Vou assumir que o artigo do Portal Ateu intitulado "Os melhores académicos falam de Deus" foi uma resposta à iniciativa "Ciência não é contra a Religião". Ricardo Silvestre escreveu:
«Esta é principalmente para os religiosos que dizem “ah, pois, mas há muitos cientistas que são religiosos!!»
A iniciativa que eu divulguei não se trata de um argumento de autoridade do género "muitos cientistas brilhantes acreditam em Deus, logo Deus é real". Para a mentira neo-ateísta de que a ciência é incompatível com a religião, que a religião ( e o cristianismo em particular) se define por ser anticientífica, são citados nomes de religiosos ( maioritariamente cristãos) que foram ou são grandes cientistas. O autores da iniciativa também tiveram o cuidado de identificar os cientistas religiosos em função dos feitos científicos que alcançaram. Conclui-se que Ciência não é incompatível com Religião, Ciência não quer dizer Ateísmo. Não se concluiu que, por causa de existirem cientistas religiosos, Deus existe. Isso seria um falacioso apelo à autoridade.
Já no caso desse artigo do Portal Ateu, diz-se que os "melhores" académicos falam de Deus. Trata-se de um extenso argumento de autoridade a favor do ateísmo. O video é demasiado longo para eu comentar todas as afirmações, mas pelo que ouvi não andam longe dos slogans já desmascarados em sites como "Neo-Ateísmo, um Delírio" ou "Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo".
E de facto, a maioria daqueles indivíduos não tem qualquer autoridade académica em religião, teologia ou filosofia. Dos que se dizem filósofos, temos nomes de credibilidade altamente duvidosa ( estou a ser simpático), como o charlatão Daniel Dennett ( 1 , 2 , 3 ) Ou Peter Singer, um "filósofo" que diz ser capaz de matar bebés e defende que a bestialidade, depois do homossexualismo, é o próximo tabu a derrubar.
Outro problema da resposta de Ricardo Silvestre consiste nisto:
«Está bem. São cada vez menos actualmente, porque “muitos dos melhores cientistas” (leia-se, os da antiguidade) acreditavam em deus”, porque vivíamos em épocas muito menos científicas e tecnológicas que agora. Newton se vivesse hoje, duvido que acreditasse em deus ou em alquimia.»
-Dominar universidades e departamentos, não é o mesmo que ser o melhor ou pertencer à maioria dos cientistas.Ricardo Silvestre não pode negar a existência de um movimento ideológico que pretende banir os cientistas religiosos do sistema, por motivos políticos e não científicos. Ele divulga e apoia esse movimento.
-Menosprezar muitos dos melhores cientistas, que foram religiosos, dizendo que eram cientistas da "antiguidade"; Argumentum ad Antiquitatem.
-Dizer que os cientistas da "antiguidade" acreditavam em Deus porque viviam em épocas menos científicas e tecnológicas pressupõe que um maior desenvolvimento científico dá-nos motivos para não acreditar em Deus. Infelizmente, não ouvimos nenhuma demonstração científica nesse sentido.Essa declaração cai na petição de princípio e entra em contradição com o facto de não haver nenhuma cultura ateísta como ponto de partida da Ciência.
-Quanto à referência do Silvestre sobre aquilo em que acreditaria Newton hoje; como não sou perito em parapsicologia nem ele explicou como chegou a essa conclusão adivinhatória, não tenho qualquer comentário a fazer.
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