Divulguei no blogue Ktreta o desafio que escrevi no texto "Neo-Ateísmo, a Treta". Vou ignorar as respostas dos comentadores Wyrm e Pedro Ferreira porque se trataram apenas de insultos e ataques pessoais. Mas vale a pena comentar a resposta que me foi dada pelo autor do blogue, Ludwig Krippahl. Começando por isto:
«A alegada refutação do Jairo é uma confusão. A minha premissa não é de que só acredite naquilo que consigo provar »
Cito então uma resposta que me foi dada por Ludwig Krippahl, no Ktreta, a 16/12/10 07:31 ( sublinhado meu):
«A alegada refutação do Jairo é uma confusão. A minha premissa não é de que só acredite naquilo que consigo provar »
Cito então uma resposta que me foi dada por Ludwig Krippahl, no Ktreta, a 16/12/10 07:31 ( sublinhado meu):
« Jairo,
1-Só acredito em proposições, pois não posso acreditar nas coisas em si. 2-Acredito em proposições que passem as provas, os testes a que as submetemos, e não apenas as que sejam provadas como se faz na matemática »
[Quem estiver interessado, leia o texto "Ludwig Krippahl em Paralaxe Cognitiva", no qual cito e comento por inteiro essa declaração.]
Citando mais declarações de Ludwig Krippahl deixando claro que só acredita naquilo que for provado (empiricamente e ao mesmo tempo que não apresenta nenhuma prova empírica que valide a sua epistemologia cientificista)::
Citando mais declarações de Ludwig Krippahl deixando claro que só acredita naquilo que for provado (empiricamente e ao mesmo tempo que não apresenta nenhuma prova empírica que valide a sua epistemologia cientificista)::
«Ciência é o mesmo que Conhecimento, crença adequada à realidade / Só é Conhecimento o que pode ser testado e está justificado como a hipótese melhor fundamentada. (...) Demonstrações lógicas ou matemáticas são meramente formais, não conseguem provar como adequada à realidade nenhuma crença.»«O conhecimento ( proposicional) é uma crença » [ Aula 5, 14 -10-2008]
Conteúdo de aulas de "Pensamento Crítico" dadas por Ludwig Krippahl.
Ele diz agora que a sua premissa não é a de que acredita só naquilo que consegue provar, «mas sim que a confiança que deposito em hipóteses factuais é proporcional ao que as evidências favorecem essas hipóteses em comparação com alternativas.»
Compreendo. Ele não acredita, ele deposita confiança em hipóteses. O que é completamente diferente...
Em frente,
« O Jairo atacou, com grande sucesso, um homem de palha irrelevante. Eu não argumento o que ele diz que eu argumento.»
Segue a minha defesa. Aquilo que lhe atribui como pilares da sua argumentação ateísta:
1. Só aceito algo como verdadeiro se tiver provas disso.
2. Não é possível provar uma negativa, por isso o ónus é de quem afirma que Deus existe.
3. Não existem provas da existência de Deus.
Logo sou ateu!
Vejamos se ele não argumenta o que eu digo que ele argumenta:
(1. Só aceito algo como verdadeiro se tiver provas disso.)
«Só acredito em proposições, pois não posso acreditar nas coisas em si» + «Acredito em proposições que passem as provas»
(2.Não é possível provar uma negativa, por isso o ónus é de quem afirma que Deus existe.)
«Não tenho nada contra os cristãos, mas o critério da parcimónia leva-me a rejeitar o que esta religião alega.(...) se considerarmos as alegações adicionais que cada religião acrescenta, acerca do número de pessoas na substância divina, dos livros sagrados, das encarnações e preceitos morais, o que temos é precisamente a tal derrocada de hipóteses infundadas da qual só a parcimónia nos safa. (...) É possível que os cristãos tenham razão (...) Mas ser possível não basta »
http://ktreta.blogspot.com/2011/09/parcimonia.html
« uma proposição da forma "X existe" tende a ser menos plausível, à falta de evidências para a existência de X, do que a sua negação. Assim, acredito que o Pai Natal não existe, nem Osiris, nem o Super-Homem, nem a fada Sininho, nem nenhum dos milhares de deuses que por aí se adora.»
16/12/10 07:31
«Os crentes chamam-me ateu porque não acredito no que me dizem acerca dos seus deuses. Mas, para mim, isto é como não acreditar quando me dizem que o Pai Natal traz as prendas, que há um monstro em Loch Ness ou que extraterrestres raptam pessoas. Não aceito como verdade aquilo que não for devidamente justificado. E com hipóteses tão extraordinárias o mais razoável é mesmo assumir que são falsas enquanto não haver indícios igualmente extraordinários»
«o ateísmo não se obtém pelo simétrico da crença religiosa, mantendo o deus mas trocando “existe” por “não existe”. O ateísmo vem de perceber que quando alguém afirma “Deus é” diz apenas “acredito que seja” sem justificar a crença. Quando rejeitamos crenças injustificadas, neste universo, ficamos ateus.»
http://ktreta.blogspot.com/2008/06/treta-da-semana-procurar-pela-negativa.html
«Não temos de postular um mundo dos sonhos para onde a nossa alma vai quando dormimos, nem um universo paralelo onde o bicho-papão e o Homem-aranha esperam pacientemente que alguém pense num deles. A ciência não pode provar a inexistência de tais coisas mas pode mostrar hipóteses alternativas melhores (...) E, com o que sabemos hoje, isto deixa o ateísmo à frente de todas as religiões. Bem destacado.«
http://ktreta.blogspot.com/2011/06/equivocos-parte-12-grandes-equivocos-da.html
(3. Não existem provas da existência de Deus.)
