Cristopher "o maior da sua aldeia" Hitchens
1949-2011
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| "A religião envenena tudo" "Precisamos de uma nova civilização" Um lema muito original e uma utopia que nos proporcionou muita felicidade no século XX... _________________________ |
Hitchens não foi grande. Como o politicamente correcto inverte tudo.
«É uma pena que não exista inferno para onde ele vá." Era assim que o marxista Cristopher Hitchens reagia à notícia da morte de quem não gostava. [ "I wish there was a hell for Falwell"]
Um dos "argumentos" do novo ateísmo é declarar que, havendo inferno, Deus seria mau e imoral por o permitir. Mas ao mesmo tempo que se julgam, por definição, moralmente superiores a Ele, « [Deus] seria péssimo se existisse », os profetas e agentes do novo ateísmo, no fim do dia acabam a confessar que, ao contrário de Deus, gostariam mesmo de ver aplicado o pior dos castigos aos inimigos: sofrimento eterno.
Nós por cá, também temos ateus militantes que desejam a morte e o inferno a quem odeiam:
« Pat Robertson é a prova como não existe um deus cristão. Se ele existisse, já tinha levado este estupor para um cantinho do inferno, onde este atrasado mental seria sodomizado por demónios gays, mexicanos, e ateístas para toda a eternidade. (desculpem o teor do artigo, mas este sujeito mete-me nojo para além do razoável – felizmente já não deve demorar muito para nos vermos livres dele )»
«A ver se [Pat Robertson] faz um favor à humanidade e morre»
[ Assunto comentado aqui]
Não me interessa discutir se os líderes religiosos visados nas citações acima, e capazes de provocar ódio de morte, literamente, em ateus militantes, são ou foram pessoas boas ou más. E.também não interessa se concordo ou discordo com as doutrinas e a teologia destes pastores evangélicos. A questão é outra.
Um religioso regozijar-se com a morte de outro ser humano, desejar que ele morra ou manifestar felicidade pela possibilidade de alguém recentemente falecido ter ido parar ao inferno; é visto, e muito bem, como fanatismo e maldade. Mas quando um ateu (militante) expressa desejos de morte e sofrimento eterno aos outros, aí, a expressão do mesmo tipo de ódio já é vista como irreverência, humor, elevação moral, coragem contra a tirania e amor à humanidade.
Quando morre Cristopher Hitchens, a versão ateia e piorada do fanático religioso, a reacção histérica e desproporcionada dos seus seguidores tem algumas semelhanças com a do povo norte-coreano pela perda do "querido líder". Mas ao contrário da maioria dos norte-coreanos, forçados a participar na encenação pelo medo do regime em que vivem, os ateus militantes acreditam mesmo que a morte de Hitchens significa que a humanidade perdeu um dos seus melhores, mais influentes e bondosos homens.
Um, cito alguns comentários que li por aí, "herói", possuidor de "vasta cultura erudita", "um gigante", "coerente lutador contra todas as formas de ditadura", "uma das razões para a vida ser boa", "um dos raros que enfrentavam a estupidez e a hipocrisia que reina no mundo", produtor de um "vasto trabalho de alto nível intelectual", "um dos maiores pensadores contemporâneos", "Homem de um intelecto agudíssimo, argumentador brilhante e escritor de invulgares talento e erudição". Só lhe faltou inventar o hamburger...
No Portal Ateu alguém escreveu a minha preferida: "O homem pode ter morrido, mas Christopher Hitchens continua vivo na memoria de todos nós, o seu legado continua, a sua luta prossegue, as suas ideias foram disseminadas e os seus memes estão vivos e de boa saúde. "
[São depois estes tipos que querem separar o ateísmo do regime norte-coreano, alegando que os comunistas de lá não são ateus porque veneram falecidos líderes de uma maneira supersticiosa...]
Estes e tantos outros exagerados louvores a Hitchens, estão por aí em vários sites e blogues ateístas militantes, tanto em inglês como em português. Na realidade, este jornalista famoso não resolveu nenhum problema prático, científico, teórico ou filosófico à humanidade. Mesmo no debate entre ateísmo e religião, espaço onde ganhou o estatuto de ídolo pop-star dos ateus (militantes), a contribuição intelectual de Hitchens é absolutamente nenhuma. De um homem erudito e brilhante, espera-se que ele saiba do que fala. A ignorância filosófica de Hitchens era monstruosa. Exemplo: convidado para debater teísmo com alguém formado em filosofia e teologia, Hichens era capaz de fazer perguntas pueris como "quem teria criado o criador ?", com a atitude confiante de quem estaria a levantar uma questão realmente séria e difícil.
Como disse Olavo de Carvalho sobre a propaganda dos estarolas Hitchens, Dennett, Harris e Dawkins:
« A vida intelectual no mundo teve de perder o último vestígio de dignidade para que pudessem aparecer, no horizonte dos debates letrados, os quatro cavalos do Apocalipse. »
O mito de "Hitchens o defensor da liberdade", também é fácil de desmontar. Ele dizia pensar como um marxista. Portanto, só podemos concluir que pensava como um tirano, totalitário, adepto da violência, do genocídio e do terror. Ter medo de dizer isto, é exactamente o mesmo que ter medo de chamar tirano, totalitário, violento, genocida e terrorista a quem diga "penso como um nazi". O politicamente correcto, do qual Hitchens fingia ser adversário, separou artificialmente o marxismo, dos crimes contra a humanidade que o marxismo abertamente promove e incentiva. Aos marxistas tudo é permitido. Depois de tantas mortes e destruição, ainda é possível ganhar dinheiro, respeito e fama prometendo uma "nova civilização" se acabarmos com a religião, e passar à história como inimigo do totalitarismo, por se ter levado uma vida adulta a pensar "como um marxista".
Se Hitchens era um homem assim tão culto, então não era possível Hitchens dizer "penso como um marxista", e ao mesmo tempo ignorar o que pensava Marx sobre a violência e o terror como meio político.
Deixo a pergunta: quando o século passado nos mostrou aquilo se verifica quando a teoria marxista é levada à prática, como pode um defensor da liberdade dizer-ser marxista ?
Este problema bicudo, os fãs de Hitchens que teimam que ele era um erudito, só podem resolver de uma maneira: dar o dito por não dito e perdoar Hitchens por ser burro e não saber o que significa realmente "pensar como um marxista".
«Os comunistas não se rebaixam a dissimular as suas opiniões e o os seus fins. Proclamam abertamente que os seus objectivos só podem ser alcançados pela destruição violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremam perante a ideia de uma revolução comunista.»
«O poder político é apenas o poder organizado de uma classe para oprimir outra » (...) » O objectivo imediato do comunismo é a conquista do poder »
Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto Comunista.
A outra alternativa, é continuar a idolatrar Hitchens como um dos maiores amigos da humanidade, mesmo sabendo que ele conscientemente escolheu como inspiração intelectual um defensor do terror e da matança. Não fico surpreendido que os ateus militantes escolham este caminho.O ateísmo militante é uma cegueira, típica de fanáticos.






