O autor do Ktreta recorda aqui os "babilónios" que "desenvolveram a prática de prever o futuro pelo fígado dos animais":
« Os babilónios catalogaram detalhadamente que pedacitos de fígado correspondiam a que divindades ou acontecimentos e ensinavam-no como parte da formação dos seus sacerdotes. Era uma tecnologia usada ao mais alto nível, até vedada ao povo comum, de tão poderosa que a julgavam ser.»
A conclusão dele é a seguinte:
« Todas as religiões têm o equivalente aos diagramas dos fígados. Os livros sagrados, os dogmas, as alegações acerca do que é que cada deus quer, de quem era virgem, quem ressuscitou, quem recebeu ordens de um anjo, e assim por diante.»
Esta é uma afirmação injustificada. Em nenhum momento do texto ele prova, nem sequer se dá ao trabalho de tentar, que TODAS as religiões têm o equivalente aos diagramas dos fígados. Um "assim por diante" é muito pouco. Os livros sagrados, os dogmas e as alegações acerca de Deus de TODAS as religiões, não foram provados pelo Krippahl como equivalente aos diagramas dos fígados. Ele apenas AFIRMA isso.
E ainda se auto-intitula de "céptico" e professor de "pensamento crítico"? O único "cepticismo" e "pensamento crítico" que encontramos é um pedido para acreditar naquilo que o Krippahl diz sobre religião, apenas porque ele diz. Vejamos:
« E têm o equivalente aos videntes que interpretavam os fígados. Os sacerdotes, os teólogos, os peritos naquilo que, no fundo, não pode ser conhecimento por ser apenas alegações às quais falta evidências de corresponderem ao que pretendem representar.»
Os sacerdotes e teólogos são comparáveis aos videntes que interpretravam os fígados. Provou que assim seja? Não.
Qualquer sacerdote ou teólogo de qualquer religião é perito em algo que não pode ser conhecimento. Porquê? Raciocínio circular:
«não pode ser conhecimento por ser apenas alegações às quais falta evidências de corresponderem ao que pretendem representar.»
Argumentação miseravelmente patética. Imagino o Krippahl de bigode, cartola e com um irmão gémeo a acrescentar:
-Eu diria melhor, falta evidências de corresponderem ao que pretendem representar, porque não é conhecimento.
Continua:
«É por isso que é tão importante perguntar como é que sabem o que dizem saber.»
Claro que é. Para que depois os ateus militantes tapem os ouvidos e finjam que ninguém lhes explica.
Só não é importante perguntar ao Krippahl como é que ele sabe o que diz saber sobre TODAS as religiões. Nomeadamente, quando profere sentenças como " Todas as religiões têm o equivalente aos diagramas dos fígados." (sic) Isto, ele já não tem de provar e demonstrar.
« Se perguntarem a um físico como sabe a idade das estrelas, ou a um bioquímico como sabe a estrutura do ADN, eles explicam com o detalhe que quiserem. Mais detalhe do que quiserem, provavelmente.»
Já se perguntarmos a um ateu militante como é que ele sabe que Deus não existe, ou que todas as religiões têm o equivalente aos diagrama dos fígados, ele irá fugir da resposta e apresentar nenhum detalhe. Provavelmente irá tentar a inversão do ónus da prova. O que não admira, os ateus militantes definem-se pela desonestidade intelectual. Normalmente pegam em algo comprovadamente falso e/ infundado, coelho da páscoa, pai natal, super-homem, previsão do futuro através de fígado de carneiro, etc; não apresentam qualquer argumento para comparar Deus ou TODAS as religiões a esses fenómenos/entidades, e ainda assim querem que essa comparação seja um facto absoluto e ponto de partida do debate.
« O conhecimento é essa ligação entre as descrições e aquilo que estas descrevem, um encadeado de dados e inferências que se pode apreender e compreender. Sem mistérios insondáveis, sem saltos de fé, sem fontes autoritárias, poderes especiais ou revelações divinas.»
No entanto, nenhuma ligação entre a descrição " todas as religiões têm o seu equivalente aos diagramas dos fígados" e aquilo esta descreve "TODAS as religiões" foi apresentada. Não vimos qualquer "encadeado de dados e inferências" que se possam "apreender e compreender" no sentido da afirmação ser verdadeira.