Esta já foi demonstrada com as citações anteriores. Repetir, como se fosse um mantra, que não existem provas, justificação ou fundamento para qualquer religião, é o desporto favorito de Ludwig Krippahl, o "céptico"
Está demonstrado. Ludwig Krippahl argumenta aquilo que eu disse que ele argumenta. À crítica que eu fiz ao argumento dele para justificar o ateísmo ( o qual resumi correctamente), Ludwig Krippahl não respondeu, apenas chutou para canto. Acabou por não apresentar um argumento, como sugeri, para demonstrar que acreditar em Deus é um equívoco.As afirmações que se seguem não podem ser consideradas um argumento que sustentem tal conclusão:
«Mas acerca da hipótese de existir um ser omnipotente que ama infinitamente cada um de nós tenho confiança em rejeitá-la, aceitando como certa a sua negação, por evidências como uma criança ficar sem pernas ao pisar uma mina sem esse deus se incomodar sequer a dizer “olha, não brinques aqui, vai mais para aquele lado que não tem minas”.»
Diz que é evidente que Deus não evita que algumas crianças pisem minas ( é verdade), e que por isso aceita como certa a negação de Deus. O problema é que ele não deu qualquer argumento para se aceitar a negação de Deus como certa, em função dessa realidade. Pode ser que ele defenda ( como ele não argumenta temos de ser nós a imaginar) que Deus necessariamente teria de evitar sempre que as crianças pisassem minas, caso amasse infinitamente a humanidade. Mas também não ouvimos da parte dele nenhuma justificação que nos leve a aceitar essa premissa oculta como verdadeira.
« A treta da liberdade de escolha da criança pisar a minha que não sabe estar lá não me parece suficiente para justificar que tal deus existe.»
Talvez não seja suficiente. No entanto, quem tentou justificar Deus com " a treta da liberdade de escolha da criança pisar a mina que não sabe lá estar"? Não sabemos...
Por outro lado, o "não me parece suficente", é uma falácia de apelo à incredulidade pessoal. Apenas afirmar que não aceitamos algo, não é argumentar.
«E quando entramos nos detalhes da virgindade, encarnação, ressurreição e preservativos, ainda se torna menos plausível.»
Torna-se menos plausível, porque ele DIZ que se torna menos plausível ? Ludwig Krippahl não argumenta, decreta. Concluindo, os "argumentos" do ateu militante resumiram-se a
a) repetir que não existem provas, justificações ou fundamento para acreditar em Deus.
b) O mal.
O ateu militante lembra que crianças pisam minas, (ou morrem à fome, têm cancros, etc), e que por isso ele não não aceita pessoalmente acreditar em Deus. Mas a emoção causada pelo mal não demonstra que seja um equívoco acreditar em Deus. Se o ateu militante se diz racional, então deve justificar de maneira racional, e não emocional, o seu ateísmo. O argumento do mal para o ateísmo, como o da versão popularizada de Epicuro, é uma contradição porque se baseia numa premissa injustificável numa cosmovisão ateísta: a de que o mal existe. Sendo esta a premissa fundamental do argumento, mas simultaneamente injustificável de um ponto de vista ateu, o argumento do mal falha completamente na conclusão de que não há Deus. Terminando com uma citação de um ex-ateu:
"Com isto, é claro, surge uma pergunta difícil. Se um Deus bom criou o mundo, por que esse mundo deu errado? Por muitos anos, recusei-me a ouvir as respostas cristãs à pergunta, pois tinha a sensação persistente de que 'o que quer quer vocês digam, por mais astutos que sejam seus argumentos, não é muito mais simples e mais fácil afirmar que o mundo não foi feito por um poder dotado de inteligência? As argumentações de vocês não são apenas uma complicada tentativa de fugir ao óbvio?' Mas, através disso, acabei deparando com outra dificuldade.
Meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa idéia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha reta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto? Se o espetáculo inteiro era ruim do começo ao fim, como é que eu, fazendo parte dele, poderia ter uma reação assim tão violenta? Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim. É claro que eu poderia ter desistido da minha idéia de justiça dizendo que ela não passava de uma idéia particular minha. Se procedesse assim, porém, meu argumento contra Deus também desmoronaria - pois depende da premissa de que o mundo é realmente injusto, e não de que simplesmente não agrada aos meus caprichos pessoais. Assim, no próprio ato de tentar provar que Deus não existe - ou, por outra, que a realidade como um todo não tem sentido -, vi-me forçado a admitir que uma parte da realidade - a saber, minha idéia de justiça - tem sentido, sim. Ou seja, o ateísmo é uma solução simplista. Se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido - do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado."
C.S. Lewis. Cristianismo Puro e Simples
Dizer que a religião é responsável pelas guerras e pelas catástrofes humanitárias que se fizeram em nome dela, é o mesmo que dizer o Amor foi responsável pela guerra de Tróia.
ResponderEliminarEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarO quê?!
ResponderEliminarSobre o problema do mal, tema para o qual o Ludwig pensa que a teologia acordou ontem.
ResponderEliminarhttp://www.youtube.com/watch?v=XqSRV2WUzPM