Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

A Fé Anedótica de Ludwig Krippahl

Ludwig Krippahl quer fazer crer que  fé e ciência são incompatíveis, mas como não usa um único argumento, prova, dado ou teoria científica para o demonstrar, não sabemos do que está a falar.

« A ciência é um processo que usa a dúvida para evitar encravar nos erros. Principalmente no auto-engano. »

A ciência usa a dúvida...e a certeza. Se assim não fosse, encravaria no erro de se definir a si própria apenas como "dúvida" ou "uso da dúvida". O que seria auto-contraditório, enquanto manifestação de certeza do que "é" a ciência.
We can know some things for certain. To deny the first principles of thought is self-referentially inconsistent: what you say is contradicted by what you do. That is intellectual hypocrisy, whether it is conscious (due to malice) or unconscious (due to a lack of self-awareness, fear, inattention, or other mental incapacities)
O auto-engano de Ludwig Krippahl é pensar que pode definir o que é a ciência pelo método eu afirmo o que é a ciência, por mais ilógico que seja, e não tenho de demonstrar nada.

« Se questionarmos qualquer alegação, procurarmos hipóteses alternativas e só cedermos a nossa confiança, com relutância e provisoriamente, àquelas hipóteses que a isso nos obrigarem pelo peso das evidências, sempre vamos corrigindo os erros. »

Não questionou esta alegação em si mesma ( a qual está necessariamente incluída em "qualquer alegação").

Não demonstrou ter procurado hipóteses alternativas à suposta necessidade de só cedermos a nossa confiança provisoriamente. (talvez ele confie que essa é uma necessidade defnitiva e absoluta, o que é auto-contraditório).

Não apresentou qualquer evidência de que o método proposto nos permita ir "sempre" ( outro termo absoluto) corrigindo os erros.

«Não podemos evitar errar, mas pelo menos temos a possibilidade de notar quando erramos e a disposição para o admitir e escolher alternativas. »

Enquanto Krippahl não estiver disposto a admitir que é auto-contraditório dizer que "só" devemos ceder a nossa confiança provisoriamente, nunca compreenderá o seu erro. Confia, definitivamente, que a confiança deve ser cedida apenas provisoriamente.(!)

« E isto é incompatível com a fé. A fé é a confiança dedicada e persistente na crença de que as coisas são como se julga.»

Define fé como incompatível, dizendo que é uma confianca dedicada e persistente (em oposição à suposta necessidade de só confiarmos provisoriamente). Mas a sua alegação, não só é uma confiança dedicada e persistente na crença da incompatibilidade entre fé e ciência, como é uma confiança dedicada e persistente sem qualquer demonstração ou prova. Ele acha que lhe basta afirmar.

«A ciência é a dúvida rigorosa e sistemática que vai moldando as crenças àquilo que as coisas são.»

"Aquilo que as coisas são" necessariamente inclui aquilo que a ciência é. Mas não foi apresentada nenhuma demonstração de dúvida rigorosa e sistemática, que permita concluir que a crença de Krippahl sobre a ciência ser incompatível com a fé, esteja moldada àquilo que a ciência realmente é.

Entretanto, ele narra o caso de um teólogo que participou num debate com um cientista ateu e que depois dificultou a divulgação da gravação:

«Numa atitude pouco compatível com o debate aberto que é essencial em ciência, e mais próxima da prepotência que as religiões manifestam sempre que podem, John Haught inicialmente impediu a divulgação do vídeo, alegando que «a discussão em Kentucky raramente se elevou ao nível de um encontro académico».

O comentário inicial que introduz a descrição do comportamento de John Haught, não tem qualquer valor lógico ou crítico.É uma conclusão falaciosa e desonesta. Seria o mesmo que eu, por causa deste comportamento anticientífico e fechado ao diálogo por parte de Richard Dawkins, afirmar a seguinte generalização:

-Numa atitude pouco compatível com o debate aberto que é essencial em ciência, e mais próximo da propotência que o ateísmo manifesta sempre que pode, Dawkins recusou continuar um debate com um cientista, quando se chegou à parte de discutir as provas apresentadas.

« Apesar de ser apenas um incidente pontual, esta atitude de Haught é mais um exemplo da incompatibilidade entre querer saber e ter fé que já se sabe.»

Quem tem fé que já sabe, é Ludwig Krippahl. Todo o seu caso é construído a partir de evidências anedóticas:

a) a atitude de Haught seria mais um exemplo da incompatibilidade entre querer saber e fé, porquê? Apenas porque Krippahl o diz?

b) Onde está a justificação para ele ter definido ciência como "querer saber" e fé como "ter fé que já se sabe"? Em lado nenhum. Mais uma vez, ele apenas dá isso como garantido, sem qualquer justificação.

Para mostrar que a fé é incompatível com ciência, aquilo que  Ludwig Krippahl apenas vai afirmando sem justificar, e um caso irrelevante de um teólogo com medo de divulgar um debate em que participou; não servem.

A definição de fé que ele deu é outra treta. Tendo arbitrariamente definido fé como a coisa totalmente oposta àquilo que arbitrariamente diz ser a ciência, acha que demonstrou a incompatibilidade entre fé e ciência.O raciocínio é circular. É ele quem acredita que já sabe e revela ser incapaz de colocar em dúvida o que afirma.

Se eu apenas afirmar isto

-Ateísmo e ciência são incompatíveis, porque o ateísmo é acreditar que já se sabe, e a ciência baseia-se na dúvida.;

será que também apresentei um raciocínio válido que demonstre a incompatibilidade entre ateísmo e ciência?

«a disposição para ajustar as ideias às evidências é incompatível com a dedicação incondicional a uma crença.»

É ele quem se dedica incondicionalmente à crença de que assim seja. A frase refuta.-se a si mesma. Depende de se acreditar incondicionalmente naquilo que ela afirma.

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