Esta afirmação do Krippahl trata-se de um mistério insondável, um salto de fé, baseada na sua pretensa autoridade céptica. É como ele se achasse possuidor de poder especial e de revelação divina. Pensa que só
lhe basta afirmar. E depois, completa assim a "explicação"
«Para conhecimento não basta apenas uma lista de alegações acerca da realidade.»
E no entanto, ele nada apresentou para além de uma lista de alegações sobre a realidade:
1- «não há forma objectiva de distinguir entre as práticas que se reconhece religiosas e as que consideramos superstição.»
Não há, porque não há. Bem, minto. Uma vez o Krippahl ouviu " um antropólogo dizer a superstição é a religião dos outros." Faça-se justiça: para a afirmação acima ela apresentou uma justificação, ouviu um antropólogo qualquer ( uma autoridade!) a dizer uma piada/generalização sobre religião.
2. «Todas as religiões têm o equivalente aos diagramas dos fígados.»
Já falámos desta....
3- « E têm o equivalente aos videntes que interpretavam os fígados.»
Desta também...
4- « [religião] não pode ser conhecimento por ser apenas alegações às quais falta evidências de corresponderem ao que pretendem representar. »
Este foi o momento da justificação circular.
E aqui está a curiosa lista de alegações do Krippahl, sobre a realidade. Sem qualquer argumento. Aquilo que o Krippahl escreveu encaixa perfeitamente na categoria " inventar deuses no fígado do carneiro."
A Racionalidade do Self-Selling Ateísta
"Somos cépticos porque somos racionais."
"Diria mais, somos racionais porque somos cépticos"

Seria a mesma coisa comparar a tarologia com a metafísica (que é uma área da filosofia). O que o ateu fez essa comparação.
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ResponderEliminarDefendes que que o ritual da Eucaristia é comparável a prever o futuro através de fígados de carneiros? Qual é o teu argumento?
ResponderEliminarO corpo de Cristo não é dado aos animais. Depois de consagradas, ninguém dá as hóstias aos animais. Ou seja, o autor desse video que tanto de agradou, é outro palerma ignorante. Armado em sábio...
Bocético ~> Boçal + "O Cético"
ResponderEliminarNuno Manuel Hermengildo Dias,
ResponderEliminarTu é que tens que demonstrar a analogia. Não são os outros que têm que dizer como é que os seus rituais NÃO SÃO iguais aos diagramas dos fígados.
Boa tentativa de inversão do ónus da prova.
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ResponderEliminarTens de provar que ambos se baseiam em "crenças da treta" e "ausências de evidências" e que todas têm a "fé".
ResponderEliminarLá porque és ateu, não quer dizer que te baste afirmar algo, para isso ser verdade....
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ResponderEliminarNão. Não tens de apresentar provas de que a "última seia" nunca aconteceu. Seia existe. É na Serra da Estrela.
ResponderEliminarTens de apresentar provas de que a última ceia nunca aconteceu, quando és tu a defender que a última ceia nunca aconteceu. Quem alega, tem o ónus da prova. Simples.
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ResponderEliminarMuito bom, Jairo!
ResponderEliminarEu já nem faço a crítica costumeira ao Ludwig, que é a de que é perigoso opinar sobre o que não se conhece. Mais perigoso ainda falar sobre "as religiões", esse conceito pretensamente universal, como se "as religiões" fossem de tal forma parecidas que poderíamos agrupá-las dessa maneira.
O que mais me choca, do ponto de vista de violação do intelecto e da razão, é que o Ludwig, e muitos ateus como ele, não apliquem a si mesmos o grau de exigência epistemológica que aplicam aos crentes.
Este teu "post" demonstra mesmo isso: se sou ateu, posso escrever à balda e sem rigor, e posso falar sobre religião mesmo sem perceber patavina do tema. Mas se um teólogo se atrever a falar sobre qualquer tema que seja, ai dele que não apresente um rigor lógico impecável e um pacote de testes experimentais!
Abraço
Talvez um dia o Nuno Dias prove que algum crente em Deus, O comparou aqui ao pai natal.
ResponderEliminarMas honra lhe seja feita, finalmente o Dias provou que a comparação entre Deus e o pai natal é "estupidamente correcta". Argumentação genial:
1. Dizer que um dia talvez explique isso.
2. Chamar fanáticos e irritados aos que pedem que ele prove isso.
E pronto, está provado. Estupidamente correcto. Eu não diria melhor.