo assumir que são falsas enquanto não haver indícios igualmente extraordinários» +
« A ciência não pode provar a inexistência de tais coisas »3.
«O ateísmo vem de perceber que quando alguém afirma “Deus é” diz apenas “acredito que seja” sem justificar a crença. Quando rejeitamos crenças injustificadas, neste universo, ficamos ateus.»
«O ateísmo vem de perceber que quando alguém afirma “Deus é” diz apenas “acredito que seja” sem justificar a crença. Quando rejeitamos crenças injustificadas, neste universo, ficamos ateus.»
+
«Não encontrei ainda qualquer religião cujas hipóteses centrais merecessem tal crédito, e é por isso que sou ateu.»Ludwig "Humpty Dumpty" Krippahl finge que está em cima do muro mas, de facto, ele já se lançou, de livre-vontade, para a posição de negação. O desafio está no ar: que apresente um argumento que sustente a conclusão "Portanto, Deus não existe". Que prove que acreditar em Deus é um equívoco. Se for capaz....
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Nota final:
Diz o Ludwig:
«Entretanto, o Orlando Braga alegou que «Estas premissas foram escritas em um blogue ateísta conduzido por professores universitários portugueses» apesar de admitir «Eu não frequento nem leio nada do tal blogue ateísta»(2), divagando de seguida por metafísicas que nada têm que ver com o que eu argumento. Esta atitude de deturpar, ou de nem sequer ler, os argumentos que pretendem refutar não merece muito respeito.»
A segunda frase foi truncada. O comentário do Orlando Braga foi:
«Nuno Dias: as premissas estão enunciadas no postal do Jairo Filipe, e para mim é isso que conta, porque acredito que ele fez um resumo das ditas. Eu não frequento nem leio nada do tal blogue ateísta: apenas comentei e fiz referência ao blogue do Jairo »
Assim, o que interessava era Ludwig Krippahl ter mostrado que não havia motivos para acreditar em mim nessa questão. Ou seja, que eu tinha enganado os meus leitores. Só assim, eu não mereceria respeito. Ludwig Kripphal não mostrou que assim fosse. [ A resposta do Orlando Braga pode ser lida aqui.]

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