Ricardo Alves, no Diário Ateísta, deu a um artigo recente o título " A Besta Islamista volta a atacar". para às tantas começar a falar de católicos. O texto tem como assunto o ataque incendiário à sede de um jornal francês, que se preparava para publicar sátiras relacionadas com o islão e o seu profeta.
Ricardo Alves conclui ( sublinhado meu):
« A sátira e o riso são tão importantes para o meu ateísmo como o ajoelhamento e a prece o são para os religiosos. Se os muçulmanos e os católicos não entendem assim, eu explico melhor: atacar o Charlie Hebdo é como pôr uma bomba em Meca ou em Fátima Pôr bombas por causa de umas caricaturas é próprio de bestas que se levam demasiadamente a sério. Ou de fascistas (neste caso, da variante islamofascista). Se não gostam de rir, vão rezar. »
O que têm os católicos a ver com o assunto ? É muito simples: os católicos existem. E Ricardo Alves, pelos vistos, não se dá muito bem com isso.Um crime que provavelmente teve autores islâmicos, por causa de sátiras ao islão, leva-o a incluir os católicos nas suas críticas.
Isto está de acordo com a origem e a natureza do movimento neo-ateísta. Todos os crimes do fanatismo e terrorismo islâmico são aproveitados pelos anticristãos, contra o Cristianismo. Isto acontece desde o 11 de Setembro, sobre o qual é politicamente incorrecto dizer que se tratou de um caso de fanatismo muçulmano, mas aceitável que seja vendido pelos ateus militantes como exemplo maior do perigo de "as religiões", para rapidamente se tornar num caso que justifica uma militância especificamente anticristã, com um fervor que impressionaria Maomé.
Nem Ricardo Alves, nem qualquer outro seu camarada do Diário Ateísta ( ou da seita rival do Portal Ateu), têm por hábito denunciar e comentar as perseguições cometidas pelos islâmicos contra os cristãos. Por exemplo, no Egipto exibir a cruz é um acto punido com a morte.
Já no ocidente, as federações, associações e movimentos do ateísmo militante vão pelo mesmo caminho. Não só tornam ilegal a mera exibição da cruz e de outros símbolos cristãos, como incendeiam igrejas e saem para a rua com a intenção de impedir, pelo uso da violência, a liberdade de manifestação e expressão dos católicos.
Quem precisa que lhes sejam explicadas algumas coisas são, não só os islâmicos, mas os ateus militantes. Eu não tenho autoridade para falar em nome dos católicos, mas acho que não vou dizer nada por ai além.
O catolicismo é muito importante para os católicos. Se Ricardo Alves não compreende isso, eu explico:
-Para os católicos, por muito que isso divirta alguns ateus associados em nome de um mundo melhor, invadir o Santuário de Fátima ao volante de um carro, colocando em risco a segurança das pessoas que lá estão pacificamente, é como se tratasse de algo comparável a, digamos.... invadir o Santuário de Fátima ao volante de um carro, colocando em risco a segurança das pessoas que lá estão pacificamente.
-Para os católicos, apesar de ser muito importante para os objectivos dos ateus fanáticos, incendiar uma igreja é a mesma coisa que incendiar uma igreja.
-Para os católicos, quando uma jovem com problemas mentais ataca fisicamente o Papa Bento XVI, um homem idoso, é como se uma jovem com problemas mentais atacasse fisicamente um homem idoso. A alegria quando um doente mental agride fisicamente alguém que odiamos mas não temos coragem de agredir , embora provavelmente comum entre psicopatas, é estranha à fé católica.
-Para os católicos, ateus que organizam contra-manifestações porque não toleram nem reconhecem aos católicos o direito de manifestarem a sua fé ao ar livre, são como, por muito que custe aceitá-lo, ateus que organizam contra-manifestações porque não toleram nem reconhecem aos católicos esse tal direito. Que por acaso até é reconhecido pela DUDH, aquela que esses mesmos movimentos ateus fingem representar, respeitar e defender.
-Para os católicos, e pessoas normais em geral, A = A.
Ricardo Alves, que para além de praticante de ateísmo em nome de um mundo melhor também é cronista num jornal, devia saber regras elementares da composição e análise de uma notícia. Por exemplo, a técnica dos 5 w´s ( what, who, where, when, why)
-O quê? Sede de um jornal destruída.
-Quem? Não se sabe. (Suspeita-se de islâmicos.)
-Onde? França.
-Quem? Não se sabe. (Suspeita-se de islâmicos.)
-Onde? França.
-Quando? 2 de Novembro de 2011.
-Porquê? Não se sabe. (Suspeita-se que para impedir ou vingar a publicação de sátiras ao islão.)
O comentário feito a partir de uma notícia pode conter maior ou menor subjectividade. Mas não existe o direito de aldrabar, deturpar ou passar por cima dos factos noticiados. Quem aproveita a notícia de um crime, para atacar gratuitamente quem não está na notícia; é um mentiroso sem vergonha.
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